Bem-vindo (a)

Para quem acredita na existência de Deus, há sempre uma luz radiante, ainda que a vida pareça mergulhada em profunda escuridão. Chega um momento que precisamos nos libertar dos grilhões, das amarras e correntes que nos enclausuram num pequeno mundo, sairmos da nossa caverna e irmos de encontro à luz.

sábado, 10 de junho de 2017

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XVI)


A Sintaxe é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si. Ao emitir uma mensagem verbal, o emissor procura transmitir um significado completo e compreensível. Para isso, as palavras são relacionadas e combinadas entre si.  A Sintaxe é um instrumento essencial para o manuseio satisfatório das múltiplas possibilidades que existem para combinar palavras e orações. A Sintaxe é a parte da língua que estuda as relações dos componentes que integram uma oração. E também as combinações que as orações constituem entre si na formação dos períodos. Logo, a maneira pela qual se dá os ajustes das informações em orações ou períodos é a pretensão de estudo da Sintaxe. A palavra Sintaxe deriva do latim sintaxis que, por sua vez, tem origem num termo grego que significa “coordenar”. Trata-se da parte da gramática que ensina a coordenar e unir as palavras para formar as orações e expressar conceitos.  A Sintaxe é pertencente ao campo da linguística, estuda as regras que governam a combinatória de constituintes e a formação de unidades superiores a estes, como é o caso dos sintagmas e das orações.

De acordo com o filólogo e linguista norte-americano Leonard Bloomfield (1887-1949), a Sintaxe é o estudo de formas livres compostas completamente por formas livres. Esta noção é conhecida como estruturalista. As formas mais pequenas em que uma forma mais ampla se pode analisar são os seus constituintes sintáticos, isto é, uma palavra ou sequência de palavras que funciona em conjunto como uma unidade dentro da estrutura hierárquica de uma oração. O paradigma atual da ciência refere-se à gramática generativa, que se centra na análise da Sintaxe como constituinte primitivo e fundamental da linguagem natural. Por outro lado, convém destacar que a análise sintática de uma frase corresponde à procura do verbo conjugado dentro da oração, para estabelecer uma distinção entre o sintagma nominal (sujeito) e o sintagma verbal (predicado). Nesse sentido, uma vez localizado o verbo, pergunta-se quem realiza a ação. A resposta prende-se com o sujeito, ao passo que o resto se prende com o predicado.

Outros estudos da Sintaxe, além da análise sintática  dizem respeito à análise dos períodos simples e compostos, concordâncias nominal e verbal, regências nominal e verbal, além do estudo da pontuação e do fenômeno da crase. Esses últimos podem ser inseridos como objetos de discussão da Sintaxe porque ao ser utilizados exigem conhecimento das estruturas sintáticas, das combinações dos elementos na frase.

Dito mais claramente, a Sintaxe é a parte da Língua Portuguesa que trabalha com a disposição das palavras em uma frase e a lógica entre elas. Ela é muito importante para compreender a combinação de orações e palavras. Nos estudos gramaticais a Sintaxe é estudada por meio da análise sintática para analisar o sujeito, o predicado e os termos acessórios de uma oração.

Se fôssemos dizer muito da Sintaxe ficaríamos com essa discussão durante uns duzentos ou trezentos artigos, porém, como nossa intenção principal é somente clarear a divisão gramatical da Língua Portuguesa, iremos, portanto, realizar dois breves e sucintos tópicos da Sintaxe: a Sintaxe de concordância verbal e nominal.

A concordância de uma frase ocorre quando há determinada flexão entre dois termos e ela pode ser caracterizada como verbal ou nominal. É a responsável pela harmonia na construção de uma frase na língua portuguesa.

Dessa forma, na concordância verbal o verbo é flexionado para concordar com o número e a pessoa do seu sujeito. O verbo representa o subordinado e o sujeito o item subordinante. E a concordância nominal trabalha a relação de um substantivo com as palavras (adjetivos, particípios, artigos, pronomes adjetivos e numerais adjetivos) que o caracterizam.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XV)


Creio que uma das melhores formas de definir as interjeições seja dizendo que elas são palavras que exprimem emoções, sensações, estados de espírito ou que são palavras invariáveis que exprimem emoções, sensações, estados de espírito, ou ainda palavras que procuram agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elaboradas. As interjeições são um recurso da linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação particular, um momento ou um contexto específico. Pertencem a uma daquelas quatro classes invariáveis e seu significado fica dependente da forma como as mesmas são pronunciadas pelos interlocutores. Apesar de alguns gramáticos discordarem, argumentando que as interjeições se dão muito mais pela semântica da palavra do que pela forma, as interjeições ainda são consideradas uma classe gramatical. Sendo assim, por definição básica, as interjeições são palavras ou frases invariáveis que expressam emoções, sentimentos, sensações. Elas não possuem nenhuma relação sintática com o restante do período no qual se encontram, e podem ser compreendidas sozinhas, sem auxílio de nenhuma outra palavra ou frase. As interjeições mudam de sentido conforme o contexto em que se encontram, dando margem, portanto, para que qualquer palavra possa se tornar uma interjeição, dependendo do uso feito pelo falante.

Embora, muitos gramáticos tentam classificar as interjeições segundo os significados que elas apresentam, ou seja, semanticamente e não morfologicamente, ainda há muitos estudos e questionamentos quanto a essa classificação, haja vista que nas gramáticas tradicionais encontramos as interjeições fazendo parte de uma das dez classes morfológicas. Quase sempre as interjeições vêm acompanhadas de um ponto de exclamação, que pode ser combinado com outros sinais de pontuação. São geralmente consideradas “diferentes” das demais classes gramaticais, pelo fato de não assumirem função sintática, de terem uma difícil caracterização morfológica e de virem das mais diversas origens filológicas. A análise do discurso sugere analisarmos as interjeições segundo o contexto no qual se apresentam, mas há outros fatores como a entonação e a mímica, isto é, o gesto do falante, que podem alterar o significado da mesma. Dessa forma, consideram-se as interjeições como polissêmicas, ou seja, uma mesma interjeição pode possuir uma variação de sentido. O significado das interjeições está vinculado à maneira como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto de enunciação. Geralmente as interjeições são a expressão das emoções do próprio interlocutor, sendo, portanto, bastante estudada também pela semântica e pela pragmática.

As interjeições podem ser de alegria, de estimulo, de aprovação, de desejo, de dor, de surpresa, de impaciência, de silêncio, de medo, de advertência, de concordância, de desaprovação, de incredulidade, de socorro, de afastamento e de cumprimento. Podem ser assim exemplificadas: Interjeições de alegria: Oh!, Ah!, Oba!, Viva!, Opa!; Interjeições de estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Ânimo!, Adiante!; Interjeições de aprovação: Apoiado!, Boa!, Bravo!; Interjeições de desejo: Oh!, Tomara!, Oxalá!; Interjeições de dor: Ai!, Ui!, Ah!, Oh!; Interjeições de surpresa: Nossa!, Cruz!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!; Interjeições de impaciência: Diabo!, Puxa!, Pô!, Raios!, Ora!; Interjeições de silêncio: Psiu!, Silêncio!; Interjeições de alívio Uf!, Ufa!, Ah!; Interjeições de medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!; Interjeições de advertência: Cuidado!, Atenção!, Olha!, Alerta!, Sentido!; Interjeições de concordância: Claro!, Tá!, Hã-hã!; Interjeições de desaprovação: Credo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora!; Interjeições de incredulidade: Hum!, Epa!, Ora!, Qual!; Interjeições de socorro: Socorro!, Aqui!, Piedade!, Ajuda!; Interjeições de cumprimentos: Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Adeus!; Interjeições de afastamento: Rua!; Xô!; Fora!; Passa!.

Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XIV)


Conjunções são palavras utilizadas como elementos de ligação entre duas orações ou entre termos semelhantes de uma mesma oração, estabelecendo relações de coordenação ou de subordinação. São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número. As conjunções classificam-se em conjunções coordenativas aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas, explicativas, integrantes, adverbiais causais, adverbiais concessivas, adverbiais condicionais, adverbiais conformativas, adverbiais finais, adverbiais proporcionais, adverbiais temporais, adverbiais comparativas e adverbiais consecutivas.

As principais conjunções, então, podem ser assim descritas: conjunções coordenativas aditivas: e, nem, também, bem como, não só,... mas também; conjunções coordenativas adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante; conjunções coordenativas alternativas: ou, ou...ou, já…já, ora...ora, quer...quer, seja...seja; conjunções coordenativas conclusivas: logo, pois, portanto, assim, por isso, por consequência, por conseguinte; conjunções coordenativas explicativas: que, porque, porquanto, pois, isto é; conjunções subordinativas integrantes: que, se; conjunções subordinativas adverbiais causais: porque, que, porquanto,  visto que, uma vez que, já que, pois que, como; conjunções subordinativas adverbiais concessivas: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, se bem que, posto que; conjunções subordinativas adverbiais condicionais: se, caso, desde, salvo se, desde que, exceto se, contando que; conjunções subordinativas adverbiais conformativas: conforme, como, consoante, segundo; conjunções subordinativas adverbiais finais: a fim de que, para que, que; conjunções subordinativas adverbiais proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais… mais,…; conjunções subordinativas adverbiais temporais: quando, enquanto, agora que, logo que, desde que, assim que, tanto que, apenas; conjunções subordinativas adverbiais comparativas: como, assim como, tal, qual, tanto como; conjunções subordinativas adverbiais consecutivas: que,  tanto que, tão que, tal que, tamanho que, de forma que, de modo que, de sorte que, de tal forma que.

Para uma melhor compreensão acerca das conjunções é bom dividi-las em apenas duas categorias, ou seja, as coordenativas e as subordinativas e colocá-las as demais existentes inseridas como subcategorias dessas duas principais, assim:

Fazem parte das conjunções coordenativas as aditivas, as adversativas, as alternativas, as conclusivas e as explicativas; e fazem parte das conjunções subordinativas as causais, as comparativas, as concessivas, as conformativas, as consecutivas, as finais, as proporcionais e as temporais.

Esmiuçando, aplicando, usando e exemplificando: as conjunções coordenativas aditivas como o próprio nome já sugere expressam a ideia de adição, de soma. Exemplo: Marcos foi ao cinema e ao teatro; as conjunções coordenativas adversativas expressam ideias contrárias, de oposição, de compensação. Exemplo: Tentei chegar na hora, porém me atrasei; as conjunções coordenativas alternativas expressam ideia de alternância. Exemplo: Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho; as conjunções coordenativas conclusivas servem para dar conclusões às orações. Exemplo: Estudei muito por isso mereço passar; as conjunções coordenativas explicativas explicam, dão um motivo ou razão. Exemplo: É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá fora. Já as conjunções subordinativas causais como a própria nomenclatura explicitam expressam uma causa. Exemplo: Ele não fez o trabalho porque não tem livro; as conjunções subordinativas comparativas expressam comparações entre duas ou mais coisas, objetos, pessoas, animais etc. Exemplo: Ela fala mais que um papagaio; as conjunções subordinativas concessivas indicam uma concessão, admitem uma contradição, um fato inesperado. Trazem em si uma ideia de “apesar de”. Exemplo: Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (apesar de estar cansada); as conjunções subordinativas expressam uma ideia de acordo, concordância, conformidade.  Exemplo: Cada um colhe conforme semeia; as conjunções subordinativas consecutivas expressam uma ideia de consequência. Exemplo: Falou tanto que ficou rouco; as conjunções subordinativas finais expressam ideia de finalidade, objetivo. Exemplo: Todos trabalham para que possam sobreviver; as conjunções subordinativas proporcionais indicam proporções. Exemplo: À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha; e as conjunções subordinativas temporais expressam tempo, geralmente fenômeno natural. Exemplo: Chegamos em casa assim que começou a chover.

Interessante também é saber que mal é conjunção subordinativa temporal quando equivale a "logo que". E que o conjunto de duas ou mais palavras com valor de conjunção chama-se locução conjuntiva. Exemplos: ainda que, se bem que, visto que, contanto que, à proporção que.

Bom também é termos cuidado para não confundirmos as conjunções subordinativas de causas e de consequências, embora, isso, às vezes, fica difícil diferenciá-las. Daí, um esquema, como macete que costumo usar em minhas aulas:

Se alguém fala: ”Correram tanto, que ficaram cansados”. Saiba que: “Que ficaram cansados” aconteceu depois deles terem corrido, logo é uma consequência.

Porém, se alguém fala: ”Ficaram cansados porque correram muito”. Isso implica que: “Porque correram muito” aconteceu antes deles ficarem cansados, logo é uma causa.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XIII)


Preposições são palavras que estabelecem conexões com vários sentidos entre dois termos da oração, ou seja, são palavras que estabelecem uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, isto é, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula. Através de preposições, o segundo termo, chamado termo consequente, explica o sentido do primeiro termo conhecido como termo antecedente.

As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto, em diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua e chamamos isso de fenômeno da contração e, assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se ligam. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde. Diga-se também que a preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando essa ligação acontece, normalmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

As preposições podem ser simples essenciais, simples acidentais e compostas ou locuções prepositivas.

As preposições simples essenciais são palavras que atuam exclusivamente como preposições e são: a, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.

As preposições simples acidentais são palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições e podem ser: como, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.

As preposições compostas ou locuções prepositivas são formadas por duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas. Podem ser relacionadas assim: a fim de, apesar de, através de, depois de, em vez de, graças a, perto de, abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

 A relação exercida pelas preposições é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A preposição é um desses conectivos e, como já foi dito, se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação denominado regência. Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento, o qual é chamado antecedente é o termo que impõe um regime, isto é, que rege; o segundo elemento, por sua vez, chamado consequente é o termo regido, ou seja, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.

A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância em gênero ou em número. Vale ressaltar que essa concordância não é característica da preposição e sim das palavras a que se ela se une. Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir de dois processos. Um é o da combinação, e acontece quando a preposição não sofre alteração e o outro é o da contração que acontece quando a preposição sofre alteração.

Uma curiosidade importante trata-se do “a” que pode funcionar como preposição, como pronome pessoal oblíquo e como artigo. Para distingui-los é fácil, se seguirmos alguns passos básicos: caso o “a” seja um artigo, virá precedendo a um substantivo. Ele servirá para determiná-lo como um substantivo singular e feminino; quando é preposição, além de ser invariável, liga dois termos e estabelece relação de subordinação entre eles; se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar ou a função de um substantivo.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XII)


Já vimos ao longo de nossa série de artigos que em português, existem dez classes gramaticais, ou classes morfológicas, ou ainda classes de palavras. Vimos também que dessas dez classes, seis são variáveis, isto é, flexionam-se, indo ao plural, ou feminino, ou superlativo (substantivo, verbo, adjetivo, artigo, numeral e pronome), e quatro são invariáveis, ou seja, não sofrem variações (advérbio, conjunção, interjeição e preposição).

Nos nossos últimos artigos tivemos a oportunidade de estudarmos cada uma das seis classes variáveis, agora, terminado o estudo das variáveis e seguindo com a nossa série sobre Língua Portuguesa, um estudo sobre a Gramática estudaremos as quatro classes gramaticais invariáveis, iniciando hoje pela classe dos advérbios.

Advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um advérbio, indicando uma circunstância (tempo, lugar, modo, intensidade,…). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número. Contudo, alguns advérbios podem ser flexionados em grau, mas teremos a chance de verificar isso mais adiante, já que neste momento é mais interessante saber que os advérbios se classificam em advérbio de lugar, de tempo, de modo, de afirmação, de negação, de dúvida, de intensidade, de inclusão, de exclusão e de ordem. Dessa forma, podemos exemplificar da seguinte maneira:

Advérbio de lugar: aqui, ali, atrás, longe, perto, embaixo;
Advérbio de tempo: hoje, amanhã, nunca, cedo, tarde, antes;
Advérbio de modo: bem, mal, rapidamente, devagar, calmamente, pior;
Advérbio de afirmação: sim, certamente, certo, decididamente;
Advérbio de negação: não, nunca, jamais, nem, tampouco;
Advérbio de dúvida: talvez, quiçá, possivelmente, provavelmente, porventura;
Advérbio de intensidade: muito, pouco, tão, bastante, menos, quanto;
Advérbio de exclusão: salvo, senão, somente, só, unicamente, apenas;
Advérbio de inclusão: inclusivamente, também, mesmo, ainda;
Advérbio de ordem: primeiramente, ultimamente, depois.

Embora o advérbio seja classificado como palavra invariável, ou seja, não são flexionados em gênero e número, importa agora saber que certos advérbios admitem variação de grau. Chamaremos isso de flexão do advérbio.

Embora pareça complexo, não é. Fácil. Basta sabermos que a flexão do advérbio se faz apenas e tão somente em seu grau. Assim, faremos uma subdivisão do grau em comparativo e em superlativo.

No grau comparativo o que se faz, na verdade, é uma comparação entre coisas, objetos, pessoas, animais, lugares etc. E o comparativo do advérbio é feito do mesmo modo que se faz o comparativo do adjetivo, como já aprendemos em aulas anteriores. 

Observe:

Grau de igualdade: tão + advérbio + quanto (como). Exemplo: João fala tão alto quanto José.

Grau de inferioridade: menos + advérbio + que (do que).  Exemplo: João fala menos alto do que José.

O grau superlativo demonstra superioridade e pode ser analítico ou sintético, ou seja, se subdivide em grau analítico e grau sintético.

Assim, no grau sintético a alteração de grau é feita pelo acréscimo de um sufixo ao advérbio (cedíssimo). E no grau analítico a alteração de grau é feita com o auxílio de outro advérbio, no caso, um advérbio de intensidade (muito cedo). 

Grau analítico: mais + advérbio + que (do que). Exemplo: João fala mais alto do que José.

Grau sintético: melhor ou pior que (do que). Exemplo: João fala melhor que José.

Para finalizar, uma observação importante: as formas diminutivas do tipo cedinho, pertinho, etc. são comuns na língua popular. Dois exemplos para melhor justificar: Samara mora pertinho daqui. (muito perto); João levantou cedinho. (muito cedo).

Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XI)


Numeral é a palavra que indica quantidade de pessoa ou coisa, bem como a ordenação de elementos numa série. É uma das palavras que se relaciona diretamente ao substantivo, dando a ideia de número. Os numerais podem ser classificados em ordinais, cardinais, multiplicativos, fracionários e coletivos. Sendo que alguns numerais podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino) e em número (singular e plural), enquanto outros são invariáveis.

Quando os numerais expressarem ordens pode ser descritos como ordinais. Assim eles indicam o número de ordem, posição ou lugar ocupado em uma série. São flexionados em gênero masculino (primeiro), feminino (primeira) e número (singular e plural: primeiro, primeiros). Os numerais ordinais são usados para indicar séculos, artigos de leis e decretos, folhas e capítulos de uma obra, soberanos, papas, o primeiro dia do mês, entre outros. Normalmente, o numeral ordinal é utilizado até ao décimo (primeiro, segundo, terceiro,... décimo), sendo substituídos depois por numerais cardinais (onze, doze, treze,...).

Os numerais cardinais indicam o número ou a quantidade dos elementos constituintes de um conjunto. Expressa uma quantidade única. De modo simplista, nos habituamos com facilidade a passar do ponto de vista cardinal para o ordinal que quase não distinguimos mais essa diferença. Mas basta pensamos que o mês de novembro é composto de 30 dias. O número 30 indica o total, a quantidade absoluta, de dias desse mês. Trata-se, portanto, de um número cardinal. Porém, empregamos outro ponto de vista quando dizemos "dia 30 de julho". Nesse caso o número 30 não está sendo usado para indicar os 30 dias do mês, mas o trigésimo dia de julho, especificando o seu lugar na ordem de sucessão dos dias desse mês, explicando uma ordem. Trata-se, então, de uma utilização ordinal. Para resolver esse impasse de forma ainda mais fácil basta saber que, entre outras classificações, os números podem ser cardinais ou ordinais. Se cardinal expressa uma quantidade absoluta (vinte, mil...), se ordinal indica ordem (décimo primeiro lugar). Feito isso, aquilo que, em geral, aprendemos ou habituamos tão facilmente a passar do ponto de vista cardinal para ordinal ou vice-versa que quase nem percebemos, basta saber que cardinal trata-se de uma sequência (um, dois, três, sete, vinte e oito, cento e noventa, mil) e ordinal indica ordem (primeiro, vigésimo segundo, nonagésimo, milésimo).

 Os numerais multiplicativos como o próprio nome já sugere indica uma multiplicação. Referem-se ao número de vezes que uma determinada quantidade foi multiplicada, indicando um aumento proporcional dessa mesma quantidade. Podem assumir a função de um substantivo ou de um adjetivo. São invariáveis quando atuam como substantivos, mas, quando atuam como adjetivos, são flexionados em gênero (masculino e feminino) e número (plural e singular).

Numerais fracionários  referem-se ao fracionamento de uma unidade, de um todo, indicando assim suas frações, divisões e partes. São flexionados em gênero e número conforme o numeral cardinal que os antecedem. Vejamos alguns exemplos: um quarto, três quartos, uma quarta parte, três quartas partes...

Embora sejam majoritariamente utilizados na matemática, também se verifica sua utilização na área administrativa e financeira, bem como em linguagem corrente. Exemplo: Já percorremos um terço do caminho.

Numerais coletivos  referem-se aos numerais que, no singular, se referem ao conjunto de algo, indicando o número exato de seres que compõem esse conjunto. Não são flexionados em gênero, mas são flexionados em número. Exemplos: uma dúzia, quatro dúzias, uma novena, nove novenas...

Uma boa curiosidade é que o "zero" e "ambos" são considerados numerais. Outra é a diferença entre um artigo e um numeral: um artigo indica indefinição do substantivo e um numeral indica quantidade do substantivo.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (X)


Pronome é a classe de palavra que acompanha ou representa o substantivo, serve para apontar uma das três pessoas do discurso ou situá-lo no espaço e no tempo. Varia em gênero, número e pessoa. E pode funcionar como pronome adjetivo, quando modifica um substantivo ou como pronome substantivo quando desempenha função de substantivo.

No português, há seis espécies de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, indefinidos e interrogativos.

Os pronomes pessoais podem ser retos, oblíquos e de tratamento. Os pronomes pessoais retos são: eu; tu; ele; nós; vós; eles. Os pronomes pessoais oblíquos são: me; mim; comigo; o; a; se; conosco; vos. E os pronomes pessoais de tratamento são: você; senhor; Vossa Excelência; Vossa Eminência.

Os pronomes pessoais são termos que substituem ou acompanham o substantivo. Servem para representar os nomes dos seres e determinar as pessoas do discurso.

Os pronomes possessivos indicam posse e estabelece relação da pessoa do discurso com algo que lhe pertence. São meu; tua; seus; nossas; vosso; sua.

Os pronomes demonstrativos indicam a posição de um ser ou objeto em relação às pessoas do discurso. São este; esta; esse; essa; isto; aquilo; aquele; aquela; o; a; tal.  

Os pronomes interrogativos são empregados para formular perguntas diretas ou indiretas. Podem ser variáveis ou invariáveis. Os pronomes variáveis são: qual, quais, quanto, quantos, quanta e quantas e os pronomes invariáveis são: que, onde, quem...

Os pronomes relativos são os que relacionam uma oração a um substantivo que representa e eles também se classificam em variáveis e invariáveis. Os pronomes variáveis são: o, a, qual, os, as, quais, quanto, quantos, quanta, quantas, cujo, cujos, cuja, cujas e os invariáveis são: que, quem, onde.

Os pronomes indefinidos são imprecisos, vagos. Se referem à 3ª pessoa do discurso. Podem ser variáveis (se flexionando em gênero e número) ou invariáveis (se não flexionado). São formas variáveis: algum, alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, muito, muitos, muita, muitas, pouco, poucos, pouca, poucas, tanto, tantos, tanta, tantas, certo, certos, certa, certas, vário, vários, vária, varias, outro, outros, outra, outras, certo, certos, certa, certas, quanto, quantos, quanta, quantas, tal, tais, qual, quais, qualquer, quaisquer... São formas invariáveis: quem, alguém, ninguém, outrem, cada, algo, tudo, nada.

Quanto à acentuação, classificam-se em oblíquos átonos (acompanham formas verbais) e oblíquos tônicos (acompanhados de preposição):

Pronomes oblíquos átonos: me, te, o, a, lhe, se, nos, vos, os, as, lhes.

Interessante saber que em verbos terminados em -r, -s ou -z, elimina-se a terminação e os pronomes o, os, a, as se tornam lo, los, la, las.

Em verbos terminados em -am, -em, -ão e -õe os pronomes se tornam no, nos, na, nas.
Pronomes oblíquos tônicos: mim, ti, ele, ela, si, nós, vós, eles, elas.

Os pronomes de tratamento tem a função de pronome pessoal e serve para designar as pessoas do discurso.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (IX)


Na parte anterior da nossa série sobre o estudo da Gramática da Língua Portuguesa estudamos os verbos e vimos que eles são palavras que indicam ações, estados ou fenômenos, situando-os no tempo. Porém, antes de adentrarmos em outra classe morfológica, achamos por bem, darmos mais uma pincelada nos verbos, dado a sua complexidade e amplitude de conteúdos.

Pois bem, para melhor compreensão das funções dos verbos dentro da língua é bom que saibamos que eles podem indicar, entre outros processos ação, estado, fenômeno, ocorrência, desejo, etc. assim: quem corre, pratica a ação de correr; quem fica, permanece no estado de ficar; se chove, ocorre um fenômeno natural de chover; quem nasce, sofre a ocorrência do nascer e quem quer, exerce o desejo de querer algo.

Com o que foi descrito acima, podemos perceber, então, que o que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus possíveis significados.

Vimos também em artigo anterior sobre a estrutura das formas verbais e percebemos que essas formas podem apresentar elementos como radical, que é a parte invariável, que expressa o significado essencial do verbo; tema, que é o radical seguido da vogal temática que indica a conjugação a que pertence o verbo; a desinência modo-temporal que é o elemento que designa o tempo e o modo do verbo; e ainda a desinência número-pessoal que é o elemento que designa a pessoa do discurso. (1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular ou plural).

Uma observação interessante a fazer é que o verbo pôr, assim como seus derivados compor, repor, depor, etc., pertencem à 2ª conjugação, uma vez que a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal "e", apesar de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc.

Lembrando ainda que os verbos possuem também características de tonicidades. Desse modo, classificamos os verbos como rizotônicos e arrizotônicos, ou seja, consideram-se formas rizotônicas aquelas em que o acento recai no radical; e arrizotônicas as formas em que o acento recai nas terminações. Repetindo: nas formas rizotônicas o acento recai sempre no radical e nas chamadas formas arrizotônicas o acento tônico recai nas terminações, e não no radical.

De forma a compreendermos melhor, encerraremos, pois, este conteúdo verbal, exemplificando através da conjugação do verbo cantar no presente do indicativo e no presente do subjuntivo.

Presente do indicativo: eu canto, tu cantas, ele canta, eles cantam; presente do subjuntivo: que eu cante, que tu cantes, que ele cante, que eles cantem.

Nota que para cada verbo existem apenas oito formas rizotônicas (eu, tu, ele e eles do presente do indicativo e eu, tu, ele e eles do presente do subjuntivo).


Gilson Vasco