Bem-vindo (a)

Para quem acredita na existência de Deus, há sempre uma luz radiante, ainda que a vida pareça mergulhada em profunda escuridão. Chega um momento que precisamos nos libertar dos grilhões, das amarras e correntes que nos enclausuram num pequeno mundo, sairmos da nossa caverna e irmos de encontro à luz.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Outra visão sobre a Literatura Goiana


Durante todo o percurso da vida do indivíduo humano, infinitas são as experiências pelas quais ele passa. Ainda que fôssemos seres eternos, muitas coisas não chegariam a passar pela nossa minúscula cabecinha, já que possuímos certas limitações. Mesmo depois de nos constituirmos como sujeitos, continuamos adquirindo novas experiências e tentando sermos cada vez mais ousados. Daí, o nosso enorme poder de transformação. Não importa com que dom nascemos ou qual vocação vamos seguir, a criação é um poder versátil e ilimitado, um campo vasto a ser galopado constantemente e o que vem à frente, muitas vezes, parece misterioso demais aos olhos humanos. No campo da literatura, por exemplo, dia a dia, somos surpreendidos e agraciados com obras e autores tão inovadores capazes de nos prender à leitura na primeira linha do seu texto e nos conduzir a mundos nunca dantes imaginados, sem desgrudar os olhos ou desviar o pensamento daquela arte posta nas páginas.

A exemplo desse veículo que nos leva a mundos brilhantes temos também a Literatura Goiana, que nas suas primícias, no século XVIII, Bartolomeu Antônio Cordovil (pseudônimo de Antônio Lopes da Cruz), nos presenteou com o poema Ditirambo e depois com outros escritos; Luís Antônio da Silva e Sousa, colaborador do Meia-Ponte, Matutina Meyapontense; Luís Maria da Silva Pinto, com o Diccionário da Língua Brasileira; Florêncio Antônio da Fonseca Grostom; Joaquim Teotônio Segurado; Antunes da Frota e o marechal Raimundo José da Cunha Matos, também ficaram muito conhecidos pelas suas crônicas.

No século XIX, a Literatura Goiana começava a ser assediada pelo Romantismo que estava em alta nas poesias europeias e nas de outros cantos do Brasil. Na segunda metade do século XIX e início do século XX, Acrísio Gama, Antero Pinto, Félix de Bulhões, Joaquim Bonifácio de Siqueira, entre outros, destacaram-se principalmente pelas suas poesias reverenciando o cerrado e pelo amor à natureza.

Belíssimos escritores como Hugo de Carvalho Ramos, Pedro Gomes, Gercino Monteiro, Ribeiro da Silva e Derval de Castro marcam a prosa realista na Literatura Goiana.

Ainda no século XIX, com o advento do Parnasianismo e do Simbolismo no Brasil, a Literatura Goiana se expande ainda mais com livros de Érico Curado, Hugo de Carvalho Ramos, Vasco dos Reis, Vítor de Carvalho Ramos, Leo Lynce (Cyllenêo de Araújo) e José Lopes Rodrigues.
No início do século seguinte já começa a aparecer os primeiros contistas goianos como  Matias da Gama e Silva, Zeferino de Abreu, Cora Coralina, Gastão de Deus Vítor Rodrigues.

Ontem, livro de versos, de Leo Lynce abre a porta para o Modernismo em Goiás. Logo, vieram João Accióli, José Godoy Garcia, Bernardo Élis, José Décio Filho, Cora Coralina e Demóstenes Cristino.

Na tangente da prosa regionalista goiana são os textos de Bernardo Élis, de Regina Lacerda e de Antônio Geraldo Ramos Jubé que, a princípio, enaltece a Literatura Goiana, sendo Ermos e Gerais e O Tronco, ambos de autoria de Bernardo Élis, as obras mais importantes da prosa regionalista.
Tropas e Boiadas (1917), contos de Hugo de Carvalho Ramos; Ontem (1928), poesia de Leo Lynce; Veranico de Janeiro (1966), contos de Bernardo Élis; Pium, (1949) romance de Eli Brasiliense; Íntima Parábola (1960), poesia de Afonso Félix de Sousa; Jurubatuba (1972), romance de Carmo Bernardes; Via Viagem (1970), romance de Carlos Fernandes Magalhães; Alquimia dos Nós (1979), poesia de Yêda Schmaltz; Rio do Sono (1948), poesia de José Godoy Garcia; Nos Ombros do Cão (1991), romance de Miguel Jorge; A Raiz da Fala (1972), poesia de Gilberto Mendonça Teles; Joana e os Três Pecados (1983), contos de Maria Helena Chein; Aquele Mundo de Vasabarros (1982), romance de José J. Veiga; Poemas dos becos de Goiás e estórias mais (1965), poesia de Cora Coralina; Relações (1981), romance de Heleno Godoy e Elos da Mesma Corrente (1959), romance de Rosarita Fleury são apenas algumas obras-primas, pois se fôssemos citar toda a arte literária goiana, desde seu florescer aos dias atuais, o leitor teria que se programar para passar muito tempo lendo, ouvindo ou vendo o que Goiás guarda no seu baú literário que a cada dia é remontado com novas belezas criadas pela Literatura Goiana.

Parte da falta de expansão e amadurecimento da Literatura Goiana se deve ao fato do gosto pela arte de literar ter sido despertado tardiamente, em relação ao cenário nacional. Outro motivo foi causado pelo isolamento geográfico do Estado, mas claro que temos nomes de grande destaque no cenário Nacional como a saudosíssima Cora Coralina, Hugo de Carvalho Ramos, Bernardo Élis, José J. Veiga e Gilberto Mendonça Teles. 

Na atualidade, a Literatura que vem sendo desenvolvida em Goiás  também possui sua linha artistica. Admito que a Literatura Goiana é um campo mágico a ser explorado ainda, uma cartola à espera do mágico lhe enfiar a mão. Lógico, verdade seja dita, ainda não conseguiu se equiparar a outras literaturas feitas em outros Estados, como a Literatura Baiana, feita por Jorge Amado, Castro Alves, Dias Gomes etc., etc.,  mas está engatinhando e conquistando maior espaço.

Creio que a função que a Literatura Goiana vem cumprindo vai muito mais além do que simplesmente fazer graça. Aliás, entre outras funções da Literatura Goiana, graça é o que não lhe falta. Está perdendo uma grande chance de se maravilhar com belas risadas quem ainda não leu Causos, de Humberto Milhomem, Mexidos e Remexidos, de Lêda Selma ou quem ainda não se deliciou com As netas do Barão, romance de época de Sandra Rosa. Todas elas são obras-primas que, como outras que ainda teremos a oportunidade de ler, estão inseridas na quarta Coleção Goiania em Prosa e Verso lançada recentemente pela Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Muitos leitores quando vêem Humberto Milhomem, Heleno Godoy, Miguel Jorge, Eurico Barbosa, Sandra Rosa, Lêda Selma, Aidenor Aires, Leidianne Alves, Cida Almeida, Márcia De Conti e tantos outros autores goianos fazendo parte de uma coleção como essa, colocam em cheque, ao ponto de fazer cair por terra qualquer comentário avesso à função que cumpre esse projeto tão ousado de realizar o maior lançamento de livros já visto antes. Certificam de que a história da Literatura Goiana realmente precisa continuar, de modo que na próxima edição da coleção o número seja bem maior.

Assim como a Literatura Goiana vem se mostrando para o mundo, o Diário da Manhã também tem firmemente cumprido sua função jornalística e social: informando, abrindo espaço para todos e divulgando a nossa cultura goiana para o planeta.



Gilson Vasco
Escritor



Aumento do ano letivo


Garantia da permanência na escola?

A página 5, do caderno Opinião Pública, do Diário da Manhã de quinta-feira, 20 de outubro, presenteou nós leitores com a opinião de Rusembergue Barbosa, acerca do “Direito do aluno à permanência na escola”.  Segundo o autor da opinião, foi apresentado na “Câmara Municipal de Goiânia um projeto de lei que visa assegurar a permanência do aluno na escola”.

Concordo plenamente com o parlamentar quando entende que “colide com os postulados constitucionais básicos e, em especial, o direito à educação de qualidade e a proteção da infância e da juventude, os alunos serem encaminhados para suas casas, quando há a falta de professores”.

Muitos, assim como eu, não têm nenhum resquício de dúvida de que a intenção da apresentação do projeto tenha sido uma condição viável. Porém, muita coisa precisa ser ainda pensada para que o direito à permanência na escola seja realmente um direito garantido aos nossos alunos.

Lamentavelmente, muitos dos Direitos Sociais, como Educação, Saúde, Trabalho, Lazer, Segurança e outros, ditos assegurados pela Constituição Federal, muitas vezes, são negados aos cidadãos, motivados pela falta de planejamento, falta de interesse de lideres, descompromissados com o seu real papel perante a sociedade, pela má distribuição dos recursos arrecadados pela União ou mesmo evaporados via corrupção.

Eu também concordo piamente que “compete ao Estado desenvolver medidas efetivas para o cumprimento do dever de garantir a permanência de crianças e adolescentes na escola”, pois é somente através da Educação que se forma uma nação composta por cidadãos conscientes do seu papel social.

Receba a sincera gratidão deste humilde professor, nobre parlamentar, por demonstrar-se preocupado com essa causa, lendo a sua opinião, fez me recordar de uma frase que ouvi de um comentarista, certa vez: “Se cada cidadão brasileiro acompanhasse os fatos políticos, como atentam para os acontecimentos esportivos, a nossa política não teria se transformado nessa anarquia que vivemos hoje”.

Reconheço e respeito a sua ideia de criar mais um projeto de lei, o qual já foi apresentado à Câmara Municipal, porém não se sabe ao certo qual rumo a proposta vai tomar, a seguir. Afinal, não faz tanto tempo que outro parlamentar apresentou uma proposta em outra Casa (e foi aprovada, embora nunca fora cumprida), “obrigando” todas as Agências Bancárias a instalarem sanitários nos seus interiores e, ainda nesta semana, presenciei um senhor, a ponto de fazer suas necessidades fisiológicas (evacuativas) nas roupas, por está adentrado numa agência bancária da Capital, que assim como quase todas as outras parecem ignorar a Lei, talvez por não sofrer nenhum tipo de penalidade.

De nada adiantará o “aumento do ano letivo das escolas”, tampouco a garantia da “permanência do aluno” nela se o direito à educação não for cumprido como manda a Constituição Federal. Não creio que seja plausível a criação de mais emendas, projetos, propostas de Leis se essas tomarem rumos incertos (espero não ser o caso dessa apresentada à Câmara Municipal). Benéfico seria o cumprimento dessas já existentes, antes da elaboração de novas.

Na teoria, a Constituição Federal garante o acesso gratuito e obrigatório à Educação de qualidade, mas o que vemos na prática, em parte, é uma realidade estarrecedora.

Na tangente do direito do acesso gratuito e obrigatório à Educação de boa qualidade, muitas vezes, o Estado é omisso, uma vez que para uma boa formação educacional, Educação e Cultura devem está atrelados um ao outro. Isto, de fato não está acontecendo, pois muitas são as barreiras enfrentadas pelos alunos de sua casa à tentativa da aquisição diária da Educação. Eis algumas: a falta de uma política que assegura o aluno frequentar a unidade escolar mais próxima do seu recinto, evitando os transtornos vividos por ele durante o percurso; a não existência de um transporte gratuito e de qualidade; ausência de dinamismo no processo de aquisição da Educação, isto é, o aluno não tem um incentivo para frequentar outros centros culturais como teatro, cinema, enfim, as diversas manifestações culturais, as quais contribuem para uma melhor formação educacional; a falta de incentivo ao mestre-educador, formador de todas as outras profissões existentes. Este devia, no mínimo, ser bem-instruído, bem-preparado e bem-remunerado.

Não me resta dúvida, é preciso repensar o modelo de Educação que queremos oferecer para nossos alunos. Essa tarefa não compete somente ao Estado, é necessário que a família não deixe a cargo do mestre, a parte que lhe é cabível. Digo isso porque o que temos presenciado nos últimos tempos são pais e responsáveis atribuindo ao professor a tarefa que devia ser aplicada ao aprendiz em casa. Claro que a escola também deve participar dessa formação, mas isso será mais proveitoso se feito com a participação da família.

Contudo, não é somente “a permanência do aluno na escola” que ditará os rumos para uma melhor formação da criança e do adolescente. Finalmente, “a permanência do aluno na escola” a princípio, poderá ser garantida não com o aumento da carga horária, sacrificando mestres e aprendizes, mas priorizando uma Educação de qualidade, aumentando o quadro de funcionários inquestionavelmente capacitados para exercer tal tarefa e melhorando a estrutura física e didática escolar. Verdade que isso não depende de um único parlamentar. É preciso engajar toda a sociedade para essa conquista.


Gilson Vasco
Escritor




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Leis: para onde vai o transporte coletivo goianiense?


Entre outros direitos assegurados pela Constituição Federal, Leis Estaduais, Leis Municipais e Estatutos, os deficientes físicos, idosos, gestantes e adultos acompanhados de crianças de colo têm preferência garantida nos assentos dos ônibus que integram todas as linhas que operam no transporte coletivo de Goiânia. Como demonstração de respeito e garantia ao direito os veículos são dotados de cadeiras reservadas com distintivos próprios ou convencionais. Certo? Errado!

Respeitoso seria se as Leis, meramente postas no papel, passassem à prática, mas o que vemos no dia a dia é totalmente ao contrário daquilo que deveria acontecer realmente. Ao que nos parece, grande parte dos nossos líderes estão mais preocupados em nos mostrar que temos Leis a fazer com que elas depois de promulgadas sejam executadas, cumpridas. Não obstante, equívocos já são cometidos no ato da sua elaboração. Ora, reservar um percentual de assentos, geralmente de cor vermelha ou amarela, sempre diferente da cor das demais poltronas, indicando que aqueles assentos estão reservados às determinadas classes, não seria o mesmo que isentar os usuários dos demais assentos da obrigação de se retirar dali e ceder aquele lugar para um idoso que, por ventura, não mais encontrou um desses espaços reservados vazios, ou independentemente da situação? Categoricamente sim.

Não culpemos somente aqueles que não estão preocupados com o devido cumprimento das Leis, embora isso também seja uma falta de respeito com os portadores de necessidades especiais. Não necessita ser um assíduo usuário do transporte coletivo goianiense para testemunhar a grande falta de respeito por parte da massa goianiense para com os nossos idosos, gestantes e demais usuários especiais. Basta se aventurar uma única vez numa dessas viagens coletivas para presenciar a rotineira falta de humanismo dos usuários para com seus semelhantes. Desde a ignorância de ocupar os locais reservados, mesmo com a presença de seus legítimos usuários ao lado, em pé, cansados; a incultura de preferir simular um sono, a ceder o local a alguém mais necessitado do assento, naquele momento; os ecoantes gritos e conversas desnecessárias, mais para piadinhas de seres demonstrativamente incultos, os hits enjoativos de celulares e de micro-caixas acústicas, porém com sons altíssimos, sem sequer fazer uso do fone de ouvido, como quem alugasse os ouvidos dos demais passageiros; o esfrega-esfrega, às vezes, obrigatórios (já que os veículos do transporte coletivo goianiense se assemelham a latas de sardinhas, onde pouco pode movimentar-se), outrora intencional dos usuários (o chamado tirar uma casquinha); a caoticidade do trânsito e outros contribuintes para o aumento do stress da massa trabalhadora, estudantil e de todos aqueles que são obrigados a se servirem desse meio de transporte animalesco.

A conclusão que se tira de tudo isso é que ambas as partes demonstram um alto grau de incompetência, incultura e desrespeito. Quem faz as Leis, simplesmente as fazem; aquele que devia zelar pelo cumprimento legal finge não vê o caos; o empresário está mais preocupado em faturar a doar e, finalmente, a massa usuária ignora o senso de humildade e cavalheirismo. O resultado é a continuação doentia de uma sociedade que, a passos retrógrados, caminha para lugar nenhum em busca do nada. Nessa nave do descaso, o coitado da tripulação é o portador de necessidades especiais que além de ficar tímido na hora de poder fazer valer seus direitos, acaba sendo alvo de chacotas de marmanjos que estão sempre prontos para tirar uma com a cara do ser especial, como expressões do tipo: “Você já sentou demais, agora é minha vez.”; “Enche a barriga e agora quer ter preferência.”; “Quem disse que eu tenho culpa de você ter nascido assim?”.

A que ponto chegamos, hein?! Para onde vamos?!

  
Gilson Vasco 
escritor

O cego e o burro



Era quase seis da manhã quando o urro ecoante do jumento despertou-me do sono. Não era a primeira vez, tampouco seria a última. Depois que passei a morar naquele novo recinto, o burro da chácara do vizinho virara o meu despertador.

Ainda muito sonolento alcancei a parada do ônibus. Menos de uma hora depois eu já estava no centro da cidade. Confundia-se com um formigueiro. Eu nada mais era que uma simples formiguinha prestes a atravessar a larga avenida. Logo, o farol abriu permitindo a minha passagem e de mais um turbilhão de pessoas.

— Por que ele não veio? — perguntei para mim mesmo, olhando para trás.

A ponta da bengala tocava no asfalto de modo repetitivo. Voltei, agarrei em seu braço e começa­mos a atravessar a pista pela faixa de pedestre, es­premidos pelos mais apressados.

— Eu sempre falo que o mundo ainda não está perdido?

— Quem? — perguntei.

— Como assim, quem? — olhou para mim e franziu a testa.

— Aproximei minha boca do ouvido esquerdo dele e repeti:

— Quem não está perdido?

— Não estou entendendo... — disse.

Aproximei ainda mais e gritei:

— Perguntei quem o senhor disse que ainda não está perdido.

— Continuo não lhe entendendo. O que está querendo fazer?

— Fazer? — retruquei em tom gritante.

Para não ter dúvida da compreensão, abracei-o calorosamente e perguntei ainda mais alto:

— Fazer?

— Respeite o meu estado! — ordenou num tom agressivo.

— Calma — pedi, compassadamente.

Segurei-o, ainda mais forte, temendo que sua fragilidade o derrubasse em meio à faixa de pedes­tre. Preguei meus lábios na orelha dele e gritei mudando de assunto:

— Deve ser o barulho?

— Creio que sim? — concordou.

Quando o semáforo ameaçava a abrir estávamos quase finalizando a travessia e por questão de segurança avisei-o:

— O barulhão, o senhor não vai poder ouvir, mas preste atenção no sinal. Logo, logo vai abrir.

Nada respondeu-me. Apenas ameaçou acelerar o passo.

— Ainda temos um tempinho — acalmei-o.

Ao atingir a calçada do outro lado da avenida, de supetão ele se soltou de mim e ia se afastando. Cheio de dúvida, olhou em minha cara e perguntou.

— Há quanto tempo foi atingido?

— Atingido? — interroguei-o, sem nada entender.

— Pela surdez — disse naturalmente.

— Surdez? — gritei para ter certeza de que ele me ouviria e continuei:

— Não, meu senhor, eu não sou acometido de surdez.

— Não? — conferiu.

— Não — reafirmei, aproximando ainda mais dos ouvidos dele.

— Escuta-me, por favor... Então por que tem mania de esfregar no outro, perguntar tudo e falar tão alto? — questionou-me.

Não pude segurar a gargalhada, por mais que tentasse. Encostei ainda mais nele, levei minhas mãos junto à boca para direcionar o som aos ouvidos do velho e quase gritando respondi:

— Para o senhor ouvir melhor, ora!

— Eu? Ouvir melhor? — zombou.

— Não é tão surdo? — perguntei com a voz alta.

— Surdo? O moço está enganado. Minha deficiência é visual! Por que acha que demorei tanto para começar a atravessar a faixa? — explicou, à medida que se afastava de mim tocando sua bengala nas pernas dos transeuntes.

Somente depois que passei por burro compreendi que ele era cego e que de surdo o velho não tinha nada.

Gilson Vasco

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Torcedor anônimo


Recentemente recebi uma prazerosa missão de acompanhar um garotinho fanático pelo Goiás Esporte Clube ao estádio de futebol para assistir a uma decisão que para mim era só mais uma partida, mas para ele era, talvez, a principal partida de futebol de sua vida. Dois principais motivos ele teria para assistir ao jogo da final do Goianão 2008: primeiro porque sempre tivera vontade de ir a um estádio e seu pai ainda não havia permitido a sua ida, temendo a violência que, às vezes, assola nessas “arenas”. Segundo porque era o Goiás Esporte Clube, seu time do coração quem estava disputando a final contra o Itumbiara, time do interior do Estado.

Na realidade, o menino não bem um garotinho, e sim, um adolescentezinho, mas como ainda não havia ido a um estádio e naquele dia seus pais não poderiam levá-lo, bem como deixá-lo sem ir, tampouco, encaminhá-lo por qualquer uma pessoa. Diante dessas dificuldades, a pessoa mais indicada fui eu.

O menino visita a casa de minha família desde pequenino, toda a minha família gosta muito dele e como o seu pai estava trabalhando tive de levá-lo ao Estádio Serra Dourada e no fundo eu estava torcendo para levá-lo pela primeira vez a um lugar assim.

Fiquei imaginando a emoção do menino, quantas sensações novas o moleque viveria naquele dia. Pela primeira vez em sua vida iria se juntar aos milhares de torcedores voltados a um só objetivo: prestigiar de perto um jogo do seu time e torcer por mais uma vitória esmeraldina.

Minha tarefa era levá-lo ao estádio em segurança e zelar pela sua integridade, em momento algum prometi torcer pelo seu time, pois na verdade estava sonhando com a vitória da outra equipe. Lógico que inicialmente eu não estava torcendo com o coração, somente com a razão. O adversário já havia conquistado dezenas de títulos estaduais e o meu favorito tentava um titulo inédito, para ser sincero era a primeira vez que conseguira chegar a uma final estadual.

O problema era como fazer para não desapontar o garoto. Por questão de segurança, o estádio fora dividido em duas alas, sendo uma maior para a torcida do time da Capital e outra menor para o visitante. Eu devia ir para a ala do visitante, time para o qual eu estava torcendo. O menino, torcedor do time da casa devia se dirigir para a ala maior, mas como cuidar de alguém que não está perto de você? Resolvi comprar uma camisa com as cores do time do moleque, fui junto com ele para onde estava a grande torcida e de lá, enquanto ele torcia pelo seu time do coração, eu vibrava disfarçadamente pela outra equipe. Da boca para fora eu gritava com a voz verde o nome do time dele e o meu ego tricolor vibrava cada vez que o time visitante aproximava do gol adversário...

Gilson Vasco

Escritor

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Solidão


Sozinho em meu tristonho quarto, sem ninguém para ouvir os meus imensos sentimentos a tristeza é cruel, forte e luta para me dominar. Castigado pela maldosa solidão, não suporto, tenho que me entregar e, sem perceber, me pego apensar... Inseguro, sem proteção, prisioneiro do medo e da desilusão, só me resta chorar. E choro um triste pranto de lamento, pensando nos momentos que o destino me obriga a passar. Nesse triste momento me concentro a pensar em alguém que nunca esteve presente para ouvir o que eu tinha a lhe falar. Ao refletir, recebo a certeza de que não existe ninguém para me consolar.

A solidão continua me ferindo por dentro, num triste lamento, só me convém perguntar: será que sou tão ruim que ninguém gosta de mim? Existe outro alguém tão triste assim? Será?

Carente de amor, gritos estrondam num ritmo de clamor chamando por alguém que não me dar valor. Sozinho entre quatro paredes sou presenteado: Vem um desejo de encontrar outro alguém, mas tenho medo de ser ferido novamente; gostar de alguém que não gosta de mim. Desiste e tento sorrir para enganar o meu coração e, sem perceber, sou pego de surpresa pela tortura tristeza envida pela solidão! Nesse momento o meu sol que começara a brilhar, com raios de amor, é invadido pela escuridão. Olho para o mundo e não vejo nada, ninguém. Nem mesmo o meu verdadeiro amigo estar comigo para me orientar. Castigado pelas lembranças que bailam em meu coração, guiado pela solidão, na escuridão saio a caminhar querendo me libertar para não sentir o meu coração chorar.

Nas estranhas ruas do meu entardecer nada me alegra, olho para o infinito céu e vejo que até mesmo as estrelas estão carentes de amor. Então, saio perambulando pelas florestas das minhas descobertas a observar as folhas secas da imaginação que caem no chão da amargura ao sentir o vento triste soprar, inexistentes pássaros cantam hinos de louvores ao perceber o ressoar da natureza no alvorecer e a brisa fria suaviza o meu rosto aumentando o desejo de ter alguém para me amar.

Olho novamente para o céu e me percebo vivo ao sentir uma estrela cadente mudar. Essa estrela brilhante me deixou confiante para eu procurar, outro caminho, com um grande intuito de eu encontrar alguém que me der uma chance, que me de carinho e amor, coisas que vivo sempre a sonhar.

Gilson Vasco

Escritor

Fragmentos da Literatura Wanderleense


É mais uma obra do escritor baiano Gilson Vasco, lançada no fim de 2010. Fragmentos da Literatura Wanderleense é, na verdade, um ensaio, uma crítica literária feita para elucidar autores wanderleenses que assim como o próprio autor, estão sempre buscando enaltecer e divulgar a cultura da sua cidade para o mundo.

Essa obra tem como objetivo principal analisar de modo superficial o modelo literário de dois grandes autores wanderleenses: Machado Vieira e Eugênia Sardeiro. Outro intento da obra é fazer mais uma das diversas leituras que se pode fazer diante de um texto, isto é, enumerar algumas imagens expostas nas composições de cunho prosaico ou poético desses dois autores wanderleenses.
Pergunta-se qual o principal objetivo da análise dos textos desses dois autores wanderleenses feita por mim. O questionamento é preciso e evidente, e, mais evidente e necessária ainda é a resposta.

Ora, sabe-se que até meados de 2004, Wanderley ainda não contava com uma Literatura própria, isto é, não havia nenhuma obra de cunho literário produzida por wanderleense, exceto um trabalho textual, ainda sem publicação chamada Árvore Genealógica da Família de Francisco Soares da Silva e Sérgia de Souza Maia e Silva assinada por Adalberto Soares da Silva, natural do povoado de Olhos D’água e Loucuras da solidão, uma poesia de Eugênia Sardeiro.

A partir do ano de 2004, com a publicação do conto infanto-juvenil A fuga para o Bosque Enlevado, de minha autoria, publicado em Goiânia, pela Editora Kelps, a Literatura Wanderleense começou a mostrar para o mundo, através de alguns jornais, revistas e, principalmente, do site Baianada.com criado pelo wanderleense Ailton Teixeira, suas primeiras composições.

Com isso, pode se dizer que A fuga para o Bosque Enlevado veio também para despertar nos wanderleenses o desejo de dizer ao outro, através das palavras escritas, o que sente, ora, pois com a sua publicação aflora ou desperta em muitos conterrâneos o gosto pela escrita. Surgem autores como Diones Machado Vieira (Júnior), que apesar de não ser natural de Wanderley fora criado na cidade e se sente um wanderleense nato, Bruna Eugênia Sardeiro Pereira (Bruninha), o próprio Ailton Teixeira (Boiadeiro), todos assinando um emaranhado de matérias no site Baianada.com e em jornais. Outros autores wanderleenses como Professor Nilton Carlos, João Brito, Marcelo Pereira etc., embora não tendo ainda trabalhos publicados vêm colaborando muito no campo da Literatura Wanderleense.

Mas quem são, afinal, Machado Vieira e Eugênia Sardeiro? Machado Vieira é responsável pela assinatura de inúmeros textos, entre artigos, contos, poesias, crônicas, críticas, sátiras e outras modalidades literárias publicadas pelo site Baianada.com e por outros meios de comunicação. Machado Vieira, apesar de ser naturalmente goiano, possui dupla naturalidade. Diz se sentir como um wanderleense nato. É principalmente através do site Baianada.com que Machado Vieira mostra a sua indignação para com as falcatruas de muitos governantes wanderleenses que costumam agir de má fé. O autor se destaca na luta contra as práticas corruptas de inúmeros políticos brasileiros, denunciando as atrocidades cometidas por estes e atua literariamente e literalmente na defesa da população wanderleense. Wanderley, BA tem cura?! É um dos seus textos mais acessados, lidos e elogiados, publicado pelo site Baianada.com.

Eugênia Sardeiro é responsável pela assinatura de mais de 100 textos, entre notas, artigos, contos, poesias, crônicas, críticas, sátiras e outras modalidades literárias. No ano de 2001, Eugênia Sardeiro obteve a terceira colocação no Concurso de Poesia do V Fest. Cult. (Festival de Cultura) do Estado de Goiás, com a poesia Loucuras da Solidão. No mesmo ano, a mesma poesia, de Eugênia Sardeiro foi classificada entre os dez melhores trabalhos do País, no Concurso Nacional de Poesia, preparado pela Revista Brasília. Ainda nesse ano, Loucuras da Solidão foi publicado pelo Jornal Imprensa Literária, do Rio de Janeiro. Além de atuar na divulgação de textos de divulgação em mídia digital, Eugênia Sardeiro, também é repórter oficial, cronista e colaboradora do site Baianada.com, ao lado de Ailton Teixeira, idealizador da página.

Gilson Vasco

Escritor

Wanderley é campeão!


Se toda vez que se ganhar um título for motivo para comemoração, a sociedade wanderleense pode comemorar. Wanderley ganha mais um título de destaque entre os municípios do oeste baiano. Embora não seja surpresa, posto que o mágico pedaço de chão há muito já vem colecionando títulos de caráter semelhante, mais uma vez o município de Wanderley é campeão!

Às vezes o município wanderleense passa por alguns pequeninos probleminhas como o fato de ainda não ter um destino adequado para o lixo, não contar com políticas voltadas à capacitação profissional dos jovens, não possuir boas estradas para a locomoção, faltar incentivo cultural e motivação para o desenvolvimento geral, entre outros. Mas que mal tem isso, se até água doce o município já oferece?! Tudo bem que com a tão sonhada chegada do mel surgiram alguns quase imperceptíveis probleminhas, como o fato de as ruas wanderleenses se camuflarem por um misto de lama e lixo, por alguns rápidos meses, enquanto esperavam a manutenção nas encanações, dificultando a passagem até mesmo de pedestres! Mas e daí?! Realmente não há o que reclamar, afinal, os transtornos passam e os benefícios ficam. Por falar em ficar, dias depois da comemoração da chegada do líquido açucarado, a comunidade em peso ficou sem água, mas isso não durou nem mesmo quinze dias e o problema logo foi apressadamente e inteligentemente solucionado! Que ficasse mais tempo, quinzenas, meses ou anos, ninguém precisa de água todos os dias mesmo.

Há quem diz que a saúde wanderleense não é das melhores, mas veridicamente o município possui até ambulância para transportar os enfermos! É certo que às vezes o veículo chega até a dá defeito, mas nem por isso o paciente deixa de ser atendido até mesmo depois de peregrinar por hospitais de outras cidades e, melhor ainda, às vezes, é atendido antes mesmo de morrer! Não é mesmo uma sorte? Esses insignificantes probleminhas nada importam. O importante é que o município é campeão, rico, potente, feliz e é um oásis de liberdade. Sim liberdade, o município wanderleense é exemplo de liberdade! Wanderley é uma terra de pessoas livres, ora, prova disso é que desde cedo as crianças já são liberadas para frequentar boates, bares, ingerir bebidas alcoólicas, entre outros, sem hora para voltar para suas casas. Em épocas de disputas futebolísticas, jogo e álcool se confundem numa só animação. É uma verdadeira farra! Em Wanderley, crianças e adolescentes são considerados tão inteligentes pelas autoridades e pelos seus responsáveis que até conduzem veículos automotores pela cidade e zona rural do município, sem precisar de nenhuma habilitação ou equipamento de proteção!

Depois de ser eleito como a terra do milho e do boi, ter sido vangloriado pelo baixo índice de homicídios o município de Wanderley é novamente campeão!

De acordo com o último senso demográfico a população wanderleense reduziu, mas nem isso foi empecilho para que a terra do milho e do boi ganhasse esse título. O município de Wanderley é mesmo recordista. Verdade, nem cidades bem maiores e mais populosas, como por exemplo, a cidade de Barreiras que possui oito vezes mais o número de habitantes do mágico pedaço de chão conseguiram superar o ranking wanderleense.

Constituído unicamente por uma família que não briga o mágico pedaço de chão, a terra do milho e do boi, o município de Wanderley é campeão. Nessa terra ninguém morre de overdose, passa ano sem ter homicídios, visto que a cidade é formada por uma família que vive em festa e em comemoração. Pode comemorar, pois Wanderley é campeão no consumo de bebidas alcoólicas! Haja cerveja, cachaça e todas as modalidades de bebidas alcoólicas para matar a sede dessa população.

Gilson Vasco
Escritor

Política e religião se confundem em Wanderley


É verdade que eu me orgulho de ser um cidadão wanderleense e muito admiro meus conterrâneos, meus irmãos de coração, mas, ao mesmo tempo fico envergonhado quando recebo notícias perspicazes como essa publicada no site da rádio de Wanderley, lógico, a publicação em si, pela rádio é meramente uma prestação de serviço para com a comunidade, bem como a convenção partidária propriamente dita, porém, o conteúdo por si só, o qual afirma que a convenção ocorreu na Casa Paroquial é sem sombra de dúvidas uma total falta de respeito de muitos políticos de Wanderley para com Deus. A própria direção da Igreja Católica de nossa cidade não si dá o respeito quando aceita a concretude de um evento desses no espaço físico integrante à Casa Santa. A Bíblia relata que Jesus expulsou os comerciantes e jogadores da casa de seu pai. Pergunto: O que é a política hoje, senão um jogo e um comércio?

Goiânia hoje é a minha segunda casa, mas é em Wanderley que estão fincadas as minhas raízes. Lamentável é, pois, a decisão de se realizar um ato político-partidário num espaço sagrado. Sabemos que dependemos da Política para tudo: essa ciência nos persegue desde a compra do fósforo às decisões de quem morre ou de quem deve viver, todavia defendo a ideologia de que política e religião devem andar separadas. Lógico que a igreja cumpre papel fundamental no que tange a decisão de orientar os cidadãos quanto ao fato da consciência de se votar. Por outro lado, a época em que a igreja mais cometeu falha foi quando caminhava lado a lado com a política partidária. Ora, existem várias outras políticas com as quais a igreja poderia se preocupar. E digo isso com autonomia, é claro que a minha intenção não é a de ser autoritário, mas como católico que sou tenho aval positivo para opinar.

Queria muito parabenizar o PTB de Wanderley pela abertura de novas ideias, pois dentre outras, é a convenção uma forma de renovação e o bom partido é aquele que está sempre buscando se renovar, porém, no momento, o repudio, pelo ato de se realizar uma convenção na Casa Paroquial, pois ao fazer isso, subentende que a sua intenção nada mais é que pressionar a população a votar no partido que está do lado da religião majoritária em Wanderley que é o Catolicismo. Ressalto ainda, senhores políticos que o voto é livre.

Gilson Vasco

Escritor

Hospitaleira Wanderley


Wanderley, sublime cidade acolhedora, divago em tuas trilhas guarnecidas por recintos, edifícios, paredões e arvoredos adornados de flores e vejo-me vagueando pelo âmago da minha pacata estância harmoniosa.

És mais que uma cidade, és uma flor cedendo o néctar às abelhas, és uma mãe aleitando teus filhos. És tranquila, pacata e serena. És uma ostentação para quem já pisou no teu solo, para quem já descansou no teu colo e um sonho para quem houve o teu resplandecente nome. És tão maravilhosa, aconchegante e acolhedora que nem mesmo em poema te escrevo. És tranquila, confiança, fraternidade e lembrança.

Teus ares, tuas brisas e teus manifestos são perspicazes. Tua luz se transforma num clarão luminoso com raios dourados. Tuas tardes resplandecem horizontes crepusculares. Em ti, invento os momentos, pois teu tempo tem tempo. Teus dias são meigos e sensíveis como as flores de teus jardins. Tuas noites são prateadas pela lua e pelas estrelas. Têm festas e diversões culturais e religiosas para teus habitantes e visitantes alegrarem.

Ó Wanderley, terra de se viver, estou compactado em ti. Quero ir ao teu encalço, te fazer de cais para em teu porto me atracar. Quero anunciar para o mundo, num prelúdio, que sou filho de ti. Ó magnífica cidade, terra de alegria, berço das mulheres belas e encantadoras. Chão dos homens esforçados e crianças livres. Ó irresistível Wanderley, tua generosidade não é utopia e uma coisa eu queria: descrever-te em poesia.

Ó Wanderley, terra do milho e do boi, assim foi, é e sempre será. Meu esplendor, terra, céu, brisa e sertão. Tem teus defeitos, pois somente Deus é perfeito. Dar-se um jeito, minha cidade és tu. Esta poesia é um hino em teu preito que saiu do meu peito para te elogiar. Ó minha Wanderley, trago teu nome enclausurado em meu coração, tua lembrança não sai da minha mente e teus filhos os tenho como meus irmãos.

Gilson Vasco

Escritor