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Para quem acredita na existência de Deus, há sempre uma luz radiante, ainda que a vida pareça mergulhada em profunda escuridão. Chega um momento que precisamos nos libertar dos grilhões, das amarras e correntes que nos enclausuram num pequeno mundo, sairmos da nossa caverna e irmos de encontro à luz.

domingo, 20 de novembro de 2016

Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido - Parte (VIII)




No artigo anterior desta série vimos que os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo necessitam de mais atenção também em relação à segurança pública, porém, conforme prometido, na parte VII, abordaremos nesta parte VIII assuntos relacionados à criação, atuação, conquistas e frustrações da Associação dos Moradores da minicidade. E para começarmos já vamos perceber, de cara, que a Associação dos Moradores dos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo carrega consigo uma história peculiar, ora, pois, desde o início do processo para a composição das chapas até a realização das eleições, no dia 25 de abril de 2010, seis meses após os primeiros moradores chegarem para habitar a minicidade, os acontecimentos foram ímpares, isto é, nunca antes, pelo menos que se tivesse conhecimento, houve uma eleição desse porte para a escolha de um presidente de bairro no Brasil.

Os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo, bairros populares criados e entregues pela prefeitura de Goiânia e pela União, contendo 2.378 casas populares, beneficiando uma média de 15 mil pessoas, através do programa A Casa da Gente, foi palco de uma das mais bonitas disputas eleitorais para a criação da Associação dos Moradores. O Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano – (IDTECH) teve papel fundamental em todo o processo, uma vez que era da incumbência do IDTECH organizar o empreendimento habitacional.

De início, foram, segundo o IDETCH, 18 chapas inscritas, reduzidas para 11 e, por fim, restaram 07 chapas para a disputa eleitoral. Foi um processo eleitoral muito transparente, isso graças ao profissionalismo de pessoas que estavam à frente do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (IDTECH), que não mediram esforços em prol do exercício da democracia. À comunidade foi concedido o direito de participar de várias reuniões em pontos estratégicos do bairro para que toda a sociedade tivesse a chance de conhecer os candidatos, bem como suas propostas, já os candidatos tiveram também a oportunidade de debater suas propostas, ao vivo, transmitido pela UCG-TV e DM-TV, um dia anterior às eleições que ocorreram na antiga Escola Municipal Jornalista Jaime Câmara, atual Escola Municipal Joaquim Câmara Filho, com uma participação massiva da comunidade dos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo. Pouco tempo depois de abertas as urnas para a contagem dos votos, toda a comunidade conheceu o primeiro presidente da Associação dos Moradores dos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo, Rosendo Conceição, o qual reforçou com o povo o seu compromisso de campanha: Trabalhar incansavelmente na tentativa de estender a linha do ônibus até ao Terminal Padre Pelágio, lutar pela pavimentação de todas as etapas da minicidade e tentar transformar o Residencial Jardim do Cerrado e Mundo Novo num dos melhores bairros de Goiânia, para se viver.

Assim que assumiu o pleito um dos seus primeiros trabalhos foi fazer uma parceria com representantes da OI, Telefonia Fixa, para a instalação de telefones fixos e públicos (orelhões) que ainda não existia no bairro. Apesar de ter gradualmente conquistado significativos resultados na questão do transporte coletivo ao conseguir estender a linha do ônibus até o Terminal Padre Pelágio, melhorar a frota e reduzir os intervalos, até hoje continua insistindo no aumento da quantidade de ônibus, na redução do intervalo entre um e outro, mas isso contarei detalhadamente em uma parte destina à problemática do transporte coletivo no bairro, porque agora preciso dizer que desde então, Rosendo Conceição tem ido à busca de solucionar muitos problemas: está sempre solicitando das autoridades competentes a realização de aterramentos das erosões, enquanto o tão esperado asfalto não chega; sempre requer patrolamentos das vias esburacadas; cobra constantemente a roçagem completa do matagal que, às vezes, cobre toda a minicidade, oferecendo riscos à população; tem colaborado diretamente com a campanha contra a dengue, vacinação de animais domésticos, aferição de pressão arterial e teste de glicemia; solicitou a construção e o constante reparo de diversos campos de chão batido para os esportistas treinar futebol; etc.

Para reduzir um pouco a monotonia e o sofrimento dos moradores, principalmente das crianças e dos adolescentes, a Associação dos Moradores tem buscado várias parcerias com algumas instituições, a fim de realizar alguns eventos dentro e fora do bairro. Um dos maiores exemplos é a participação da garotada no Circuito Caixa de Maratoninha, mas deixo isso para contar numa outra oportunidade, ainda nesta série de artigos. 

Na nossa próxima etapa da série abordaremos a questão do transporte coletivo que atende a minicidade. Veremos como se deram as lutas e as conquistas para melhorar o transporte coletivo na minicidade. Aguardem!


Gilson Vasco

Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido - Parte (VII)


No artigo anterior desta série vimos que os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo necessitam de mais atenção também em relação à cultura, ao esporte e ao lazer, porém, conforme prometido, nesta parte VII, abordaremos a problemática da violência na qual a minicidade foi sendo inserida e hoje se encontra submergida ao descaso, ao medo, devido também à falta de segurança pública, um dever do Estado, direito assegurado aos cidadãos pela Constituição Cidadã de 1988.

De 2009 até 2012 pode se dizer que a minicidade era em Goiânia um dos bairros mais calmos para se viver. A partir do início de 2013, o bairro convive com altíssimos índices de violência ao ponto de assustar os moradores. Não que nos primeiros anos não tivesse registrado desavenças, mas quase três anos depois de sua inauguração, os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo se sucumbiram à violência intensa.

Mas nada disso veio gratuito. Entender o motivo do crescimento da violência é muito simples. Quando em 12 de fevereiro de 2010 que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou à minicidade para inaugurá-la ele já reclamava da falta de estrutura no conjunto habitacional, dizendo que as moradias precisavam receber nos próximos meses muros e que a minicidade precisava urgentemente de equipamentos esportivos, asfalto e mais escolas. Lembrou que era necessária a realização de um senso para saber quantos jovens do conjunto habitacional estavam na adolescência para que o poder público ficasse sabendo a quantia exata de jovens moradores no local e que esses jovens pudessem ter a oportunidade de fazer cursos oferecidos pelo governo. Ele mesmo taxou os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo que eu chamo de minicidade de “cidade nova”, e disse que a cidade nova necessitava de estudo, lazer e cultura para que, em hipótese alguma, o poder público abandonasse a minicidade, pois, segundo o presidente ainda, caso isso viesse a acontecer, os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo correriam o risco de virar uma favela, num intervalo de menos de dez anos, a contar daquela data.

Reclamando da falta de áreas esportivas na minicidade, o presidente ainda alertou dizendo que o governo federal tem que junto com os governos estadual e municipal construir quadras de futebol e de basquete para a meninada, uma vez que se não ocupar o tempo das crianças e adolescentes com coisas saudáveis, como o esporte eles se ocuparão com a droga, com a prostituição e com a violência.

Pois é, nada disso que foi falado se cumpriu. Compreendem agora, o motivo do aumento da violência na minicidade? Crianças e adolescentes desassistidos pelos pais, pela sociedade e pelo estado são um prato cheio para bandidos. Somado a isso, ainda há a omissão do Estado que não oferece uma segurança de qualidade, Nem mesmo após encasáveis reivindicações da sociedade. Ora, além do encaminhamento de diversos ofícios dirigidos aos órgãos competentes, o representante legal da minicidade tem ido pessoalmente, várias vezes, solicitar do Estado a construção de colégios estaduais, já que o bairro possui três áreas para esse fim; pedir a construção da rede de esgoto, já que todos os domicílios ainda se servem das fossas sépticas; solicitar também a construção de um ginásio de esportes para as crianças e adolescentes do bairro se manterem ocupados com os esportes e, principalmente, requerer a construção e manutenção de um posto policial, uma vez que o bairro possui cerca de 30 mil moradores e a segurança, como estamos dizendo e constatando, ainda é muito precária.

Passados quase seis anos de existência da minicidade, lamentavelmente, nenhuma das solicitações feitas pelo povo foi atendida, nem mesmo o pedido de construção de pelo menos um posto policial nos residenciais. A carta-resposta informava que a minicidade e região estava sendo assistida pela 18ª DDP/GYN, atendendo satisfatoriamente a demanda dos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo, e que o Estado não dispunha de estrutura física e humana, pelo menos naqueles momentos, para atender a solicitação (seis anos? E nossos impostos?).

Realmente, caso as autoridades públicas não olharem para a minicidade, a fala do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva se cumprirá como se cumpre uma profecia. Muitos meninos que no fim de 2009 para o início de 2010 tinha uma faixa etária de 9 ou 10 anos e não tiveram uma atenção da família, abandonados pelo poder público, alguns já perderam a vida no trafico, outros se transformaram em bandidos mirins e outros ainda estão a mercê da própria sorte, ou mesmo da falta dela.

A única esperança que ainda resta ao povo é saber que apesar da crescente violência, isso não é um luxo exclusivo da minicidade, pois o bairro, felizmente, ainda não é um dos mais violentos da Capital. Mas pode ficar, caso medidas concretas a curto e a longo prazos não forem tomadas.

Na nossa próxima etapa da série abordaremos um assunto também muito importante, veremos como se deu a criação da Associação dos Moradores, bem como sua atuação, conquistas e frustrações. Aguardem!


Gilson Vasco

Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido - Parte (V)I



Conforme promessa em artigo anterior, nesta sexta parte desta série de artigos relacionados aos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo, vamos abordar a questão da cultura, do esporte e do lazer.

A minicidade foi povoada sem nenhum lugar para as crianças e adolescentes praticar esporte e lazer. Logo após criação da Associação dos Moradores, tema que, futuramente bordaremos com maior precisão, o presidente eleito, ciente da necessidade solicitou da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer e Secretaria Municipal de Obras, pelo menos a terraplanagem de algumas áreas em todas as etapas do bairro. A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) cedeu algumas traves e, assim, foi feito alguns campos de chão batido, onde por muito tempo, praticou o futebol, porém, atualmente, os campos se encontram abandonados. Por falta de incentivo e dessas áreas na minicidade, hábitos sadios como a prática de esportes, em suas diversas modalidades; o prazer em se fazer uma caminhada matutina ou sob o sol do entardecer não existem ainda no bairro, isto é, por falta de uma política voltada para a criação de áreas de cultura, esporte e lazer, não existe nenhuma opção cultural com intuito de integrar a sociedade às mais diversas formas e modalidades de lazer.

As escolas municipais das etapas I e VI possuem quadra de esporte, porém, restrita aos alunos matriculados e frequentando-as, mas para o restante da sociedade dos residenciais, na tangente destes três tópicos, faltam tudo. Com isso, centenas de crianças e adolescentes que deviam estar se ocupando desses afazeres sadios, voltam-se ao mundo da marginalidade por desocupação.

Assim como disse da saúde, não se deve culpar somente o município pelas desgraças sociais, no Brasil tudo, tudo caminha a passos de tartaruga preguiçosa. Digo isso também porque há muito o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinou uma Praça dos Esportes e da Cultura (PEC), depois chamado de Centro das Artes e dos Esportes Unificados (CEU) para a minicidade que, depois de pronto, integrará atividades e serviços culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços socioassistenciais, políticas de prevenção à violência, ao uso de drogas e inclusão digital. Porém, já devia está pronta e servindo a comunidade desde 2012, mas devido ao atraso burocrático ele ainda se encontra em fase de construção. De todo mal, nem tudo é ruim, ainda bem que ficará pronto ainda neste ano para a inauguração e entrega à comunidade, segundo previsão da construtora responsável pela obra.

O Centro das Artes e dos Esportes Unificados (CEU), apesar de ser construído com recursos do Governo Federal pertence ao município e foi dado a este a competência de geri-lo. Até o presente momento, não há nenhum resquício de nenhum equipamento do Estado, no sentido de promover a prática da cultura do esporte e do lazer para os moradores da minicidade.

É necessário muito investimento na minicidade para que os idosos possam ter melhor qualidade de vida e as crianças e adolescentes se mantenham ocupados para que não se percam no mundo marginalizado, como de fato vem ocorrendo. É preciso acabar com essa característica que existe de ponta a ponta no Brasil: deixar de investir em saúde para investir em doenças! Investir em doença? Claro que não me equivoquei, pois equipar hospitais, admitir médicos e treinar funcionários da área é realmente preciso, porém, não é tudo. Ora, se antes disso não se investe em cultura, esporte e lazer, de certo modo é investir em doença. Agora contribuir o máximo na cultura e na prática do esporte e do lazer, isso sim, é investir em saúde e economizar gastos, uma vez que a ciência tem provado, na prática, que o indivíduo que participa ativamente da sociedade, possuem mecanismos e condições para buscar a cultura, o esporte e o lazer possui uma melhor qualidade de vida, e, quando há qualidade de vida, não há hospitais lotados. Mas para está inserido na sociedade, ser culto e buscar o lazer há a necessidade da dinâmica, espaço que ofereça variadas opções e é exatamente aí que surge a obrigação de ter gestores interessados e compromissados com a saúde pública e com o povo.

No nosso próximo artigo desta série: Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido, abordaremos a problemática da violência na qual a minicidade foi sendo inserida e hoje se encontra submergida ao descaso, ao medo, devido também à falta de segurança pública.

 Gilson Vasco

Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido - Parte (V)

 

No nosso artigo antecedente a este vimos sobre como anda a saúde ou a falta dela nos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo, ou na minicidade, se preferir. Constatamos que o problema é nuclear e se ramifica Brasil adentro. Percebemos que não podemos julgar um município, sem antes saber o que acontece no resto do País, graças às ramificações das dificuldades em gerir. Comprovamos a decadência da saúde na ingerência governamental brasileira e soubemos que o Sistema Único de Saúde (SUS) já surgiu com muitos problemas que depois se alastrou com o passar do tempo, respingando também nos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo. Agora, neste artigo, é chegado o momento de ver como anda a Assistência Social, como dever do Estado, em nosso bairro. Pois bem, assim que a minicidade passou a ficar bem povoada, o que antes era chamada de Casa Social, mantida por um instituto contratado pelo poder público para organizar a entrega das casas na minicidade cedeu lugar para a implantação de um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) que nada mais é que uma unidade pública da política de assistência social, de base municipal, geralmente localizado em áreas com maiores índices de vulnerabilidade e risco social como a minicidade.

No caso específico do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) instalado, a princípio, na etapa I da minicidade, apenas duas casinhas do programa A Casa da Gente/Minha Casa Minha Vida de quarenta metros quadrados eram usadas para fazer todo o atendimento de proteção social às famílias e aos indivíduos em risco de vulnerabilidade social que procuravam apoio, além de manter, por algum tempo, o grupo dos idosos e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) para crianças e adolescentes entre 06 e 17 anos, também ofereciam alguns cursos de capacitação Professional.

Instalado em abril de 2011e, após alguns anos em funcionamento, de uma hora para outra, precisamente no início de janeiro de 2015, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da minicidade foi transferido para outro local, em outra etapa do barro, etapa VII, com a alegação de que a devolução das duas casinhas era preciso e necessário, já que enquanto o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) estava instalado nas unidades populares, duas famílias permaneciam necessitando de moradias. Realmente, milhares de famílias ainda continuam necessitando de moradias, é verdade, mas a mudança repentina de endereço, da etapa I para a etapa VII, do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), pareceu um tanto quanto precipitada, uma vez que o atual prédio ocupado pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), antigo Centro Comunitário, já se encontrava todo deteriorado, quebrado e com ares de abandono e sequer passou por reforma antes de ser ocupado, ou seja, depois de quase quatro anos instalado em duas casas do programa A Casa da Gente, isto é, desde 24 de abril de 2011, na etapa I do bairro, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), foi mudado às pressas para a etapa VII, se instalando onde antes funcionava o Centro Comunitário.

Em janeiro do ano em curso, uma reunião foi feita pela equipe do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para informar beneficiários e comunidade sobre a mudança de endereço do órgão, o que não evitou que a notícia pegasse todos os funcionários e comunidade de surpresa! Durante a reunião, disseram que a Secretaria Municipal de Habitação (SMHAB), através do Ministério Público estava requerendo as duas moradias onde funcionava o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) com o intuito de repasse para duas famílias sem-teto. Por conta disso, as casas foram devolvidas. O que dificultou em muito o atendimento ao público em geral, tanto das crianças e adolescentes quanto dos idosos e beneficiários antes atendidos pelos diversos programas. Com a devolução das duas casas, a proposta da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS) era disponibilizar uma van e/ou um micro ônibus para realizar o transporte, tanto das crianças assistidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), através do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo (SCVF), quanto dos idosos, bem como da comunidade em geral que residem nas demais etapas e necessitem ser assistida também pelo Bolsa Família, assistentes sociais e psicólogos, etc. porém, os beneficiários estão sendo obrigados a caminhar, às vezes, até mais de quatro quilômetros para resolver problemas relacionados ao atendimento. Isso fica ainda pior quando se sabe que grande parte da população da minicidade se forma por idosos, crianças e portadores de necessidades especiais.

No momento, o extinto Centro Comunitário, agora Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) se encontra muito danificado: portas quebradas, parque infantil destruído, tenda removida, paredes esburacadas e telas de proteção arrancadas, etc. De modo que, apesar de a equipe de manutenção da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS) se esforçar para adequar o espaço com as mínimas condições de uso e atendimento ao público, o local continua extremamente precário, quase sem nenhuma condição de uso. A van e/ou micro-ônibus que foi prometido para transportar as crianças e adolescentes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo (SCVF), apesar de, às vezes, não vir, está sendo cotidianamente disponibilizada, porém, muitas crianças e adolescentes que eram assistidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), estão perambulando pelas ruas do bairro ou confinadas nos interiores das casas dos pais, nos períodos que não estão nas escolas, mas não se pode culpar o órgão, pois muitos pais não interessam em matriculá-los, embora seja  feito a buscativa. Com isso, na verdade, não se pode dizer que no bairro não há assistência social, porém, muito mais pessoas poderiam estar sendo acompanhadas e assistidas caso existisse mais seriedade e compromisso do poder público em relação à valorização humana.

Na sexta parte desta série de artigos Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido, iremos abordar a questão da cultura, esporte e lazer. Veremos que não há na minicidade nenhum equipamento público do Estado para manter as crianças e adolescentes ocupados. Aguardem!



Gilson Vasco

Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido - Parte (IV)


Apesar de ter recebido seus primeiros moradores no dia 1º de outubro de 2009, os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo, foram oficialmente inaugurados pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva somente no dia 12 de fevereiro de 2010, quando ele reclamou da deficiência na infraestrutura da minicidade, uma vez que, segundo o presidente, as moradias precisavam receber muros nos próximos meses, a contar daquela data, e a minicidade, por si só, precisava de equipamentos esportivos, asfalto e mais escolas. Mas ainda continua precisando de tudo isso e mais um pouco. Na época da inauguração, o bairro também possuía um pequeno Posto de Saúde da Família (PSF), inaugurado posteriormente pelo então prefeito Íris Rezende.

Dois anos mais tarde, precisamente em 15 de maio de 2012, mais um posto de saúde, uma Unidade de Atenção Básica de Saúde da Família (UABSF) foi inaugurada na etapa VI, agora pelo prefeito Paulo Garcia, com aptidão para atender cerca de 1800 famílias que já habitavam a etapa VII da minicidade. Os 700 metros quadrados de área construída foram divididos entre consultórios, auditório para reuniões, farmácia, sala de vacina e sala de observação para urgências. A estrutura física do local tem capacidade para atendimento de três equipes completas simultaneamente, incluindo saúde bucal, porém, apesar da infraestrutura do equipamento, assim como em todo o Brasil, o atendimento, ou mesmo a falta dele, não tem contribuído muito com a população da minicidade, o que coloca em risco, a saúde dos moradores, cotidianamente.

No Posto de Saúde da Família (PSF) da etapa IV da minicidade, por exemplo, o atendimento é feito a partir de um sistema de rodízio, como se quem fosse adoecer tivesse que agendar sua enfermidade, isto é, se num dado dia em que o profissional da saúde estiver ali para atender pacientes da etapa III, por exemplo, ninguém da etapa II poderá ficar doente, pois não será atendido.

Não se trata de colocar a culpa em cima de um gestor público ou de outro, tampouco isentá-los, ora, muitas vezes, certas coisas que acontecem nas unidades, seja de saúde, educação ou em qualquer outra repartição pública, as autoridades maiores nem chegam, a saber, pois são camufladas com pele de silêncio por muitos servidores dos baixos escalões.

O problema é nuclear e se ramifica Brasil adentro. Está mesmo na ingerência governamental brasileira e não é de hoje. O Sistema Único de Saúde (SUS) já surgiu com uma escala problemática e sua precariedade continua se alastrando com o passar do tempo, ou seja, em qualquer lugar do Brasil a saúde é uma incógnita. Ou não?

Não se pode colocar a culpa na falta de liberação dos recursos, pois somente para o ano de 2014 foram orçados, segundo o Portal de Transparência da Prefeitura de Goiânia, R$ 1.612.161.000,00, para serem aplicados na saúde municipal em Goiânia.

Mais especificamente no caso da minicidade, o problema se acentua porque a massa de necessitados usuários do sistema é muito grande em relação ao número de profissionais nas unidades de saúde, de modo que moradores de diversas etapas da minicidade ficam, às vezes, até três meses sem atendimento médico local.

Por conta disso, muitos moradores da minicidade quando necessitam de maiores cuidados médicos, buscam as unidades de outros bairros mais próximos, como Centro de Assistencia Integral a Saúde (CAIS), Centro Integrado de Assistência Municipal a Saúde (CIAMS) e hospitais. Neste caso, os mais frequentados pelos moradores da minicidade são o do Bairro Goiá, Cândida de Morais e Finsocial, além dos diversos hospitais do estado, espalhados na Grande Goiânia.

No nosso próximo artigo vamos falar sobre como anda a Assistência Social em nosso bairro já que ela é uma política pública, direito do cidadão que dela necessitar e um dever do Estado. Aguardem!

Gilson Vasco

Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido - Parte (III)


Vimos em artigo anterior que os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo foram inaugurados às pressas para evitar uma suposta invasão, uma vez que milhares de casebres estavam prontas e se mantinham desocupadas à espera de seus respectivos donos, enquanto milhares de famílias continuavam sem teto. As primeiras famílias a se mudarem para o empreendimento dependeram da entrega de água em carros-pipas para o uso diário e de luz de vela para clarear. Somente dias depois, aos poucos, esses recursos foram sendo instalados nas casas já habitadas.

Podemos ver também que em 2009, à época da chegada dos primeiros moradores rigorosamente selecionados, o bairro já contava com um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), com capacidade para atender até 100 crianças, instalado na etapa I da minicidade; um pequeno Posto de Saúde da Família (PSF), que atendia algumas especialidades, instalado na etapa IV; e uma escola municipal para atender cerca de 1000 alunos do primeiro ao sexto ano, porém, a escola estadual mais próxima se localizava em outro bairro, a cerca de seis quilômetros, de modo que a partir do início do ano letivo de 2010, uma média de 20 ônibus escolares transportavam centenas de alunos para várias escolas e diversos colégios da Grande Goiânia.

Notificamos que colégios estaduais como Aécio Oliveira de Andrade, no Setor Urias Magalhães, Edmundo Pinheiro, no bairro São Francisco e, a partir do ano de 2012, Marechal Rondon, na Vila Irany passaram a receber os alunos dos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo. E que a massa estudantil era tão gigantesca que muitas escolas municipais e colégios estaduais de bairros como Criméia Oeste, Fama, Conjunto Vera Cruz, Recanto do Bosque, Finsocial e até a cidade de Trindade também acolheram os estudantes da minicidade, uma vez que, como disse, a única escola do bairro, que era municipal, não conseguia atender nem 30% da polução estudantil.

Numeramos que, em média, em dias letivos, cerca de 200 alunos eram transportados para o Colégio Estadual Marechal Rondon; 300 alunos para o Colégio Estadual Aécio Oliveira de Andrade (desses 110 era exclusivamente do Ensino Médio); e 400 alunos para o Colégio Estadual Edmundo Pinheiro. Totalizando 900 alunos da rede estadual de ensino, e outros ainda da mesma rede que usavam o transporte convencional para chegar às escolas de outros bairros e até para o município de Trindade. Sem contar aqueles da Rede Municipal, transportados cotidianamente para várias escolas do Conjunto Vera Cruz, como Escola Municipal Professora Antônia Maranhão do Amaral.

Em fevereiro de 2012, a etapa VI da minicidade que ainda não era habitada e não possuía nenhuma moradia ganhou mais um Posto da Saúde da Família (PSF), na verdade uma Unidade Básica de Saúde (UBS), um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) e uma Escola Municipal. Como a escola ficava um pouco longe das demais etapas, ônibus escolares também faziam o transporte das crianças para a nova escola. Porém, em 10 de setembro de 2012, o estado tentou assumir o transporte colocando monitores nos ônibus escolares, mas não deu muito certo. Ainda no mesmo ano, continuava grande impasse em relação aos problemas vividos pelos moradores da minicidade, principalmente pela classe estudantil e, seus pais, já que os alunos do Ensino Fundamental foram literalmente convidados a migrarem das escolas, problemas gerados entre estado e município que somou prejuízo para os estudantes, isto é, as secretarias das escolas estaduais começaram a comunicar aos pais de centenas de estudantes da rede estadual de educação que moravam na minicidade para que eles procurassem as escolas para fazer a retirada da transferência dos filhos, alegando que a rede estadual de ensino não iria mais arcar com as despesas de transporte escolar dos residenciais para as escolas estaduais de alunos do Ensino Fundamental.

Os pais e responsáveis foram pegos de surpresa e ficaram de pés e mãos atadas sem saber o que fazer com os filhos fora da escola. Além de não ter escolas no bairro, os pais não tinham poder aquisitivo para pagar transporte para os filhos. Os estudantes da escola da etapa VI não sofreram prejuízos.

Para tentar amenizar o problema a Escola Municipal Lions Clube Bandeirantes, localizada no Bairro Goiá e a Escola Municipal Dom Fernando Gomes dos Santos, no Residencial Goiânia Viva passaram a receber centenas de estudantes da rede municipal, estes conduzidos pelo transporte escolar. Já os alunos do Ensino Médio, passaram a frequentar outras escolas utilizando o transporte convencional, até que no ano seguinte, o estado aprovou o passe livre estudantil e muitos alunos conseguiram o benefício social.

Já no início de 2015, a etapa I da minicidade recebeu mais uma escola municipal e grande parte dos alunos que frequentavam as escolas municipais Lions Clube Bandeirantes e Dom Fernando Gomes dos Santos foram acolhidos dentro da minicidade, onde poderão concluir o Ensino Fundamental.

Atualmente, o bairro possui três escolas municipais, duas comportam os Ciclos I e II do Ensino Fundamental, o que correspondem do primeiro ao sexto ano e outra que comporta até o nono ano. Possuem dois Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), com capacidade para acolher cerca de 400 crianças, os dois juntos, o que deixa ainda, uma média de 600 crianças esperando vagas.

Em relação à construção das escolas estaduais, três áreas foram doadas para o estado pelo município, antes mesmo da inauguração do bairro, uma na etapa I, outra na II e uma terceira na VII, porém, até o momento presente a minicidade não possui, sequer, uma escola estadual.

No próximo artigo veremos que a saúde na minicidade também tem deixado muito a desejar, uma vez que os Postos da Saúde da Família (PSFs) não conseguem atender a demanda do bairro gerando transtornos para as famílias de baixa renda que moram na minicidade.

Gilson Vasco



Residenciais Jardins do Cerrado, um bairro periférico esquecido - Parte (II)


Os Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo foram inaugurados às pressas para evitar uma suposta invasão, uma vez que milhares de casebres estavam prontas e se mantinham desocupadas à espera de seus respectivos donos, enquanto milhares de famílias continuavam sem teto. As primeiras famílias a se mudarem para o empreendimento dependeram da entrega de água em carros-pipas para o uso diário e de luz de vela para clarear. Somente dias depois, aos poucos, esses recursos foram sendo instalados nas casas já habitadas.

Em 2009, à época da chegada dos primeiros moradores rigorosamente selecionados, o bairro já contava com um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), com capacidade para atender até 100 crianças; um pequeno Posto de Saúde da Família (PSF); e uma escola municipal para cerca de 1000 alunos do primeiro ao sexto ano, porém, a escola estadual mais próxima se localizava em outro bairro, a cerca de seis quilômetros, de modo que a partir do início do ano letivo de 2010, uma média de 20 ônibus escolares transportavam os alunos para várias escolas e diversos colégios da Grande Goiânia.

Colégios estaduais como Aécio Oliveira de Andrade, no Setor Urias Magalhães, Edmundo Pinheiro, no bairro São Francisco e, a partir do ano de 2012, Marechal Rondon, na Vila Irany passaram a receber os alunos dos Residenciais Jardins do Cerrado e Mundo Novo. A massa estudantil era tão gigante que muitas escolas municipais e colégios estaduais de bairros como Criméia Oeste, Fama, Conjunto Vera Cruz, Recanto do Bosque, Finsocial e até a cidade de Trindade também acolheram os estudantes da minicidade, uma vez que, como disse a única escola do bairro, que era municipal, não conseguia atender nem 30% da polução estudantil.

Eram transportados em média, cotidianamente, em dias letivos cerca de 200 alunos para o Colégio Estadual Marechal Rondon; 300 alunos para o Colégio Estadual Aécio Oliveira de Andrade (desses 110 era exclusivamente do Ensino Médio); e 400 alunos para o Colégio Estadual Edmundo Pinheiro. Totalizando 900 alunos da rede estadual de ensino, e outros ainda da rede estadual que usavam o transporte convencional para chegar às escolas de outros bairros e até para o município de Trindade. Sem contar aqueles da Rede Municipal, transportados para várias escolas do Conjunto Vera Cruz.

Em fevereiro de 2012, a etapa VI, da minicidade ganhou mais uma Unidade Básica de Saúde, uma CMEI e mais uma Escola Municipal, porém, em 10 de setembro de 2012, o estado tentou assumir o transporte colocando monitores nos ônibus escolares, mas não deu muito certo. Ainda no mesmo ano, continuava grande impasse em relação aos problemas vividos pelos moradores da minicidade, principalmente pela classe estudantil e seus pais, já que os alunos do Ensino Fundamental foram literalmente convidados a mudarem de escola, problemas gerados entre estado e município que somou prejuízo para os estudantes, isto é, as secretarias das escolas estaduais começaram a comunicar aos pais de centenas de estudantes da rede estadual de educação que moravam na minicidade para que eles procurassem as escolas para fazer a retirada da transferência dos filhos, alegando que a rede estadual de ensino não iria mais arcar com as despesas de transporte escolar dos residenciais para as escolas estaduais de alunos do Ensino Fundamental.

Os pais e responsáveis foram pegos de surpresa e ficaram de pés e mãos atadas sem saber o que fazer com os filhos fora da escola. Além de não ter escolas no bairro, os pais não tinham poder aquisitivo para pagar transporte para os filhos.

Para tentar amenizar o problema a Escola Municipal Lions Clube Bandeirantes, localizada no Bairro Goiá e a Escola Municipal Dom Fernando Gomes dos Santos, no Residencial Goiânia Viva passaram a receber centenas de estudantes da rede municipal, estes conduzidos pelo transporte escolar. Já os alunos do Ensino Médio, passaram a frequentar outras escolas utilizando o transporte convencional, até que no ano seguinte, o estado aprovou o passe livre estudantil e muitos alunos conseguiram o benefício social.

Já no início de 2015, a etapa I da minicidade recebeu mais uma escola municipal e grande parte dos alunos que frequentavam as escolas municipais Lions Clube Bandeirantes e Dom Fernando Gomes dos Santos foram acolhidos dentro da minicidade, onde poderão concluir o Ensino Fundamental.

Atualmente, o bairro possui três escolas municipais, duas comportam os Ciclos I e II do Ensino Fundamental, o que correspondem do primeiro ao sexto ano e outra que comporta até o nono ano. Em relação às escolas estaduais, três áreas foram doadas pelo município, antes mesmo da inauguração do bairro, porém, até o momento presente a minicidade não possui, sequer, uma escola estadual.

No próximo artigo veremos que a saúde na minicidade também deixa muito a desejar, uma vez que os PSFs não conseguem atender a demanda do bairro gerando transtornos para as famílias de baixa renda que moram nos residenciais.

Gilson Vasco


sábado, 19 de novembro de 2016

Palavras do autor


Sobre Pai sem filho

Entre outros questionamentos que muitos fazem quando estão diante de uma obra dessa natureza é se os fatos nela contidos são realmente verdadeiros. Todas as vezes  em que sou instigado sobre esse interesse procuro ser o mais óbvio possível, de forma que quando escrevo eu escrevo com a alma, deixo falar o coração e dou vazão aos meus sentimentos, sem perder a razão.

Entendo que uma obra literária somente pertence ao seu real criador enquanto ela está camuflada em uma gaveta. Depois que a obra foi levada ao conhecimento do público seu criador não mais é dono dela, mas sim, um mero apreciador, isto é, o autor pode ser dono do seu texto somente quando escreve e ainda não o tornou público, depois da sua publicidade ele pertence aos leitores, que lhe atribuem variadas leituras e constroem inúmeras imagens a partir daquela apreciação. Daí o meu entendimento de que não compete ao autor, e sim ao apreciador, a função de decidir se uma história literária é ou não verdadeira.


Parece que não tem muita importância o fato de uma história ser ou não verdadeira. A importância maior está em o leitor tirar lições daquilo que leu. O que diferencia a História da Literatura é que aquela conta os fatos como eles aconteceram (a partir da visão do conquistador) e esta apenas sugerem, porém sabemos que através da Literatura também conhecemos a cultura da humanidade.

Gilson Vasco

terça-feira, 8 de novembro de 2016

História sobre os trilhos - As velhas ferrovias em Goiás - Parte V (Final)


Chegamos à etapa final da nossa viagem às velhas ferrovias em Goiás. Viagem que nos levou a viver, através da leitura, uma história sobre os trilhos de ferro, desde os tempos em que o progresso do Brasil andava pelas ferrovias, com maior intensidade. Percebemos o apagamento da modernidade, e, por sorte, ainda conseguimos visitar algumas estações ferroviárias, uma ainda em pleno funcionamento, mas vimos principalmente que a criação da Estrada de Ferro em Goiás serviu aos interesses e aspiração de mineiros e goianos que tiveram nessa ferrovia um dos pilares para o artifício de desenvolvimento. A ferrovia contribuiu para uma relevante expansão da produção econômica dessas regiões, aumentando suas relações comerciais, por meio de um forte acréscimo nas importações e exportações.

Na atualidade, não há, portanto, nesses 480 quilômetros de trilhos goianos o transporte de passageiro, somente o de cargas, o que é lastimável.

A Ferrovia Centro-Atlântica, operante em solo goiano, bem como a Ferrovia Norte-sul, esta em fase de construção, com alguns trechos já inaugurados recentemente, continuam sendo alternativas viáveis de transportes eficientes e de baixos custos de operação quando comparado com o transporte rodoviário. Assim sendo, ao passo que contribuem para a maior competitividade do agronegócio local, fica comprovado que as ferrovias passam a ser indispensáveis, sendo de grande valia para os avanços nas relações comerciais, internas e externas, e para a solidez da economia goiana como um todo. Faz-se necessário que os goianos, principalmente as autoridades competentes, lutem impetuosamente pelo fortalecimento desse modelo de transporte, uma vez que assim estarão dando passos firmes na direção do desenvolvimento econômico e social dessa importante região do planalto central. É verdade que a restauração de uma ferrovia, bem como a construção de outras são processos de altíssimos custos, porém, quando uma ferrovia é colocada em funcionamento os ganhos são incomparáveis. Primeiro, enquanto um caminhão numa rodovia transporta pouquíssimas toneladas de produtos por vez, uma locomotiva consegue puxar dezenas de vagões com toneladas e mais toneladas de produtos pelas estradas de ferro e, depois, o transporte ferroviário bem planejado oferece maior qualidade e menor custo.

Para o momento, basta, mas assim como o Diário da Manhã eu também estou grato pela sua companhia. Brevemente embarcaremos em novas aventuras. Até lá.


Gilson Vasco

Outros locais de publicação:


Diário da Manhã

História sobre os trilhos - As velhas ferrovias em Goiás - Parte IV


(Curiosidade sobre manutenção nos trilhos)


Postos no telheiro da Estação Ferroviária de Leopoldo de Bulhões, enquanto esperávamos a passagem de um cargueiro que vinha não sabemos de onde, nem para onde ia, a conversa com os anfitriões esquentava. Soubemos que não seria possível embarcarmos num trem para percorrer mesmo um pequeno percurso. Disseram que seria impossível viajarmos, pois necessitaríamos de uma série de equipamentos que estavam no Estado das Minas Gerais. Mesmo assim, como disse, tivemos a chance de colher muita informação acerca do assunto. Fomos informados pelo chefe dos funcionários sobre a necessidade de estar monitorando a temperatura dos trilhos, pois segundo ele, as temperaturas devem estar entre 15 e 60 graus Celsius, uma vez acima de 60 graus os trilhos poderão sofrer desgastes causados pelas altas temperaturas. Caso os termômetros instalados nos trilhos acusem uma temperatura fora do normal, um sinal de alerta é disparado e todas as locomotivas que se encontrarem nos trilhos serão obrigadas a parar até que a temperatura se estabeleça. O sistema é monitorado via satélite e se por ventura os funcionários desconfiar de algum problema com as locomotivas, a central poderá parar o transporte por meio do satélite até que uma equipe checa o ocorrido, seja uma falha técnica, mecânica ou um mal sofrido pelo maquinista, durante esse intervalo, a estrada fica interditada. Outro ponto cauteloso é o fato de o local exato do estacionamento da locomotiva, deve ser necessariamente no espaço indicado, pois um pouco para frente ou para trás significa uma transgressão do maquinista.

Ainda de acordo com os funcionários, vez por outra é preciso fazer um processo de alinhamento de carga ali mesmo na Estação Ferroviária de Leopoldo de Bulhões, isto é, separar a carga por categorias e isso leva um tempo capaz de atrasar a viagem, o que acarreta em multas. Por isso, tudo deve ser feito dentro de um prazo conveniente de modo que a carga esteja no porto na data marcada. Muitas vezes, o trabalho é tão complexo que os funcionários não sabem do que se trata a mercadoria, pois há um rigor nos lacres, principalmente motivado pela Receita Federal.
Os funcionários também nos falaram sobre uma máquina que estava ali no pátio da Estação Ferroviária de Leopoldo de Bulhões e sobre um contêiner sobre os trilhos, exatamente no perímetro de fazer manobras.     

     Sobre a utilidade da máquina disseram ser um equipamento capaz de detectar possíveis quebraduras nos trilhos antes mesmo da trincadura total e ela pode também alinhar os trilhos que por ventura venham a sofrer desalinhamento. A revisão dos trilhos pela máquina é feito de seis em seis meses e isso acontece em todo o percurso da linha férrea. É uma máquina que como as locomotivas, andam sempre pelos trilhos. Somente as funções são diferentes.

Em relação ao vagão, também há uma curiosidade, trata-se de uma casa ambulante que cumpre a função de transportar funcionários com maior comodidade pelos trilhos Brasil afora, ou Brasil adentro. Tentamos matar nossa curiosidade sobre o espaço interno da casa sobre trilhos, mas fomos informados pelos funcionários de que infelizmente ela estava trancada, mas não nos informou nas mãos de quem estaria o poder das chaves. Para não gerar qualquer tipo de constrangimento em ambas as partes, a conversa sobre a nossa entrada na casa ambulante parou por ali, diferentemente da nossa inesgotável curiosidade sobre tanta coisa nova. Soubemos que tudo de necessário que existe numa residência, há também naquela casa sobre trilhos. 


Com o consentimento dos funcionários ainda insistimos em esperar pelo cargueiro que estava previsto para chegar ali às onze horas, persistimos, mas ele somente passou por ali ao meio dia e alguns minutos, atraso que cada vez mais aguçava a nossa curiosidade. Satisfeitos, retornemos à Goiânia.

Gilson Vasco

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Diário da Manhã