(Curiosidade sobre manutenção nos trilhos)
Postos no telheiro da Estação
Ferroviária de Leopoldo de Bulhões, enquanto esperávamos a passagem de um
cargueiro que vinha não sabemos de onde, nem para onde ia, a conversa com os
anfitriões esquentava. Soubemos que não seria possível embarcarmos num trem
para percorrer mesmo um pequeno percurso. Disseram que seria impossível
viajarmos, pois necessitaríamos de uma série de equipamentos que estavam no
Estado das Minas Gerais. Mesmo assim, como disse, tivemos a chance de colher
muita informação acerca do assunto. Fomos informados pelo chefe dos
funcionários sobre a necessidade de estar monitorando a temperatura dos
trilhos, pois segundo ele, as temperaturas devem estar entre 15 e 60 graus
Celsius, uma vez acima de 60 graus os trilhos poderão sofrer desgastes causados
pelas altas temperaturas. Caso os termômetros instalados nos trilhos acusem uma
temperatura fora do normal, um sinal de alerta é disparado e todas as
locomotivas que se encontrarem nos trilhos serão obrigadas a parar até que a
temperatura se estabeleça. O sistema é monitorado via satélite e se por ventura
os funcionários desconfiar de algum problema com as locomotivas, a central
poderá parar o transporte por meio do satélite até que uma equipe checa o
ocorrido, seja uma falha técnica, mecânica ou um mal sofrido pelo maquinista,
durante esse intervalo, a estrada fica interditada. Outro ponto cauteloso é o
fato de o local exato do estacionamento da locomotiva, deve ser necessariamente
no espaço indicado, pois um pouco para frente ou para trás significa uma
transgressão do maquinista.
Ainda de acordo com os funcionários, vez
por outra é preciso fazer um processo de alinhamento de carga ali mesmo na
Estação Ferroviária de Leopoldo de Bulhões, isto é, separar a carga por
categorias e isso leva um tempo capaz de atrasar a viagem, o que acarreta em
multas. Por isso, tudo deve ser feito dentro de um prazo conveniente de modo
que a carga esteja no porto na data marcada. Muitas vezes, o trabalho é tão
complexo que os funcionários não sabem do que se trata a mercadoria, pois há um
rigor nos lacres, principalmente motivado pela Receita Federal.
Os funcionários também nos falaram sobre
uma máquina que estava ali no pátio da Estação Ferroviária de Leopoldo de
Bulhões e sobre um contêiner sobre os trilhos, exatamente no perímetro de fazer
manobras.
Sobre a utilidade da máquina disseram ser um equipamento capaz de
detectar possíveis quebraduras nos trilhos antes mesmo da trincadura total e
ela pode também alinhar os trilhos que por ventura venham a sofrer
desalinhamento. A revisão dos trilhos pela máquina é feito de seis em seis
meses e isso acontece em todo o percurso da linha férrea. É uma máquina que
como as locomotivas, andam sempre pelos trilhos. Somente as funções são
diferentes.
Em relação ao vagão, também há uma
curiosidade, trata-se de uma casa ambulante que cumpre a função de transportar
funcionários com maior comodidade pelos trilhos Brasil afora, ou Brasil
adentro. Tentamos matar nossa curiosidade sobre o espaço interno da casa sobre
trilhos, mas fomos informados pelos funcionários de que infelizmente ela estava
trancada, mas não nos informou nas mãos de quem estaria o poder das chaves.
Para não gerar qualquer tipo de constrangimento em ambas as partes, a conversa
sobre a nossa entrada na casa ambulante parou por ali, diferentemente da nossa
inesgotável curiosidade sobre tanta coisa nova. Soubemos que tudo de necessário
que existe numa residência, há também naquela casa sobre trilhos.
Com o consentimento dos funcionários
ainda insistimos em esperar pelo cargueiro que estava previsto para chegar ali
às onze horas, persistimos, mas ele somente passou por ali ao meio dia e alguns
minutos, atraso que cada vez mais aguçava a nossa curiosidade. Satisfeitos,
retornemos à Goiânia.
Gilson Vasco
Outros locais de publicação:
Diário da Manhã

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