Bem-vindo (a)

Para quem acredita na existência de Deus, há sempre uma luz radiante, ainda que a vida pareça mergulhada em profunda escuridão. Chega um momento que precisamos nos libertar dos grilhões, das amarras e correntes que nos enclausuram num pequeno mundo, sairmos da nossa caverna e irmos de encontro à luz.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

História sobre os trilhos - As velhas ferrovias em Goiás - Parte II


Depois de uma breve parada para um pequeno descanso, nossa viagem é retomada com a visita à Estação Ferroviária de Goiânia, onde reconstituiremos mentalmente os trilhos do trem. Primeiramente realizaremos um apanhado geral de como se deu a construção da estação. Imaginemos, pois, acerca do projeto de urbanização de Goiânia. Percebe-se facilmente que a estação se insere no conjunto das construções pertencentes à arte Déco.

Na verdade, as principais construções de Goiânia, bem como em diversas cidades do mundo, possuem caráter visual, isto é, os arquitetos e urbanistas carregam consigo a preocupação espacial-visual. Assim, no caso específico da construção de Goiânia, a cidade foi erguida de modo que, quem estivesse na Praça Cívica, tinha uma ampla visão do espaço da Praça do Cruzeiro, do Mercado Central, da Estação Ferroviária etc. Claro que com a chegada dos inúmeros arranha-céus em Goiânia, o espaço foi perdendo a sua configuração original. A própria Estação Ferroviária já perdeu algumas características do tempo da estrada de ferro para se adaptar às novas necessidades. Daí dizer que ou um patrimônio é totalmente conservado, ou sofre modificações chegando ao desgaste total com o tempo.

A construção da Estação Ferroviária de Goiânia, foi dada por um fundo de interesse político e econômico. Não foi para a época uma obra gigantesca, porém, uma construção de arquitetura ímpar, em relação às demais, no interior. Percebe-se que a intenção real era trazer para Goiânia a administração da ferrovia.

Em um estilo Déco, a torre da estação lembra um arranha-céu parisiense, mas as demais partes configuram o estilo “moderno”.

O término da construção da Estação Ferroviária de Goiânia deu-se em 1950, porém, sua inauguração aconteceu em 11 de novembro de 1952.

Durante mais de vinte anos serviu como estação ferroviária de Goiânia sendo desativada na década de 70. Com a extinção da Estrada de Ferro Goiás, a locomotiva n.º 11, símbolo da estação, mais conhecida como Maria Fumaça, foi colocada como exposição na parte externa da antiga Estação.

O prédio passou por várias reformas; em 1985, por exemplo, foi adaptado para atender as necessidades do Restaurante do Centro de Cultura e Tradições Goianas, hoje extinto. Em 1987, foi criado o Centro Estadual de Artesanato de Goiás, que passou a funcionar desde então, no prédio da estação. A última reforma aconteceu em 1999.

O prédio é tombado pelo Governo do Estado desde 1998. Por volta de 1984 foi noticiado que a Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima - RFFSA e a prefeitura de Goiânia haviam fechado um acordo, em que a prefeitura ficaria com o terreno do pátio ferroviário, de localização central, no qual seria (e realmente foi) construída uma nova estação rodoviária; e em troca a ferrovia receberia um terreno bem maior, fora da cidade, para instalar um pátio maior e mais espaçoso. O pátio, realmente, foi transferido para a estação de Senador Canedo, a cerca de 20 km da cidade de Goiânia. Trens de passageiros não chegam ao prédio desde os anos 1980.

Depois de uma criteriosa observação na parte frontal, dirigiremos para os fundos da Estação Ferroviária numa tentativa de reconstruir mentalmente os caminhos por onde antes passavam os trilhos. Interessante que o desembarque e embarque eram feitos pelos fundos! Isso mesmo, pelos fundos! Claro que já não poderemos ver mais a linha férrea, uma vez que as sucessivas restaurações sofridas pela Estação Ferroviária obrigaram a retirada daquele e de outros trechos, já que aquele espaço foi adaptado para servir a outras atividades, como ensaio de bandas, desfiles e realização de feiras-livres. Verdade é que os trilhos que vinham das imediações do Parque Agropecuário de Goiânia passavam pelos fundos da Estação Ferroviária, seguiam por onde se encontra a atual Câmara dos Vereadores, seguiam por onde existia a chamada Força Pública (Policia Militar), onde hoje se encontra o Hipermercado Walt Mart (este construindo já entre 2006 e 2007, também com pequenas características da Arte Déco, em memória do extinto prédio da Força Pública) e seguia para Campinas, onde findava a linha férrea. 

Se adentrarmos à Estação Ferroviária de Goiânia, perceberemos o busto em bronze do arquiteto e urbanista Attílio Corrêa Lima, responsável pelo projeto da construção de Goiânia. No alto do saguão, praticamente no cume das duas paredes da construção notaremos também dois gigantescos quadros pintados exclusivamente para ocupar aqueles lugares. Um de fronte para o outro. Um dos painéis gigantes contrasta com o outro. O edifício possui na área interna principal, murais de frei Nazareno Confaloni, introdutor do modernismo em Goiás, pintados em 1953. O espaço interno, dando a impressão de grandioso, assemelha o saguão de um grande prédio, nos levando ao entendimento de que o intento do seu idealizador foi realmente demonstrar grandeza e poder.

Em 2010, quando tivemos a chance de fazer uma visita detalhada ao prédio, o edifício abrigava a cooperativa dos artesões de Goiás e a Banda Marcial da Prefeitura de Goiânia (Projeto Musicalidade). Porém, em 2012, quando novamente estivemos de passagem pelo local, notamos que o abandono ameaçava o prédio, marco da arquitetura e da história de Goiânia. Atualmente, a antiga Estação Ferroviária, na Praça do Trabalhador, está degradada pela ação do tempo, umidade e descaso com o patrimônio público. Sabe-se que a Secretaria de Cultura quer transformar em museu o prédio da antiga estação. Mas, não há prazo para a obra sair do papel.

Do lado de fora da Estação Ferroviária, há a locomotiva, a conhecida Maria Fumaça, fabricada em 1910, pelos alemães, exposta ali há muito tempo e restaurada há cerca de uma década, em Minas Gerais.


Faremos mais uma pequena parada e continuaremos com a nossa viagem sobre os trilhos das velhas ferrovias em nosso próximo artigo quando visitaremos a estação ferroviária da cidade de Leopoldo de Bulhões.

Gilson Vasco
Outros locais de publicação:


Diário da Manhã 

História sobre os trilhos - As velhas ferrovias em Goiás - Parte I


Sempre tive um sonho de pesquisar, escrever e publicar algo sobre o apagamento da modernidade, voltado para as velhas ferrovias e visando adquiri e transmiti um maior entendimento e conhecimento na tangente da constituinte, manutenção e esquecimento das estradas de ferro de Goiás. Fui induzido pela minha curiosidade tamanha a percorrer um pouco da história da criação e manutenção de alguns trechos da ferrovia goiana. No primeiro momento, a curiosidade ateve-se a levar-me a observar conteúdos escritos e imagens fotográficas e, com a leitura textual e imagética fui aguçado à prática, isto é, resolvi ver de perto e a olho nu o pouco que resta de tudo aquilo que um dia foi um dos principais motores que fazia este Estado mover-se econômico e politicamente. Com gratidão ao Diário da Manhã que sempre se preocupa com a voz do povo, o leitor é o nosso convidado para embarcar nesta nossa viagem de cinco paradas, isto é, contadas em cinco partes.

Durante nossa viagem que se inicia agora, caro leitor, você poderá constatar que já no ano de 1873, Antero Cícero de Assis, então presidente da província de Goiás foi autorizado a construir uma ferrovia que ligasse a capital do império à margem do Rio Vermelho, partindo de uma já existente estrada de ferro chamada Mogiana. Ele não obteve sucesso. Treze anos depois, em 1886, houve uma nova tentativa de dotar a província de um sistema de transportes para escoamento da produção, através de uma concessão à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que poderia ampliar suas linhas do Rio Paranaíba ao Rio Araguaia. Passaram-se mais dez longos anos, após a publicação de decreto para o Triângulo Mineiro ser agraciado com os trilhos da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Foi percebido também que após divergências políticas, estabeleceu-se através de outro decreto que o ponto inicial da estrada de ferro seria na cidade de Araguari, e o final, na cidade de Goiás. Contudo, a criação da estrada de ferro se deu em 3 de março de 1906, tido como uma solução para os produtores, comerciantes e políticos goianos, que precisavam atender às necessidades da economia da região. Assim, chamada primeiramente Estrada de Ferro Alto Tocantins, de capital privado, foi autorizada a explorar o trecho de Catalão a Palmas, com o objetivo de ligar a cidade de Goiás, então capital do Estado, a Cuiabá. Posteriormente, em 28 de março de 1906, através do decreto 5.949, do então presidente Rodrigues Alves, a ferrovia passou a chamar-se Estrada de Ferro Goiás. Porém, somente no dia 27 de maio de 1911, dois anos após o início dos trabalhos no marco zero da ferrovia, os trilhos começaram a ser instalados no Estado de Goiás. Em janeiro de 1920, o governo assumiu a administração da Estrada de Ferro Goiás, que através do decreto nº. 13. 936 foi autorizada a explorar o transporte ferroviário na região do Triângulo Mineiro e em Goiás. 

A construção da estrada de ferro em solo goiano, ao mesmo tempo em que é o resultado de um grande esforço feito por alguns representantes da classe política e intelectual da região é também propósito para assegurar os interesses do sistema capitalista de produção, uma vez que ela nasce de dentro para fora do Estado.

Pois bem, navegando conteúdo adentro tivemos a oportunidade de conhecer teoricamente um pouco da história das ferrovias do Brasil, em especial do Estado do Goiás. Faremos uma parada momentânea, para um descanso, mas não contentemos somente com isso, pois no próximo artigo visualizaremos algumas das trinta estações que servia (e muitas continuam servindo) a Estrada de Ferro de Goiás. Até lá.


Gilson Vasco

II Mostra Científica e Cultural



Colégios Aécio Oliveira de Andrade, Damiana da Cunha e Castro Alves

Mostra Científica e Cultural pode ser definida como uma iniciativa com fins voltados à estimulação e à divulgação da produção de trabalhos científicos, culturais, inovações tecnológicas e metodológicas com poder capaz de contribuir significativamente para o desenvolvimento de uma ou várias áreas do conhecimento por meio da realização de eventos denominados Feiras de Ciências ou Mostras Científicas, nas quais agrupam participantes que trazem, mostram e explanam seus trabalhos pessoalmente utilizando recursos diversos como imagem, vídeo, som, desenhos, textos etc. para ilustrar a apresentação ao público presente. Pode também ser definida como um espaço para exposição, apresentação e discussão de trabalhos e projetos técnico-científicos elaborados por alunos e servidores das escolas de Ensino Fundamental e Médio das redes municipal, estadual e particular.

Nessa linha das escolas públicas destaca-se no ano em curso, precisamente no último dia 4 de novembro, no Estacionamento Marron, do Shopping Passeio das Águas, região norte da Capital, a II Mostra Científica e Cultural dos colégios estaduais Aécio Oliveira de Andrade, Damiana da Cunha e Castro Alves.

O evento foi promovido pelos professores das escolas para os alunos dos três turnos das diversas modalidades de ensino. De professores de ensino público para alunos de ensino público de forma gratuita! Esses professores conseguiram montar 48 barracas com experimentos que variavam desde bobina de Tesla a simulador de voo, além de muitos outros experimentos. Foram mais de mil e quinhentos alunos envolvidos na mostra. Um espaço para palestras, com temas diversos, e um palco para as apresentações culturais, tais como música, dança, Kung fu foram montados, além de um planetário inflável e mais, muito mais...

O público adorou, pois todos estão ávidos pelo conhecimento formal, informal, não formal.
Esses professores provaram que sempre é possível fazer Mais. Mostraram que não devemos desistir do caminho da formação de professores. O que foi realizado ali é digno de louvor. Vocês não arrumam desculpas e não desistem de fazer o que deve ser feito mesmo sendo atacados diariamente em suas profissões.

Alunos, professores e público presente sintam-se aplaudidos pelo espetáculo. Parabéns a todos os envolvidos e obrigado ao Shopping Passeio das Águas pelo espaço.

Gilson Vasco

Escritor

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Enem - dicas de redação


É bem provável que neste ano, mais do que nunca, um número maior de universidades utilize a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), como forma de ingresso no curso.

Sabe-se que através do Enem é possível utilizar a nota em diversos programas educacionais do governo ou universidades particulares, onde as instituições de ensino fazem uma seleção com os alunos que tiveram as notas maiores no exame.  

Para não ficar para trás, os candidatos precisam se esforçar muito, principalmente na redação. Verdade que pesquisas comprovam que as disciplinas exatas como matemática, física e química são as disciplinas que os candidatos vêm demonstrando maiores dificuldades e tendo as menores notas, mas a redação também pesa muito na hora de conquistar uma vaga numa faculdade. Muitos candidatos já tiveram sua redação zerada no Enem por questões muitos simples.  Daí algumas dicas:

Quem pretende fazer a prova e se sair bem na redação precisa entender que a redação do Enem possui uma estrutura dissertativa – argumentativa dentro de um texto coerente e conciso de no máximo de 30 linhas.

Diferentemente de muitos, penso não ser viável a preocupação com a questão temática da redação, o interessante é saber que os temas da redação são sempre atuais, que estão sendo comentados e que são relevantes para a sociedade brasileira ou raramente mundial, dessa forma, talvez, seja mais proveitoso o candidato usar um pouco do seu tempo para se ligar nas questões atuais mostradas nos jornais escritos, televisivos e radiodifundidos que ficar perdendo tempo tentado adivinhar o improvável. O que manda nesse momento é o saber redigir um texto bem elaborado, somado ao conhecimento da atualidade. O restante é ter calma, afinal, você reservou aproximadamente uma hora e meia do tempo da prova para fazer a sua belíssima redação.

Para quem, por algum motivo, ainda sinta dificuldade no ato da realização da redação, não é motivo para se entregar ao desespero, até porque você sabe fazer redação, de modo que, fez redação durante toda a sua vida escolar.

É típico do Enem trazer anexado a proposta de redação dois  textos (não sei se para confundir o candidato ainda mais, ou para servir de apoio). Na verdade, esses pequenos textos, às vezes, um vem até em forma de tirinha. O fato é que não poderemos fugir dos tais textos, melhor encará-los e pronto.

É simples. Não, não é simples não. Mas lembre-se que o tema foi proposto pelo Enem e que você jamais poderá fugir daquela proposta. Lembre-se também da esquematização de uma redação. Ela possui três partes: início, meio e fim. Sendo o início para introduzir o assunto a ser discorrido (use o primeiro parágrafo para isso), o meio para o desenvolvimento (faça quantos parágrafos achar interessante, mas não exagere, você tem menos de trinta linhas, já que acabou se usar algumas com a introdução), pronto, agora é só finalizar. Use o restante das linhas que restaram da introdução e desenvolvimento para arrematar com chave de ouro a sua redação. Ah, se ainda não colocou o título, aproveite esse momento. Não se esqueça que o título é você quem cria também.

Se tiver muita dificuldade no ato da redação, leia os textos da proposta e esquematize sua redação, listando dez palavras que você julgar interessante e que estejam dentro do tema. Por exemplo supondo que a proposta seja meio ambiente, você faça um rascunho com preservação, desmatamento, aquecimento global, reflorestamento e assim por diante, depois é só desenvolver seu texto a partir do seu esquema.

Depois de tudo você ainda gostaria que este autor chutasse alguns possíveis temas para a redação desse Enem de 2016? Tudo bem, vamos lá:

Corrupção brasileira

É perfeitamente possível cair este tema na redação do Enem, pois além de ser um tema que ainda esquenta a mídia, também foi a notícia de início de toda a polêmica crise brasileira.

Mudança no Ensino Médio no Brasil

Por meio de Medida Provisória, o governo anunciou aumento do número de horas e mudança das disciplinas. Somente algumas delas permanecem obrigatórias. Isso também pode ser um tema a ser discutido na proposta de redação do Enem deste ano.


Descrença na Política partidária no Brasil

Neste ano o cenário político no Brasil sofreu uma revira volta, foi alto o número de abstenção, votos brancos e nulos, No Rio de Janeiro, por exemplo, enquanto o candidato ao cargo de prefeito mais votado conseguiu a marca de 1. 700, 000 (um milhão e setecentos mil) votos, os votos brancos, nulos e abstenções chegaram aos 2. 000. 000 (dois milhões).


Questão da intolerância religiosa

Outra proposta da redação do Enem desse ano poderá ser a problemática intolerância religiosa, como forma abrangente de aniquilar o preconceito religioso. 

Gilson Vasco
Professor


 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Fotografia


Olho para você e me vejo,
Toco em mim e te sinto,
Você sente dor e eu choro,
Não me quer e eu imploro,
Você corre e eu canso,
Tudo que existe neste mundo parece você,
Quando penso, penso em você,
Quando sonho é sua a minha noite,
Se choro, você é a lagrima,
Se bebo, você é a água,
Se caminho, você é a estrada.

Olho para o horizonte, parece contigo,
Te vejo nos meus amigos,
Nos desconhecidos,
Na rua,
Na lua,
E nas estrelas,
Até mesmo o amanhecer parece você
E a tarde crepuscular é lá que você está...
Te sinto em tudo,
Vejo você no infinito...
Te vejo no belo e fico no esquisito,
Você é a fotografia do mundo,
É a razão do meu viver,
Adoro a vida e amo você.

Gilson Vasco
Poeta

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Brasil está em guerra!


É uma guerra silenciosa, feito um câncer que, aos poucos, vai destruindo o ser humano, mas que, quando se percebe, já dizimou grande parte da sociedade.


O Brasil está em guerra! Para quem ler somente este título, parece que o País acabou de entrar numa guerra contra outra nação ou pelo menos pensar que é piada deste autor, porém, não é nem uma coisa, nem outra, mas de verdade, o Brasil está em guerra!

É uma guerra silenciosa, feito um câncer que, aos poucos, vai destruindo o ser humano, mas que, quando se percebe, já dizimou grande parte da sociedade. Ninguém está livre dela, nem mesmo a elite que se acha segurada por blindados e homens treinados para defender a vida. De maneira que, vem dia e vai dia, e o que mais se vê nas manchetes dos jornais são crescentes casos de ações violentas, seja por indivíduos civis, seja por agentes da polícia, todos parecem determinados a não engolir sapos, estão prontos para humilhar, destruir, matar, como se todos nós estivéssemos a serviço do demônio.

A violência brasileira conseguiu chegar a um patamar nunca dantes visto, ao ponto de especialistas no assunto garantirem abertamente que, na atualidade, chega a ser dez vezes mais perigoso viver no Brasil do que ter sido soldado americano na Guerra do Vietnã (e se for policial, é ainda mais perigoso),  conflito no Extremo Oriente da Ásia, na região denominada Indochina, iniciado em 1955, logo após a Segunda Guerra Mundial e terminado em 1975, durando cerca de 20 anos, dizimando alto número de soldados americanos durante o combate, (em sua maioria muito jovens) capaz de gerar um profundo sentimento de desilusão, tristeza e revolta na população do Tio Sam, refletindo na opinião pública, que começou a pressionar fortemente o governo americano. A Guerra do Vietnã é considerado o mais duradouro e um dos maiores conflitos da história do século XX.

No caso da guerra brasileira, apesar de não ser necessariamente um conflito civil, trata-se de cidadão contra cidadão, pior ainda,ironicamente, a violência também vem dapolícia. A situação fugiu tanto ao controle que, segundo revelações das pesquisas, o Brasil tem um assassinato a cada nove minutos, 160 por dia, o que equivale a 58 mil mortos por ano na terra do futebol e do carnaval. Isso é mais que a g guerra na Síria, conflito que começou há mais de cinco anos como um levante pacífico contra o presidente Bashar al-Assad, se converteu em um conflito brutal e sangrento que não apenas afeta a população local, mas arrasta potências regionais e internacionais. Tragicamente o número de vidas perdidas no Brasil, motivado pela violência, equivale ao mesmo número de soldados americanos mortos durante a Guerra do Vietnã, que durou vinte anos.

Quem vive num país onde 160 vidas são diariamente aviltadas, isso caso não levemos em consideração outras mortes violentas, seja no trânsito, seja pela falta de assistência pública à saúde, que não deixa de ser uma violência é viver constantemente com medo, é viver numa região conflitante, numa nação em guerra constante.

Verdade, o Brasil é o país que mais se mata no mundo, quer policiais, quer bandidos, quer inocentes. Muitas vezes mata por matar, ao bel prazer sanguinolento e na certeza da impunidade. Mata tanto ao ponto de o número de mortos a cada 4 anos equivaler fatidicamente quantidade igual aos mortos com a bomba de Hiroshima e Nagasaki, daí dizer que o Brasil está em guerra!

Vivemos em guerra, numa sociedade passiva dessa triste realidade, de mãos atadas, refugiada em suas casas e os marginais perambulando e cometendo atrocidades.

Se continuar dessa forma, a violência vai aumentar cada vez mais, não vai existir auge, a situação cada dia que se passa vai ficar mais caótica, a vida será sempre um risco e, viver ou morrer, vai depender mais da sorte do que da segurança.

Gilson Vasco

sábado, 29 de outubro de 2016

Quando se cospe no prato em que come


De todas as espécies existentes e conhecidas neste mundo, na opinião deste humilde colunista, o ser humano, talvez, seja a espécie que mais se subdivide dentro do mesmo grupo tribal,  dito de outro modo, e aí já não é mais texto meu e sim de Samuel Butler, “o Homem é o único animal que pode permanecer, em termos amigáveis, ao lado das vítimas que pretende engolir, antes de engoli-las.” Existem os seres humanos bons, os ruins; os honestos, os falsos; os brincalhões, os mal-humorados e muitos outros, mas de todas as subdivisões, duas são as piores: a dos preguiçosos, porque são oportunistas, covardes, falseadores, egocêntricos, canalhas e aproveitadores; e a dos mal-agradecidos, porque os que se inserem nessa categoria sempre cospe no prato que come e, por muitas vezes, foi naquele prato que o indivíduo saciou sua fome. Nem os mentirosos, nem os mal-agradecidos são capazes de enxergar no outro uma virtude, uma vez que estes não honra nem a si mesmo.

Já presenciei indivíduo dessas duas espécies a se tornar amigo do seu pior inimigo. Não por amolecimento no coração, mas pensando no proveito financeiro que ele poderia tirar da situação. Já presenciei, de maneira vergonhosa, elemento dessasespécies, depois de viver uma vida no pecado, seguir uma doutrina, não por ter se tornado cristão, mas porque ali ganharia o pão, já que a preguiça o condenava a viver através de doações de um e de outro para seu sustento e da família.

Alexander Pope, poeta inglês disse um dia que: “Aquele que diz uma mentira não sabe a tarefa que assumiu, porque está obrigado a inventar vinte vezes mais para sustentar a certeza da primeira.” Daí a necessidade de se policiar todo o tempo para não irmos contra nossos próprios ideais, até porque como já foi dito numa canção: “Quando a verdade chega, a mentira some, tem bom caráter o homem que não se corrompe”.

Falando ainda de espécies multifacetadas, poderíamos classificá-las novamente em duas: uma preocupada apenas com seu próprio umbigo, bolso e bem-estar que chega a ser tão hipócrita ao ponto de se satisfazer com a desgraça do seu semelhante e, para tanto, chega ao ponto de contribuir para isso, de maneira direta; e outra, politizada para defender interesses coletivos ao ponto de dedicar uma vida ao próximo. A primeira espécie habitua a saciar sua fome no prato da segunda e depois cuspir no prato, mas pior que cuspir no prato que comeu é ter que voltar a comer no mesmo prato!

Gilson Vasco
Escritor



Triângulo das Bermudas


Cemitério do Diabo ou pura ficção?

Há muito já circula pela rede mundial de computadores uma avalanche de lendas relacionadas ao Triângulo das Bermudas, mas nada como a mais recente delas que fantasia-se um navio reaparecido recentemente depois de 90 anos desaparecido.

É fato que em 29 de novembro de 1925, um navio da SS Cotopaxi zarpou do porto de Charleston, na Carolina do Sul, em direção a Havana, Cuba. A bordo, diz a história, haviam 32 tripulantes, comandados pelo capitão W. J. Meyer e transportavam, no navio, 2,3 toneladas de carvão. Diz ainda que, dois dias depois da partida, o navio foi dado como desaparecido, de modo que, depois disso, ninguém ouviu noticiar nada durante os 90 anos que se seguiram. Garante a lenda que a Guarda Costeira de Cuba anunciou, em maio de 2015, ter encontrado um navio não identificado à deriva e que tudo indicava se tratar do SS Cotopaxi, que como disse que diz a historia,desapareceu em 1925.

Se na época do desaparecimento, a história serviu para enfatizar ainda mais a bizarra e assustadora lenda do Triângulo das Bermudas, de ser o Cemitério do Diabo, mais recentemente, com o boato de que, em 16 de maio de 2015,a Guarda Costeira cubana tenha avistado um navio, ao longo de Havana, próximo de uma área militar restrita, a imprensa midiática aproveita para enfatizar ainda mais defendendo que,ao interceptá-lo, se depararam com um navio de quase 100 anos, confirmando, então, se tratar realmente do lendário navio desaparecido em 1925.

Mas, afinal, porque esse mistério todo acerca do Triângulo das Bermudas? Ora, o Triângulo das Bermudas é o nome que se dá à região que forma um triângulo, compreendida entre Miami, Porto Rico e a Bermudas, por isso, o nome Triângulo das Bermudas. Porém, o mais chocante de tudo isso é que, ao longo da história, milhares de aviões e navios que ousaram atingir àquela rota desapareceram sem deixar rastro! De modo que, existem várias teorias que tentam, em vão, entender o mistério. Até então, o que se tem de concreto é que até mesmo indivíduos renomados no campo das ciências geográficas e físicas que tentaram desvendar o mistério e altas patentes militares que relataram ter visto objetos voadores não identificados (OVNI), naquela área, perderam sua credibilidade ao ponto de verem suas carreiras literalmente arruinadas, dado o fato de os cientistas não terem provas de nada.

E porque a falsa notícia do reaparecimento do navio, em 16 de maio do ano passado,ganhou tanta repercussão justamente agora?O Triângulo das Bermudas é um local cercado por lendas e teorias sobre mortes, ataques, desaparecimentos de navios, aviões e supostos acontecimentos inexplicáveis, por isso, a notícia ter ganhado tanto destaque em inúmeras páginas como sites, blogs, jornais e revistas. Mas que fique óbvio que, apesar de um emaranhado de pessoas tratarem o ocorrido como se fosse um desaparecimento associado o incidente com as lendas sobre o Triângulo das Bermudas, essa história é falsa,  uma vez que não há nenhuma nota da Guarda Costeira cubana comprovando o achado, bem como, não houve nenhuma confirmação de órgãos oficiais sobre o suposto reaparecimento do navio, isto é, o navio SS Cotopaxi existiu de fato e afundou em 1925, durante uma viagem entre a Carolina do Sul e Havana, prova evidente do naufrágio foi deixada pelo capitão em sua última transmissão de rádio avisando que o navio estava afundando.

Gilson Vasco
Escritor


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Minha primeira briga


Desde pequeno já ouviam as pessoas dizerem que há a primeira vez para tudo. Quando se é pequenino não se tem muita noção do mundo que nos cerca. Mesmo assim, não demorou tanto tempo para a compreensão, afinal, os dias passam muito velozes. Fui aos poucos crescendo... De repente, sem ao menos que alguém percebesse, me vi indo sozinho à escola, cortando os cabelos e, em seguida, fazenda a barba! E o legal disso tudo é que tudo aquilo estava acontecendo comigo pela primeira vez. Até hoje ainda me lembro da primeira vez que briguei. Claro, existem aquelas discussões banais que se resolvem com pouco diálogo. Essas acontecem frequentemente na vida de qualquer um. Mas eu estou falando de socos e pontapés. Era uma tarde estressante, lá pelas quatro horas. Saí de casa em direção a uma caixa de coleta dos correios que ficava numa avenida longa e movimentada para colocar umas cartas. Fui rápido, muito rápido mesmo, pois o carteiro já estava quase passando e eu queria que minhas correspondências viajassem ainda àquele dia. Então, antes de chegar à avenida, quando estava numa rua estreita, avistei umas pessoas sentadas numas cadeiras de balanço, em frente a uma casa, cujos portões estavam escancarados. De repente, um dos moradores daquela residência saiu para a rua a toda velocidade e pulou em mim! Assustado e sem saber o que realmente estava acontecendo, tirei meu corpo de banda, com a intenção involuntária de deslocar o suposto inimigo, o que de fato aconteceu. Mas, em seguida, quando olhei para trás vi ele pronto para atacar, só então percebi que o negócio era para valer, e, que se eu não batesse, apanharia. Aquela velha expressão da minha mãe de que “quando um não quer dois não brigam” caiu por terra. Foi aí que preparei: fechei a minha mão direita, quando ele novamente avançou em mim, dei lhe uma paulada, minha mão, ajudada pela raiva, pegou de cheio em cima da sua orelha que o derrubou! Logo, ele se levantou, e, outra vez, veio em minha direção... Nisso, seu superior tentava lhe conter, mas não sei porque ele insistia em me pegar... Fiquei trêmulo de medo e fui levado pelo impulso a nocauteá-lo. As mulheres que estavam sentadas gritavam sem nada poder fazer. Creio que elas chegaram a apanhar algumas vassouras para me defender ou para me surrar, mas ainda não sei. Tudo aconteceu muito rápido. Dei outro soco na cabeça dele, o suficiente para a sua decisão. Ele se levantou, olhou para meus olhos brilhosos como os dele e saiu... 

Minhas roupas ficaram imundas, mesmo assim segui para a avenida e coloquei as cartas na caixa de coleta dos correios. Por sorte o carteiro ainda não havia passado naquele dia. De volta, encontrei um dos moradores daquela estância, que sorria com disfarce e me perguntou se eu havia sido ferido. Sem nenhuma graça falei à verdade: Não! Chegado em casa contei o fato para a minha família que de início não quis acreditar, até eu que havia sofrido a ação ainda não tinha acreditado, tampouco entendi direito o que foi aquilo, parece ter sido sonho, mas os vestígios em meus vestuários, semblante e no corpo mostravam a verdade. 

Hoje, porém, fico imaginando que eu, talvez, não precisasse ter surrado aquele grandalhão. Mas ele foi treinado para isso. Era um segurança da casa. Quem sabe se eu não lhe tivesse vencido, não estaria aqui contando esse acontecimento. Poderia ter morrido! Mas o que me deixa perplexo mesmo é de saber que a minha primeira briga, e, espero que também seja a última, tenha sido com um cão! 

Gilson Vasco 
Escritor


Ditadura nunca mais! Agora temos um reino encantado!


Iniciada por volta da década de trinta, a ditadura de Vargas durou oito longos anos. Durante esse período ninguém podia criticar o governo, as greves foram proibidas, os sindicatos controlados pelo Estado, a imprensa foi censurada de tal modo que cada redação de jornal tinha um sensor para julgar o que podia ou não ser publicado, o rádio passou a ser utilizado basicamente para a divulgação dos projetos do governo ditatorial. Nesse período, o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Estados Unidos da América e outras nações aliadas. O país vivia uma situação contraditória, pois lutava pela democracia no exterior, combatendo o fascismo, mas vivia sob um regime ditatorial.

Oito anos mais tarde, com a destituição de Vargas, nascia no povo brasileiro um fio de esperança de um futuro mais livre, porém, dezenove anos mais tarde o Brasil sofreria uma maldição pior do que aquela do governo Vargas, ou seja, o regime anterior foi apenas um ensaio para a instauração de uma mancha que parecia não ter fim: a Ditadura Militar, pior do que qualquer outro regime visto ou vivido anteriormente no Brasil. 

Mas entre os anos de 1964 e 1985, período em que o Brasil foi governado pelos militares, fomos vítimas de uma verdadeira falta de democracia, de uma grande supressão dos nossos direitos constitucionais, da censura e da perseguição política. O mundo passava pelo período da Guerra-Fria – conflito ideológico, político e econômico travado entre os Estados Unidos da América, defensores do capitalismo e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, defensora de uma forma de socialismo – e os Estados Unidos da América temiam que o Brasil se voltasse para o lado comunista.

Com isso, caso um governo socialista fosse implantado em algum país, o governo norte-americano o tinha como uma ameaça a seus interesses. Por outro lado, se eventualmente um movimento popular tentasse combater uma ditadura militar apoiada pelos Estados Unidos da América, imediatamente receberia apoio soviético.

Daí em diante, o artigo 59 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que reza que ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante, anteriormente assinada pelo Brasil foi ignorado durante vinte anos pelas autoridades brasileiras. Criou-se dezenas de formas diferentes de tortura, mediante agressão física, pressão psicológica e utilização dos mais variados instrumentos, aplicados aos presos políticos brasileiros, jornalistas e a todos aqueles que, para o Estado, conspiravam contra o golpe.

Com o término da ameaça comunista na América Latina, os norte-americanos sugeriram aos militares golpistas a entregarem o poder aos civis. Ora, como poderia uma nação já domesticada a adquirir os produtos do Tio Sam continuar sob uma tortura infernal?! Era feio aos olhos do mundo. O povo tem mais é que ser livre para comprar, consumir o que quiser à sua maneira, e não ficar alienados a um gosto comum. Elegante é ser diferente.

– People of Brazil, make this country a country of kings and queens!

– Viva! Viva! Mil vezes viva! Agora somos livres!

– Puxa... Logo agora que temos liberdade, não temos muito o que fazer...

            Não importa o que faça, desde que continue consumindo os mais diversificados produtos do Tio Sam, afinal, agora o povo brasileiro é livre e pode jogar futebol, cantar e dançar! Brevemente terá um reino encantado. 

Não demorou, logo, a terra que antes fora dos lusitanos transformou-se num verdadeiro paraíso, digo, num majestoso reino encantado, onde todos passaram a gozar de iguais direitos. É verdade que ainda existia um pouquinho de vestígio do preconceito racial, mas isso nada demoraria a se apagar completamente. Ora, onde já se viu admitir preconceitos ou divisão de classes num País livre?!

Para aniquilar de uma vez por todas com esse tal preconceito pensou-se em criar um rei, mas não poderia ser um rei qualquer, devia ser um rei reverenciado por todos e que fizesse nascer em cada um daqueles que sobrou da ditadura, bem como em sua safra, um enorme desejo de não ficar parado olhando para trás. 

– Copa do Mundo?! Na televisão?!

Ajudado pela televisão, criou-se então não somente um rei para fazer a alegria do povo livre e transformar esse solo brasileiro num território de peladas. Extinguiu-se a fome de tal maneira que matou-se dois coelhos com uma paulada só. Criou-se um rei atleta, jogador e, melhor ainda, por ser meio escurinho, o resquício de preconceito racial que teimava em não se apagar, foi-se extinguido da Nação para sempre. Não é de vibrar, dando um soco no ar, comemorando a alegria? Com isso, todos passaram a se preparar para mais uma disputa futebolística mundial. Quem sabe até mesmo o povo brasileiro novamente seria campeão.

– Não é bom que o homem fique só.

Para aguçar o ânimo dos nossos pequeninos, considerados o futuro do País, quando devia ser o presente, criou-se a rainha dos baixinhos, a qual sempre os amou de tal modo que chega a sofrer quando eventualmente se encontra com um menor abandonado, coisa muito rara nesse chão brasileiro. No ato do casamento entre o rei e a rainha, alegremente o povo cantava e dançava. A coreografia era inovadora: dava um pulo e ia para frente, e como se fosse um peixinho nas águas límpidas dos rios brasileiros voltava para trás e ainda convidada quem estava fora para entrar na dança: quem quiser dançar com a gente, está na hora, venha, não demore mais. E não é que, aos poucos, o povo ia dando o seu alô?!

Nessa genialidade de transformar o Brasil em reino encantado, onde a felicidade e a igualdade foram construídas para todos, cada dia nascia um novo rei. Criou-se também até o rei da música. Bicho, francamente, não são tantas emoções?

Passaram-se pouquíssimos anos, pouco mais de vinte e cinco, para ser mais preciso, e hoje, somos uma só raça, uma só classe, um povo de direitos e deveres iguais! De alta-estima elevada. Bem pudera, ganhamos respeito. Até a polícia, antes ditatorial, nos trata de modo educado nas abordagens! Para que ainda se lembrar da Ditadura se agora o reino encantado é o País do Futebol e do Carnaval, coisas que não matam, não engordam e nem faz mal?

Gilson Vasco
Escritor