Bem-vindo (a)

Para quem acredita na existência de Deus, há sempre uma luz radiante, ainda que a vida pareça mergulhada em profunda escuridão. Chega um momento que precisamos nos libertar dos grilhões, das amarras e correntes que nos enclausuram num pequeno mundo, sairmos da nossa caverna e irmos de encontro à luz.

domingo, 27 de novembro de 2022

História de Wanderley, Minha Cidade

 


Analisar a formação e a história de um município é uma incumbência muito grande, porém de extrema relevância, uma vez que as futuras gerações poderão ter acesso a um material concreto a respeito de sua terra natal e de suas raízes. Nesse sentido, a presente obra tem o intento de abordar o contexto sócio-político-cultural da cidade de Wanderley, no estado da Bahia, desde as primeiras famílias a fixarem residência em terras da região, até as atividades culturais desenvolvidas atualmente.

 Na verdade, o que consta nesta obra é uma tentativa de se obter os pormenores da formação desta cidade, deste “pedacinho de paraíso”, tida por muitos e por seus habitantes como “hospitaleira e pacata”, mas de um povo humilde, trabalhador e, sobretudo, que enseja vencer as armadilhas da vida e progredir, no seu sentido literal. Desse modo, a concretude desta obra de Gilson Vasco simboliza os primeiros passos na busca de sistematizar a vida e a história de um povo, de um lugar propenso a um rápido desenvolvimento, seja pela sua necessidade natural de expansão, seja pela sua situacionalidade geográfica, num futuro próximo estará sujeita a modificação. Divirta-se com esta maravilhosa e emocionante história.

 

Disse a pedagoga Zenilde Santos na apresentação da obra do autor. E realmente História de Wanderley, Minha Cidade é uma obra com um teor muito precioso, pois além de contar a História de um município é também a maior pesquisa realizada pelo autor em termos de obra literária da sua autoria.

A obra conta com quase trezentas páginas de pura História, e, como sabemos, foi apresentada por Zenilde Santos, professora e pedagoga que muito ensinou o autor a escrever.

 

Em Alma de Escritor – Essência do meu Ser, o autor relata que ao escrever História de Wanderley, Minha Cida­de, teve muito cuidado para que todos os pormenores his­tóricos pertencentes ao município wanderleense fossem postos em evidências com o mais alto grau de veracidade. Leu dezenas de obras dessa natureza de outros autores para ter noção do que fazer, ou mesmo do que não fazer em sua obra.

De exemplo dessa preocupação com  a verdade, ele cita o drama nacional de 2003, Narradores de Javé, coproduzido pela França e dirigido pela cineasta Eliane Caffé, que explica bem a cobiça de alguém querer “puxar a brasa para a sua própria sardinha”.

Água - A fonte da vida pode secar?

 


Invés de conto, no ano de 2012, com um pouco mais de experiência literária, o autor resolve publicar um estudo ambiental, um apanhado geral em relação à situação hídrica no Brasil e no mundo. Água – A fonte da vida pode secar?

Água – A fonte da vida pode secar? é uma chamada para a tomada de conscientização na tangente da preservação hídrica e do meio ambiente como um todo. O autor começa a fazer isso já no texto de capa quando diz que: “Além do desperdício, a distribuição desproporcional dos recursos hídricos no planeta, a baixa porcentagem do nível de água potável no globo e as diferenças de consumo entre países e setores econômicos converte o futuro da água às procriações num pivô de intensa preocupação...”.

No ano que foi lançado, a obra Água – A fonte da vida pode secar? também foi vencedora do concurso literário na categoria estudos ambientais, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura de Goiânia, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás e passara a integrar a coleção Goiânia em Prosa e Verso.  

O mistério do riacho Tijucuçu

 

O mistério do riacho Tijucuçu é um conto infanto-juvenil bairrista, “obra intrigante, instigante, e audaciosa. Simbiose perfeita entre a ficção e a vida de um povo. Reflexo dos sonhos, da coragem e do amor do seu autor pelas letras e pela sua terra”, como disse, certa vez Diones Machado, escritor, engenheiro e conterrâneo do autor.

Ou como revelou Bruna Eugênia, autora do romance Entre Linhas...:

 

Conheci Gilson Vasco através de seus trabalhos publicados na coluna de artigos do site baianada.com e ficava admirada com tamanha qualidade de escrita. Li algumas prévias de um trabalho histórico que ele desenvolveu sobre nosso “mágico pedaço de chão”, ouvi falar muito bem de sua obra “A fuga para o bosque enlevado” e tinha certeza que aquele brilhante autor estava só começando. Certa vez recebi seu contato informando que estava fazendo análises em meus textos. Confesso que nesse dia eu consegui detestar esse escritor, afinal, que diabos uma criatura que escrevia tão bem queria com meus trabalhos?! Mas foi com essa bendita crítica (Fragmentos da Literatura Wanderleense) que me tornei uma verdadeira fã dos escritos desse baiano que, desafiou as dificuldades, quebrou barreiras e ultrapassou fronteiras em busca de seus sonhos.

Agora Gilson Vasco nos presenteia com mais uma preciosidade, uma narrativa incrível, um misto de cultura popular com estudos históricos e científicos. Em “O Mistério do riacho Tijucuçu”, esse autor bairrista mostra o amadurecimento de seu trabalho provando que a Literatura é a arte que abarca todas as riquezas dos povos. Nessa obra ele transforma os “causos canabravenses” em uma narrativa de vida real, em que as crendices são explicações para as verdades e mostra ao leitor o que nem os maiores estudos sociológicos têm sido capazes de abordar: as razões das manifestações culturais daquele povo bonito, daquele povo sofrido da terra que sangra alegria.

 

E disseram bem. Disseram porque O mistério do riacho Tijucuçu realmente é isso: a história do menino que desapareceu após ser excomungado pela mãe.

No contexto comum da literatura, conta a lenda que depois de ter sido amaldiçoado e ganhado o caminho do inferno, juntamente com uma vaca, vez por outra, a criatura aparecia de maneira amistosa implorando pelo perdão daquela que o amaldiçoou.

Porém, contadores de causos mais elusivos, da região onde o fato teria supostamente acontecido, garantem que a história é verdadeira e chegam a ornamentar detalhes do mito, temperando com pitadas de superstições para as aparições do garotinho. Atribuem à madrinha os arcabouços rítmicos — rituais — que deveriam ser realizados para que a criança aparecesse.

Outros floreiam ainda mais o fato garantindo ter escutado da própria mãe do garoto e de parentes próximos, a versão da história. Dizem que o garoto só retornaria com a morte da genitora. Relatam que no dia do enterro da mãe do garotinho, toda a cidade interiorana compareceu ao velório para saber se o menino apareceria. Alimentam a crença de que, coincidentemente ou não, nos momentos finais do enterro, aparecera uma enorme cobra no túmulo da falecida! Todos disseram que era o menino amaldiçoado que apareceu para ver a mãe morta, em forma de uma jararaca.

Para o autor wanderleense, que atualmente mora na capital goiana — e, na época das pesquisas para a obra, esteve visitando a cidade para colher as informações com maior precisão —, o sumiço da criança pode ser atribuído a uma forte enxurrada, uma vez que relatos de tradicionais wanderleenses mapeiam fortes chuvas no dia do suposto acontecimento. Desse modo, o garoto pode ter caído e levado pela enxurrada na travessia do riacho.

Por outro lado, Gilson Vasco tem dito em suas palestras e entrevistas:

 

Quando escrevo, escrevo com a alma, deixo falar o coração e dou vazão aos meus sentimentos, sem perder a razão, mas diante de uma obra dessa natureza, cabem apenas os leitores decidirem se os fatos nela contidos são realmente verdadeiros. Entendo que uma obra literária somente pertence ao seu real criador enquanto ela está camuflada em uma gaveta. Depois que a obra é levada ao conhecimento do público, seu criador — antes escritor e agora autor — não mais é dono dela, mas sim, um mero apreciador, isto é, o autor pode ser dono do seu texto somente enquanto o escreve e ainda não o tornou público, depois da sua publicidade ele pertence aos leitores, que lhe atribuem variadas leituras e constroem inúmeras imagens a partir daquela apreciação”.

 

Aliás, em O mistério do riacho Tijucuçu, cada uma das personagens foi milimetricamente pensada pelo autor, em respeito à comunidade, cujos causos fazem parte. “Dona Anazus”, por exemplo, que colaborara com o parto da criança fora mencionada pelos contadores de causos como uma pessoa que montada no lombo de um touro sempre fa­zia o trajeto de sua cidade à outra, na qual possuía uma fazenda. Muitos relatos narrados por contadores de causos ao autor garantem tê-la conhecido e até conversado com ela, que na verdade se chamava Suzana.


Grande parte dos moradores da cidade atribui ao autor um ato de coragem e bravura em trazer à tona — transformando em conto — uma história de tamanha versatilidade.

Em 2011, ano que foi lançado, O mistério do riacho Tijucuçu foi vencedor de um concurso literário na categoria contos, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura de Goiânia, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás e passara a integrar a coleção Goiânia em Prosa e Verso.  Desde então, outras obras do autor também foram premiadas. Gilson Vasco disse que deixou de participar do concurso nos últimos anos porque o regulamento veta a idoneidade na escola da capa, mas não descarta a possibilidade de vez por outra, voltar a participar.


Fragmentos da Literatura Wanderleense

 


Fragmentos da Literatura Wanderleense é uma crítica literária. Basicamente aná­lises críticas em poesias que pontuam a estrutura poética, literária, gramatical, textual e outros recursos estilísticos, de acordo com o conhecimento do autor.

Em 2004, quando Fragmentos da Literatura Wanderleense, fora lançada a a teatróloga Maíra Alves apresentou:

 

É sabido que um dos primeiros modelos de crítica a florescer na imprensa foi a crítica literária, com intuito de analisar de modo crítico livros, romances, poemas e outras modalidades literárias como o conto, a sátira, a crônica etc.. Hoje, na Universidade, principalmente nas Faculdades de Letras, esse modelo é muito explorado tanto por alunos, quanto por críticos da área da Literatura.

Nesta crítica literária o escritor baiano Gilson Vasco procura discorrer acerca da prosa e da poesia de dois grandes autores wanderleenses, colaboradores do site Baianada.com.

Apesar de ser uma análise de forma sucinta, o escritor Gilson Vasco, também wanderleense, busca analisar a estrutura externa, a estrutura interna, a linguagem poética ou prosaica e ainda dará algumas pinceladas sobre a estética, a forma e estilo literário desses dois autores originários de Wanderley, ao mesmo tempo em que tentará contrapor, comparar ou evidenciar características em relação a um texto e outro de mesma autoria, buscando assim, conhecer o perfil autoral desses filhos daquele “mágico pedaço de chão”, como costuma dizer Gilson Vasco.

A fuga para o bosque enlevado

 


A fuga para o Bosque Enlevado conta a história de Bruno e Maico, dois garotos apaixonados pela natureza que se conhe­cem num pequeno bosque nas imediações da cidade onde moram e, se unem, traçam um plano de fuga e partem para uma floresta dada como encan­tada.

Em 2004, quando a editora Kelps lança A fuga para o Bosque Enlevado, a escritora de livros infantis, Sandra Rosa, que na época era a revisora oficial da editora, prefaciou:

 

 A fuga para o Bosque Enlevado nos faz viver uma grande aventura junto com os corajosos perso­nagens Maico e Bruno que depois de uma promessa não cumprida, de seus pais, se enveredam por uma desconhecida floresta, sem se preocuparem com os perigos que ela esconde.

O autor nos leva a questionar nossas atitudes no trato com as crianças e adolescentes. O diálogo é de fundamental importância e é aconselhável que se evite fazer promessas que não poderão ser cum­pridas.

Leia e descubra como os aventureiros consegui­ram escapar das muitas situações que tiveram que enfrentar.

 

A fuga para o Bosque Enlevado foi — e continuará sendo — a realização de um sonho que começa a germinar em mim quando ainda criança, foi crescendo até chegar num período que se fez o parto. É como disse, certa vez, um ami­go e conterrâneo “A pri­meira arte de um artista é para ele como um filho é para um pai”.

Apesar de A fuga para o Bosque Enlevado ter sido escrita durante o primeiro ano do ensino médio, numa época que eu pensava que escrever bem fosse simplesmente encontrar pala­vras difíceis no dicionário, checar seus significados para não cometer atrocidades linguísticas, e ponto, para mim ela merecia ser publicada, de tal modo que se isso não tivesse acontecido antes, hoje eu faria todo esforço para vê-la publicada.

VIDA E OBRA DO AUTOR

 


Gilson Conceição Vasco é filho de Antônio Aurora Vasco e Maria Polina da Conceição Filha. O autor nasceu num pequeno sítio, no dia 29 de dezembro, na cidade de Wanderley, no oeste baiano. Inicialmente mostrava-se indisposto à escrita, até que chegou um dia que percebeu não poder fugir das letras. Aliou-se a elas, passando a escrever crônicas, poesias, sátiras, artigos, contos, peças teatrais...

Em 2004, depois de ter diversas publicações em jornais de grande circulação em Goiás, o autor lança seu primeiro conto: A fuga para o Bosque Enlevado.

Em 2010, graduou-se em Letras Portuguesa, pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

No mesmo ano, lança a obra: Fragmentos da Literatura Wanderleense, uma crítica literária sobre o trabalho literário de dois dos seus conterrâneos.

No segundo semestre de 2011, lança: O mistério do riacho Tijucuçu, obra de entrelaços entre a ficção e a vida de uma sociedade, um conto que rendeu a certeza do amadurecimento do autor.

Em 2012, lança: Água – a fonte da vida pode secar?, um estudo sobre a atual situação hídrica mundo afora.

Em 2017, publica: História de Wanderley, Minha Cidade, livro que registra a História da terra natal do autor.

Em 2018, após trocar de editora, lança: Viagens e Traquinagens de Rocky Taylor, pela Editora Viseu.

Em 2019, apresenta aos seus leitores, Lembranças dos Tempos de Escola, sétimo livro do autor, que relata as peripécias vividas pelo narrador dentro e fora da sala de aula durante os tempos de escola.

Em 2020, o autor lança Estação dos Contos, uma coletânea contendo 16 belos contos, de temática variada e arquitetura digna de um artista talentoso.

Em 2021, Gilson Vasco apresenta ao seu público-leitor A torre, conto que o autor considera sua melhor atuação literária.

Em 2022, Gilson Vasco apresenta ao seu público-leitor Alma de escritor – Essência do meu Ser, obra autobiográfica.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Quarta Revolução Industrial


Já disse em outras publicações que bastou o homem primitivo aprender a dominar o fogo e a utilizar o carvão como fonte de energia para, a partir do século XVIII, revolucionar o mundo através do surgimento de tecnologias. O conhecimento científico desencadeou em um contínuo processo de evolução, contribuindo com a criação de novas tecnologias capaz de revolucionar a indústria. A Inglaterra foi palco da Primeira Revolução Industrial, porém, nada demorou para que outros países ingressassem nesse modelo de produção industrial. A partir de meados do século XIX, a Revolução Industrial embarcou em uma nova etapa intensamente distinta da Primeira Revolução Industrial. Acontecia, então, a Segunda Revolução Industrial, provocada pela crescente necessidade de novas tecnologias e pelo emprego irrestrito da eletricidade, pelo uso do motor e pela invenção do telégrafo. Após a segunda metade do século XX e depois da Segunda Guerra Mundial, o mundo entrou em uma fase de intensos desenvolvimentos na arena tecnológica, fundindo conhecimento científico, tecnologia e produção industrial. Nascia nesse momento a Terceira Revolução Industrial, marcada pela robótica, biotecnologia, genética e globalização.

Atualmente, estamos vivenciando o despontar da Quarta Revolução Industrial que, apesar de juntar os mundos físico, digital e biológico e fazer parecer diferente de todas as outras revoluções industriais anteriormente surgidas, de fato não é e não há nada nela de assustador. O que há, de peculiar, talvez, seja o caráter desafiador, ou seja, o fato desta apresentar avanços, alcances e impactos numa velocidade sem precedentes na história. Mas, ainda assim, a velocidade, a amplitude e a profundidade desta revolução apresentam resquícios das anteriores, basta pensarmos nos feitos da Primeira Revolução Industrial quando a sociedade, a economia e o espaço geográfico se tornaram bem mais complexos. Ora, se no início, o feito tecnológico que mudou o mundo foi a máquina a vapor, a tendência agora são as tecnologias digitais, físicas e biológicas. O que quer dizer que as transformações serão regidas pela engenharia genética, pela robótica, pela nanotecnologia e pela neurotecnologia.

Desta nova Revolução Industrial é interessante saber que nada surge do acaso, isto é, acontece após três processos históricos transformadores. Ora, o primeiro caracterizado pelo compasso entre produção manual à mecanizada; o segundo, assinalado pela eletricidade e manufatura em massa;  e o terceiro marcado pela chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações. Então, o quarto artifício industrial não poderia ser diferente, uma vez que a tecnologia não se permite ser retrógrada, tampouco, caminhar pela inércia. É chegado o momento de automatizar as fábricas com o que há de mais avançado sistema ciberfísico.


Claro que do mesmo modo, ou com efeitos mais drásticos ainda do que aqueles causados pela Terceira Revolução Industrial, a Quarta Revolução Industrial está aumentando a desigualdade na distribuição de renda, desajustes no mercado empregatício e acarretando todo tipo de dilemas de segurança geopolítica. Mas é um processo inevitável pela humanidade. Quem estiver presente neste Planeta só vai restar uma coisa a fazer: acostumar com nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones, impressoras três dês e nunca se surpreender ao chamar um táxi a partir de um celular e ver chegar um carro voador autopilotado.

Gilson Vasco

Revoluções Industriais



Bastou o homem primitivo a aprender a arte de dominar o fogo para iniciar o artifício do polimento de pedras, da fundição dos metais encontrados em forma natural, da produção de utensílios, da confecção de armas para a caça e defesa, da descoberta do carvão e da invenção da roda para começar um processo que hoje chamamos de Revolução Industrial, graças a um de seus grandes feitos: a invenção da máquina a vapor, em meados do século XVIII. Sim, depois da descoberta do fogo, a máquina a vapor transformou e revolucionou o mundo, uma vez que, até então, o principal combustível era o carvão. Com o aperfeiçoamento das máquinas, aplicação de novas técnicas e o surgimento de outros instrumentos, o domínio de novas tecnologias ficava cada vez mais intenso e o estabelecimento de novas formas de produção originou, na Inglaterra e ganhou o mundo, a Primeira Revolução Industrial.

A Primeira Revolução Industrial tornou a sociedade mais complexa, modificou significativamente a economia, transformou o espaço geográfico, deu origem a novas profissões, aumentou a produção de artigos de consumo e, consequentemente, surgiram mais fábricas, novas ferrovias foram estruturadas e povos foram explorados.

Um fator interessante que merece destaque é que no início da Revolução Industrial, as descobertas que impulsionaram o modo de produzir não eram vinculadas aos achados científicos, isto é, abrolhavam da relação direta com o trabalho, entretanto, na segunda fase da Revolução Industrial, os instrumentos mais complexos e as novas matérias-primas, exigiam novas formas de manuseios, requerendo estudos e pesquisas ligados à ciência moderna. Desse modo, terminando o século XIX, o mundo assistia a uma revolução tecnológica resultante da fundição entre ciência e tecnologia, dando origem aos primeiros motores elétricos, iniciando a transmissão de energia elétrica a longas distâncias através de cabos, ao surgimento das primeiras lâmpadas elétricas, ao aperfeiçoamento da comunicação por meio do telefone e do telégrafo sem fio e ao dinamismo ao uso do petróleo como combustível. Diferentemente da produção que era artesanal, nascia nesse contexto a produção de mercadorias padronizadas, feitas em série e em larga escala para o consumo em massa.

 Na Segunda Revolução Industrial, entre meados do século XIX e meados do século XX, além do lançamento ininterrupto de novos produtos, da fabricação de novos instrumentos, do aperfeiçoamento de máquinas (muitas das quais agora operavam pelo comando de computadores), da utilização e aprimoramento de equipamentos de informática e de robôs, múltiplas invenções como o automóvel, o telefone sem fio, o televisor, o rádio, o avião e etc. também passaram a ser produzidos e comercializados.

Podemos dizer que a Terceira Revolução Industrial ou Revolução Tecnocientífica surge no fim da Segunda Guerra Mundial quando a economia internacional começa a sofrer densas alterações e os avanços tecnológicos iniciados sem espanto durante a segunda fase da Primeira Revolução Industrial passaram a atingir ritmos bastante acelerados.


Modernamente, estamos vivenciando o despontar da Quarta Revolução Industrial que, apesar de fundir os mundos físico, digital e biológico e fazer parecer diferente de todas as outras anteriormente surgidas, de fato não é e não há nada nela de assustador. Mas, por apresentar características ímpares, trataremos dela em artigo separado, em ocasião oportuna.

Gilson Vasco

A tecnologia e suas revoluções


Não é nenhum exagero em afirmar que a tecnologia, conjunto de conhecimentos técnicos, acompanha o homem desde os primórdios da humanidade. Se pensarmos, por exemplo, na descoberta e domínio sobre o fogo, na invenção da roda e na fabricação de instrumentos pontiagudos a partir de gravetos ou pedras para a caça e para a própria defesa fica evidente que todos esses instrumentos podem ser considerados frutos tecnológicos, ­à sua época, haja vista que, a partir do momento em que o homem primitivo passa a dominar o fogo, por conseguinte, atinge também o artifício da produção de utensílios e da confecção de armas via fundição de metais descobertos em forma bruta. Verdade é que desde as primícias do ser humano, ainda que num processo inicialmente a passos lentos, o homem vem inventando e aperfeiçoando aparatos sem ao menos perceber que os resultados de suas criações são, de fato, produtos da tecnologia.

Não consigo enxergar por outra ótica, ora, é evidente que a tecnologia que acompanha o homem desde sua criação alcançaria os mais diversos campos, como alimentício, têxteis, habitacional, protetivo, relacional, social, natural, informativo, esportivo, musical, planetário, astronômico, geográfico, histórico, matemático, agrícola, escrita, elétrico, eletrônico, automático e se revolucionaria aperfeiçoando aparatos outrora criados e inventaria novos instrumentos e novas formas para satisfazer o ser. E, assim foi inventada, no século XVIII, a máquina a vapor; no século XIX, os trilhos de ferros; bem como, já no século XX, a descoberta, manejo e utilização da eletricidade, do petróleo, do automóvel e do avião. Nesses mesmos parâmetros terrestres e aéreos tecnológicos surgem e sofre evolução a navegação aquática e subaquática, de modo que, com o domínio das técnicas de manuseio dos metais, ia aos poucos, revolucionando a tecnologia para a transformação da vida em todo o Planeta.

Com o passar dos tempos a tecnologia sofreu tantas revoluções que na atualidade se tornou tão comum e natural falar em globalização, evolução da genética, das comunicações (telefonia fixa e móvel, fibra óptica, internet), da robótica, da nanotecnologia, da inteligência artificial, da imagem teletransportada, etc., de forma que, modernamente, as revoluções tecnológicas vem manifestando na velocidade da luz, dada a eficiência de a própria tecnologia apadrinhar a origem de outras novas tecnologias ainda mais avançadas.


Por fim, a revolução tecnológica, pode também ser ligeiramente conceituada como as descobertas, invenções e criações do homem, capaz de refletir, intensamente nos conhecimentos, na cultura, nos costumes e nos métodos da humanidade e no meio ambiente. 

Gilson Vasco

Chegou a era dos carros voadores!



Cresci ouvindo de parentes próximos que, pelos idos de 1945, ao término da Segunda Guerra Mundial, meu avô materno quase teve sua vida ceifada. Não que ele tivesse participado do conflito. Morava nos confins do mundo, onde os efeitos do combate, talvez, nunca chegassem. Grande fora o medo e ofegante fora a correria ao ter visto pela primeira vez um objeto estranho e barulhento sobrevoando o céu daquele reduto. Para meu avô aquilo era o prenúncio do fim do mundo, para os mais experientes era simplesmente mais um fruto da revolução tecnológica.

Ora, o primeiro voo do primeiro avião, o 14-Bis, aconteceu em Paris, na França em 23 de outubro de 1906, chamando a atenção de todo o mundo, ao saber que o homem podia voar, e menos de cinco anos após o primeiro voo da máquina de Alberto Santos Dumont, inventor brasileiro, a Itália já fazia uso do novo e revolucionário aparato aéreo no transporte e lançamento de bombas de guerra. Hoje, passadas apenas onze décadas, o avião se tornou, para a humanidade, um meio aéreo comum e necessário ao mesmo tempo.

Diante disso, já imaginou quão bom seria a criação de carros voadores para alguém que quisesse ficar livre dos congestionamentos e engarrafamentos provocados pelo excesso de carros nas ruas das  metrópoles? Se depender das fábricas de automóveis a nova tecnologia poderá fazer parte do nosso cotidiano muito em breve!

Ora, o fato é que há muito, a tecnologia vem influenciando quase todas as áreas e atividades desenvolvidas pelo ser humano em qualquer lugar do mundo, até mesmo aquelas mais simples realizadas no dia a dia. Daí, de modo geral, ser a tecnologia um produto da ciência e da engenharia, um conhecimento capaz de transformar o meio e permitir a invenção e produção de objetos fabricados para suprir as necessidades. Assim, um artefato tecnológico surge quando há uma necessidade específica de satisfação ou quando há uma necessidade de resolução de algum problema. ­

Os engarrafamentos é um dentre muitos e, pensando nisso, diversas empresas já trabalham no desenvolvimento de protótipos de carros voadores, os quais, depois de prontos, testados e aprovados passarão a fazer parte do nosso mundo real, inclusive alguns criadores mais ousados planejam testar seu protótipo ainda neste ano! O projeto é tão ousado que a intenção é que os carros voadores sejam autopilotos e que as pessoas reservem o veículo através de um aplicativo, por meio do celular.

Mas, afinal, quais seriam os benefícios e malefícios dessa nova criação? Bem, se a tecnologia, por si só, não pode ser nem boa nem ruim, a utilidade dos seus frutos vai depender de quem os usam e para quais fins, ou seja, se ela pode ser usada para melhorar a produtividade do trabalho humano, reduzir o esforço físico e aumentar a qualidade de vida da população, ou possa causar diferenças sociais, poluir o meio ambiente e causar desemprego.

Todavia, no caso específico dos carros voadores, serão elétricos e vão utilizar as vias aéreas isso vai evitar a poluição e ajudar a reduzir os custos de infraestrutura das cidades, uma vez que, por meio do voo, não é preciso investir tanto em vias terrestres, pontes e viadutos. Já em relação a se os riscos de acidentes e colisões que geram prejuízos, lesões corporais e mortes vão diminuírem, somente vamos saber depois que os aparelhos forem colocados definitivamente em uso.

Gilson Vasco