Bem-vindo (a)

Para quem acredita na existência de Deus, há sempre uma luz radiante, ainda que a vida pareça mergulhada em profunda escuridão. Chega um momento que precisamos nos libertar dos grilhões, das amarras e correntes que nos enclausuram num pequeno mundo, sairmos da nossa caverna e irmos de encontro à luz.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma deusa chamada mulher


Se não fosse a mulher tudo era triste, vazio, nada tinha graça. Sem a existência dessa deusa, o mundo não seria essa maravilha que é, a vida não seria tão imensamente gloriosa, o sol, a lua e as estrelas não brilhariam com tanta nitidez, o amor não seria tão esplendoroso, tudo era pálido, o pôr do sol não seria tão admirado, o crepúsculo não teria a força de despertar nos apreciadores, energia de admiração, e o tempo era longo e monótono.

Sem esse monumento feminil, produzida pelas mãos do sagrado divino e inventor de todas as coisas úteis, as rosas, as orquídeas, os cravos, as açucenas, as calceolárias, as camélias, as centáureas, os lírios, os girassóis, as violetas, enfim, nenhuma espécie de flor teria o dote de conquista e o privilégio de sedução existente na beleza, suavidade, harmonia e aroma das flores. Se não existisse esse ser fenomenal não haveria nos homens, realização, nem mesmo existiam sequer as posteridades.

Se não fosse essa musa, não haveria composições poéticas capazes de desabrochar uma lágrima de felicidade dos olhos apaixonados, não haveria inspirações nas poesias para amolecer os corações daqueles que não conhecem o amor, nenhuma música seria bela e suave capaz de despertar sentimentos profundos, nem mesmo a maior concentração de versos românticos harmonizavam as palavras transformando-as em poemas, se não fosse esse encanto de mulher, pois ela é tudo: é alegria, maravilhosa, gloriosa, o brilho esplendoroso, é força, é o preenchimento do vazio, é a inspiradora das poesias, dos poemas, da harmonia das músicas, é uma obra da divindade, responsável pela continuidade da origem humana. Ela é um ser puro de dóceis sentimentos profundos e afetuosos capazes de fazer dissolver os penedos dos corações duros e destinados impiedosamente a cometer atos malignos.

Nada seria benéfico, nada teria formosura e brilho nítido se não existisse neste belo mundo cheio de amor, diversão e plenitude essa deusa chamada mulher.

Gilson Vasco
Escritor

Garotos esquecidos


Somos menores desamparados, crianças sem esperanças, desprevenidos, pés no chão, mendigando uns mendrugos para sobrevivermos nessa escuridade. Somos frágeis e atuamos segundo a apreensão que nos consomem.

Nossa imagem perante sua visão é de bandoleiros, vadios, bárbaros, malignos, malfeitores, desocupados e delinquentes. Talvez, você esteja certo, somos tudo isso e muito mais. Mas não somos culpados, não temos débitos. Somos mal vistos. Somos vítimas da desordem, de um sistema manipulador que transforma o ser humano em objetos inúteis, que arranca a plenitude, o amor, a piedade dos corações e implanta neles a ambição, a ganância, a fúria, transformando os homens em gigantescos inescrupulosos e que faz com que cada um pense somente em si. Somos imolados pelos donos da força e do poder, insuficientes para entender que somos o retrato desta pátria, desta pátria que constitui numerosos famintos, mas que são vítimas do desperdício excessivo.

Somos bons, somos ruins, minúsculos, imperceptíveis, sem destinos, salteadores com razão. Não temos faltas, só queremos a sobrevivência, somos o cúmulo do pudor desta pátria desmemoriada. Somos ladrões e temos que furtar para comer, ter vida e não morrer, sentir as batidas do coração. Garotos esquecidos, sem pátria, garotos de rua, somos pobres e sem recursos, queremos espaço para viver. Somos violentos, a violência foi a única forma que encontramos para clamar-te, para despertar a sua atenção. Somos manchetes dos jornais nesta terra de orgia, não temos como sair da miséria sem a sua ajuda.

Somos protagonistas, principais personagens de uma peça dramática, uma história real, história que você desconhece e finge não enxergar esse espetáculo brutal, rude e insensível, mas ainda é pouco para lhe comover e fazer você perceber que somos estrangeiros no nosso próprio país. Você possui o título e a glória, mas não possui o conhecimento para compreender que somos o futuro desta nação e precisamos de ajuda para desenvolver um amanhã digno, uma nação justa.

Somos minúsculos diante de ti, somos simplesmente migalhas tão somente vulgares, somos a incultura do seu pensamento, somos sem história, sem lembranças, ignorados, flagelados, somos garotos de rua, somos garotos esquecidos e a culpa é somente sua.

Gilson Vasco
Escritor


A violência


Num mundo incerto, onde a violência ultrapassa a piedade, a sociedade sofre e paga um preço muito alto por existir.

Sabe-se que não é de hoje que existe a violência. A violência surgiu desde a época em que Caim, personagem bíblico, matou Abel, e daí em diante, ela só tem aumentado cada vez mais e, o que é pior, com uma enorme explosão constrangedora de casos absurdos. Hoje, porém, o que mais se vê nas manchetes dos jornais é uma gigantesca e lamentável ocorrência violenta que assusta, isola e intimida a sociedade, principalmente, o povo brasileiro.

Quem está no poder, parece não ter o controle de tal situação e para amenizar o caos, supostamente, finge tentar encontrar solução para dar fim aos acontecimentos, mas o que encontra, na verdade, é uma desculpa para tudo. Quando se trata de uma desculpa mais ou menos aceitável, cala a boca da sociedade, do contrário, só se ouve desculpa esfarrapada, absurda, ironia e coisa inaceitável. Só que nesse caso, a verdade, logo, vem à tona e não dá mesmo para se calar. O que o povo tem a fazer é colocar a boca no trombone, como se diz por aí, procurar o seu direito de cidadão, cumpridor dos seus deveres e exigir dos “donos” do poder a criação e desenvolvimento de uma política capaz de dar um basta na onda de violência, porque não requer apenas treinar e equipar a polícia com o que há de mais moderno e sofisticado material bélico, ou mesmo, convocar as forças armadas para ir às ruas tentar maneirar a violência através da força brutal e repressiva. Mais do que isso convêm aos dirigentes deste País castigado, principalmente pela violência, fazer acontecer mais que uma total mudança no Código Penal Brasileiro, acrescentando-no leis mais severas para punir com mais rigor os causadores e praticantes dessa praga chamada violência; criar uma política séria; fazer com que a justiça se una com a própria polícia e vis-à-vis e ambos trabalhar em prol de uma sociedade justa, digna e sem medo. Caso isso não venha a acontecer, brevemente, a situação só tende a piorar, pois criminosos, estupradores, delinquentes, psicopatas, ladrões, manipuladores, corruptos, marginais e toda a classe bandida se misturam com pessoas sérias, equilibradas e civilizadas causando transtorno e equívoco à sociedade, dando, aos poucos, cada um, o direito de julgamento perante ao próximo.

Se continuar dessa forma, a violência vai aumentar cada vez mais, não vai existir auge, a situação cada dia que se passa vai ficar mais caótica, a vida será sempre um risco e, viver ou morrer, vai depender mais da sorte do que da segurança.

Gilson Vasco

Escritor

Massacre no Rio


Massacre do Rio – Parte IIVagas explicações


Depois de acompanhar de modo horrorizado as primeiras informações sobre o caso do massacre do Rio, quando o jovem Wellington Menezes de Oliveira, matou pelo menos 12 crianças a tiros e deixaram outras em estado grave, agora, estarrecido, tenho lido e ouvido inúmeros comentários, muitos dos quais bestiais, acerca do fatídico massacre na manhã de quinta-feira, do dia 07 de abril, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste da Capital carioca.

Inúmeros especialistas das mais diversas áreas do comportamento humano surgem, sejam através de convites, sejam espontâneos, para opinar acerca do brutal episódio e o que levou o indivíduo a desenvolver tal conduta. São informações tão diversificadas que acabam confundindo a sociedade. Psicanalistas, psicólogos, psiquiatras e até sociólogos tentam através da Psicologia – e de suas ramificações – e da Sociologia encontrar a raiz do distúrbio (da esquizofrenia, transtorno delirante tipo sensitivo-paranoide de Kretschmer, ou seja qual for a doença mental) contraído pelo assassino.

Diante de tantas tentativas de diversos especialistas das mais diversas áreas da Psicologia tentar explicar a origem das Janelas Killers, as quais supostamente tenham levado o ex-aluno a cometer tamanha atrocidade, nos resta fazer alguns questionamentos. Indagações, aparentemente bem mais fáceis de serem respondidas do que essas que, em minha opinião, ainda não foram evidenciadas. Pois bem, por que toda vez que acontece esse tipo de barbárie, inúmeros profissionais, mundo afora, tentam explicar o fato, cada um à sua maneira, e investimentos não são feitos para resolver ou amenizar a problemática? Qual motivo levou o assassino a não atingir a nenhum dos professores que se encontravam ali no momento do massacre? Já que os estudiosos afirmam que tudo partiu de um trauma de infância, teria sido todos os professores do jovem bonzinho com ele, durante todo o tempo de convivência? Qual o motivo de o assassino poupar os meninos e atentar somente contra as meninas?


Massacre do Rio – Parte II: Ato de heroísmo ou de omissão?


Dias antes do massacre do Rio, a Polícia Militar de várias partes do Brasil, vinha sofrendo uma série de críticas provocadas pelo próprio despreparo de grande parte de agentes da Instituição. Aqui em Goiânia, com a Operação Sexto Mandamento (Não matarás), organizada pela Polícia Federal, com intuito de investigar agentes militares que possivelmente estariam fazendo parte de um grupo de extermínio, cerca de trinta militares, em oito viaturas da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana de Goiás - ROTAM praticou uma ação de tentativa de intimidação contra um jornal de Goiânia, passando em frente ao prédio com as sirenes e luzes das viaturas ligadas. O Governador, numa ação instantânea, afastou o comandante e mandou suspender as atividades da ROTAM, temporariamente. O acontecimento ganhou destaque nacional.

Em Manaus, policiais militares foram acusados de envolvimento na agressão a um menino de 14 anos. O caso aconteceu em agosto de 2010, mas só começou a ser investigado em fevereiro deste ano. Isso porque câmeras de segurança flagraram o momento em que os policiais cercaram o menino que, mesmo indefeso, foi alvejado à queima-roupa por várias vezes, num ato de covardia dos agentes. Seis dos sete policiais militares envolvidos no caso tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, o sétimo está foragido.

Agora chegamos ao xis da questão: o sargento só deu uns tirinhos nas pernas do jovem ou matou o assassino das crianças do Rio? Interessante que o próprio policial, que vem, merecidamente, recebendo condecorações e promoções por ato de braveza, tem demonstrado controvérsias nas suas falas, isto é, primeiro diz ter atirado nas pernas do assassino que, na sequencia se suicidou com um tiro na cabeça, agora vendo uma entrevista dada ao Fantástico, o policial já disse ter acertado o abdômen do atirador e assassino. Inicialmente não estaria o nobre policial temendo uma repressão da sociedade por ter matado um indivíduo? Quem sabe não ouve suicídio e sim um homicídio? Claro que eu não estou tentando defender o assassino e acusar o policial, pois creio que, muitas vezes, uma guerra pode até ser justa, mas nunca a violência contra um ser indefeso poderá ser aceita. Meus questionamentos andam por outros caminhos. O que questiono é o seguinte: não teria o policial realmente dado um tiro certeiro na cabeça do assassino e, temente aos escândalos, os quais parte da Policia Militar tem se envolvido, o policial optou por se precaver omitindo as informações e agora que a sociedade o elegeu como herói está arrependido da suposta omissão? Para a sociedade é completamente admissível quando um policial atinge de modo fatal um bandido. Nessas horas – e em todas as outras – a polícia não precisa omitir. O que a sociedade, inteligentemente, não aceita é ato de covardia cometido por policiais contra inocentes, contra cidadãos de bem. Defendo que, assim como os bravos professores que, ao notar estranheza na escola, cuidaram de bloquear suas salas para proteger as crianças, o policial realmente teve um ato de braveza e é merecedor das condecorações, mas por que ele estaria distorcendo os fatos ao ponto de está perdendo credibilidade?


Massacre do Rio – Parte III (ou Final): A hora da verdade


Sempre que acontece um episódio catastrófico é sempre assim: ganha as principais páginas dos principais jornais, especialistas das mais diversas áreas polemizam o assunto e tentam dar explicações, mas o que a sociedade realmente almeja é a solução para que esses fatos não voltem a se repetir. Realmente é estarrecedora a maneira como as questões dessa natureza são tratadas no Brasil. Veja, por exemplo, o caso dos desastres naturais. As autoridades brasileiras propagavam que isso seria coisa dos outros países e que não aconteceria no Brasil. Quem não se lembra das fortes chuvas que atingiram Pernambuco e Alagoas, no Nordeste e que mataram pelo menos 51 pessoas, deixando cerca de 26 mil desabrigados e mais de 53 mil desalojados. A enxurrada destruiu mais de 11 mil casas, 79 pontes e mais de 2 mil quilômetros de estradas. A devastação nos dois Estados provocou uma comoção nacional, com envolvimento de equipes na busca por sobreviventes e campanhas para arrecadar doações até em dinheiro.

No caso especifico do Rio, como se não bastassem as fortes chuvas na Região Serrana que mataram muita gente e deixaram milhares de pessoas desabrigas precisando de doações de água potável, alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal, agora foi o massacre provocado pelo jovem Wellington Menezes de Oliveira que tirou a vida de inúmeras crianças. As autoridades assistem a tudo isso e nada é feito para a prevenção de futuros casos.

Massacre dessa natureza era visto por nós como coisa de Oriental ou de norte-americano e hoje isso aconteceu embaixo do nosso nariz que sentimos até o cheiro. Para as vítimas atingidas direta ou indiretamente, cheiro de perda, de dor, de desgraça etc., para os que estavam mais distantes, cheiro de horror. E as autoridades brasileiras, quando vão começar os investimentos para amenizar ou coibir as perdas provocadas pelos desastres e pelas desgraças? Vai saber. Como anda a segurança das escolas públicas do Brasil? Será que o atirador realmente invadiu a escola, como propagam por aí ou simplesmente o deixou entrar sem nenhuma revista. A polícia devia agir era nesse sentido e não sair por aí aprontando com cidadãos de bem.
Com o massacre do Rio tenho visto tantos cientificistas buscar explicações, como quem queira resolver todos os problemas através da teoria, está na hora de eles começarem a partir para a prática e se oferecer como voluntários, em suas horas de folga, para ajudar as pessoas que possivelmente corram risco de futuramente vir a apresentar distúrbios mentais, afinal, nada custa umas horinhas de serviço voluntário.


Gilson Vasco

Escritor

Gafes


Concordo plenamente com os linguistas quando eles dizem que quem faz a língua são os falantes e não a gramática, como muitos pensam. Não se pode hostilizar um falante simplesmente pelo fato de ele ao usar vocábulos “gramaticalmente corretos” principalmente se este for desprovido das regras da linguagem culta. Mas indivíduos instruídos devem, além de compreender os vocábulos daqueles menos instruídos, gozar de bons termos linguísticos. Caso isso não seja feito e o intelectual (habituamos a denominar todas as pessoas públicas de intelectuais) pratica uma ação ou profere palavras inconvenientes dizemos que este cometeu uma mancada, deu uma rata ou perpetrou uma gafe.

Fico inquieto e chego até a achar inadmissível quando vejo ou ouço um indivíduo “esclarecido” dizer que alguém está correndo risco de vida, com a intenção de explicar que fulano poderá vir a morrer. Daí ser isso o cúmulo da gafe. Ninguém que está vivo, ainda que em situação crítica, com a saúde comprometida poderá correr risco de vida, corre sim, risco de morte. Para correr risco de vida esse alguém teria que está morto e sujeito à ressurreição. Outro dia, presenciei um cidadão do alto escalão da justiça declarar à imprensa que certo indivíduo tinha sido alvo de uma bala perdida, por está em hora errada em lugar errado! Como pode um ser pós-graduado, um doutor, cometer, duplamente, uma gafe desse nível?!

Primeiro, cidadãos de bem devem, todo o tempo, usufruir de intensa liberdade, se são livres para ir onde quiserem não podem estarem em lugar errado, em momento algum. O indivíduo foi vítima de uma bala porque o elemento que a disparou era quem estava em lugar errado, em hora errada, uma vez que lugar de bandido não é livremente nas ruas ameaçando, prejudicando, colocando em risco a vida de inocentes e transgredindo as leis a toda hora, todavia, lugar de bandido e atrás das grades e não à solta cometendo infrações.

Segundo, dizer que alguém foi alvo de uma bala perdida não é um termo linguisticamente correto para alguém que se diz culto. Quisera eu que todas as balas disparadas contra alguém fossem realmente perdidas e que ninguém jamais as achasse, pois assim nenhum cidadão se feriria com balas. Balas perdidas não causam danos, o que fere são balas achadas involuntariamente, por cidadãos de bem, vítimas de disparos realizados por infratores, pela policia e, muitas vezes, incidentalmente por qualquer um cidadão.

Gilson Vasco
Escritor