Na parte anterior da nossa
série sobre o estudo da Gramática da Língua Portuguesa estudamos os verbos e
vimos que eles são palavras que indicam
ações, estados ou fenômenos, situando-os no tempo. Porém, antes de adentrarmos em outra classe
morfológica, achamos por bem, darmos mais uma pincelada nos verbos, dado a sua complexidade e amplitude de conteúdos.
Pois bem, para melhor compreensão
das funções dos verbos dentro da língua é bom que saibamos que eles podem indicar,
entre outros processos ação, estado, fenômeno, ocorrência, desejo, etc. assim:
quem corre, pratica a ação de correr; quem fica, permanece no estado de ficar;
se chove, ocorre um fenômeno natural de chover; quem nasce, sofre a ocorrência
do nascer e quem quer, exerce o desejo de querer algo.
Com o que foi descrito acima, podemos
perceber, então, que o que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os
seus possíveis significados.
Vimos também em artigo anterior
sobre a estrutura das formas verbais e percebemos que essas formas podem
apresentar elementos como radical, que é a parte invariável, que expressa o
significado essencial do verbo; tema, que é o radical seguido da vogal temática
que indica a conjugação a que pertence o verbo; a desinência modo-temporal que é
o elemento que designa o tempo e o modo do verbo; e ainda a desinência
número-pessoal que é o elemento que designa a pessoa do discurso. (1ª, 2ª ou
3ª) e o número (singular ou plural).
Uma observação
interessante a fazer é que o verbo pôr, assim como seus derivados compor,
repor, depor, etc., pertencem à 2ª conjugação, uma vez que a forma arcaica do
verbo pôr era poer. A vogal "e", apesar de haver
desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe, pões, põem,
etc.
Lembrando
ainda que os verbos possuem também características de tonicidades. Desse modo,
classificamos os verbos como rizotônicos e arrizotônicos, ou seja, consideram-se formas rizotônicas aquelas em que o acento
recai no radical; e arrizotônicas as formas em que o acento recai nas
terminações. Repetindo: nas formas rizotônicas o acento recai
sempre no radical e nas chamadas
formas arrizotônicas o acento tônico recai nas terminações, e não no radical.
De
forma a compreendermos melhor, encerraremos, pois,
este conteúdo verbal, exemplificando através da conjugação do verbo
cantar no presente do indicativo e no presente do subjuntivo.
Presente do
indicativo: eu canto, tu cantas,
ele canta, eles cantam; presente do subjuntivo: que eu cante, que tu cantes, que ele
cante, que eles cantem.
Nota que para cada
verbo existem apenas oito formas rizotônicas (eu, tu, ele e eles do presente do
indicativo e eu, tu, ele e eles do presente do subjuntivo).
Gilson Vasco

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