Bem-vindo (a)

Para quem acredita na existência de Deus, há sempre uma luz radiante, ainda que a vida pareça mergulhada em profunda escuridão. Chega um momento que precisamos nos libertar dos grilhões, das amarras e correntes que nos enclausuram num pequeno mundo, sairmos da nossa caverna e irmos de encontro à luz.

sábado, 10 de junho de 2017

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XIII)


Preposições são palavras que estabelecem conexões com vários sentidos entre dois termos da oração, ou seja, são palavras que estabelecem uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, isto é, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula. Através de preposições, o segundo termo, chamado termo consequente, explica o sentido do primeiro termo conhecido como termo antecedente.

As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto, em diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua e chamamos isso de fenômeno da contração e, assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se ligam. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde. Diga-se também que a preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando essa ligação acontece, normalmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

As preposições podem ser simples essenciais, simples acidentais e compostas ou locuções prepositivas.

As preposições simples essenciais são palavras que atuam exclusivamente como preposições e são: a, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.

As preposições simples acidentais são palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições e podem ser: como, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.

As preposições compostas ou locuções prepositivas são formadas por duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas. Podem ser relacionadas assim: a fim de, apesar de, através de, depois de, em vez de, graças a, perto de, abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

 A relação exercida pelas preposições é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A preposição é um desses conectivos e, como já foi dito, se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação denominado regência. Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento, o qual é chamado antecedente é o termo que impõe um regime, isto é, que rege; o segundo elemento, por sua vez, chamado consequente é o termo regido, ou seja, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.

A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância em gênero ou em número. Vale ressaltar que essa concordância não é característica da preposição e sim das palavras a que se ela se une. Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir de dois processos. Um é o da combinação, e acontece quando a preposição não sofre alteração e o outro é o da contração que acontece quando a preposição sofre alteração.

Uma curiosidade importante trata-se do “a” que pode funcionar como preposição, como pronome pessoal oblíquo e como artigo. Para distingui-los é fácil, se seguirmos alguns passos básicos: caso o “a” seja um artigo, virá precedendo a um substantivo. Ele servirá para determiná-lo como um substantivo singular e feminino; quando é preposição, além de ser invariável, liga dois termos e estabelece relação de subordinação entre eles; se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar ou a função de um substantivo.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XII)


Já vimos ao longo de nossa série de artigos que em português, existem dez classes gramaticais, ou classes morfológicas, ou ainda classes de palavras. Vimos também que dessas dez classes, seis são variáveis, isto é, flexionam-se, indo ao plural, ou feminino, ou superlativo (substantivo, verbo, adjetivo, artigo, numeral e pronome), e quatro são invariáveis, ou seja, não sofrem variações (advérbio, conjunção, interjeição e preposição).

Nos nossos últimos artigos tivemos a oportunidade de estudarmos cada uma das seis classes variáveis, agora, terminado o estudo das variáveis e seguindo com a nossa série sobre Língua Portuguesa, um estudo sobre a Gramática estudaremos as quatro classes gramaticais invariáveis, iniciando hoje pela classe dos advérbios.

Advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um advérbio, indicando uma circunstância (tempo, lugar, modo, intensidade,…). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número. Contudo, alguns advérbios podem ser flexionados em grau, mas teremos a chance de verificar isso mais adiante, já que neste momento é mais interessante saber que os advérbios se classificam em advérbio de lugar, de tempo, de modo, de afirmação, de negação, de dúvida, de intensidade, de inclusão, de exclusão e de ordem. Dessa forma, podemos exemplificar da seguinte maneira:

Advérbio de lugar: aqui, ali, atrás, longe, perto, embaixo;
Advérbio de tempo: hoje, amanhã, nunca, cedo, tarde, antes;
Advérbio de modo: bem, mal, rapidamente, devagar, calmamente, pior;
Advérbio de afirmação: sim, certamente, certo, decididamente;
Advérbio de negação: não, nunca, jamais, nem, tampouco;
Advérbio de dúvida: talvez, quiçá, possivelmente, provavelmente, porventura;
Advérbio de intensidade: muito, pouco, tão, bastante, menos, quanto;
Advérbio de exclusão: salvo, senão, somente, só, unicamente, apenas;
Advérbio de inclusão: inclusivamente, também, mesmo, ainda;
Advérbio de ordem: primeiramente, ultimamente, depois.

Embora o advérbio seja classificado como palavra invariável, ou seja, não são flexionados em gênero e número, importa agora saber que certos advérbios admitem variação de grau. Chamaremos isso de flexão do advérbio.

Embora pareça complexo, não é. Fácil. Basta sabermos que a flexão do advérbio se faz apenas e tão somente em seu grau. Assim, faremos uma subdivisão do grau em comparativo e em superlativo.

No grau comparativo o que se faz, na verdade, é uma comparação entre coisas, objetos, pessoas, animais, lugares etc. E o comparativo do advérbio é feito do mesmo modo que se faz o comparativo do adjetivo, como já aprendemos em aulas anteriores. 

Observe:

Grau de igualdade: tão + advérbio + quanto (como). Exemplo: João fala tão alto quanto José.

Grau de inferioridade: menos + advérbio + que (do que).  Exemplo: João fala menos alto do que José.

O grau superlativo demonstra superioridade e pode ser analítico ou sintético, ou seja, se subdivide em grau analítico e grau sintético.

Assim, no grau sintético a alteração de grau é feita pelo acréscimo de um sufixo ao advérbio (cedíssimo). E no grau analítico a alteração de grau é feita com o auxílio de outro advérbio, no caso, um advérbio de intensidade (muito cedo). 

Grau analítico: mais + advérbio + que (do que). Exemplo: João fala mais alto do que José.

Grau sintético: melhor ou pior que (do que). Exemplo: João fala melhor que José.

Para finalizar, uma observação importante: as formas diminutivas do tipo cedinho, pertinho, etc. são comuns na língua popular. Dois exemplos para melhor justificar: Samara mora pertinho daqui. (muito perto); João levantou cedinho. (muito cedo).

Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (XI)


Numeral é a palavra que indica quantidade de pessoa ou coisa, bem como a ordenação de elementos numa série. É uma das palavras que se relaciona diretamente ao substantivo, dando a ideia de número. Os numerais podem ser classificados em ordinais, cardinais, multiplicativos, fracionários e coletivos. Sendo que alguns numerais podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino) e em número (singular e plural), enquanto outros são invariáveis.

Quando os numerais expressarem ordens pode ser descritos como ordinais. Assim eles indicam o número de ordem, posição ou lugar ocupado em uma série. São flexionados em gênero masculino (primeiro), feminino (primeira) e número (singular e plural: primeiro, primeiros). Os numerais ordinais são usados para indicar séculos, artigos de leis e decretos, folhas e capítulos de uma obra, soberanos, papas, o primeiro dia do mês, entre outros. Normalmente, o numeral ordinal é utilizado até ao décimo (primeiro, segundo, terceiro,... décimo), sendo substituídos depois por numerais cardinais (onze, doze, treze,...).

Os numerais cardinais indicam o número ou a quantidade dos elementos constituintes de um conjunto. Expressa uma quantidade única. De modo simplista, nos habituamos com facilidade a passar do ponto de vista cardinal para o ordinal que quase não distinguimos mais essa diferença. Mas basta pensamos que o mês de novembro é composto de 30 dias. O número 30 indica o total, a quantidade absoluta, de dias desse mês. Trata-se, portanto, de um número cardinal. Porém, empregamos outro ponto de vista quando dizemos "dia 30 de julho". Nesse caso o número 30 não está sendo usado para indicar os 30 dias do mês, mas o trigésimo dia de julho, especificando o seu lugar na ordem de sucessão dos dias desse mês, explicando uma ordem. Trata-se, então, de uma utilização ordinal. Para resolver esse impasse de forma ainda mais fácil basta saber que, entre outras classificações, os números podem ser cardinais ou ordinais. Se cardinal expressa uma quantidade absoluta (vinte, mil...), se ordinal indica ordem (décimo primeiro lugar). Feito isso, aquilo que, em geral, aprendemos ou habituamos tão facilmente a passar do ponto de vista cardinal para ordinal ou vice-versa que quase nem percebemos, basta saber que cardinal trata-se de uma sequência (um, dois, três, sete, vinte e oito, cento e noventa, mil) e ordinal indica ordem (primeiro, vigésimo segundo, nonagésimo, milésimo).

 Os numerais multiplicativos como o próprio nome já sugere indica uma multiplicação. Referem-se ao número de vezes que uma determinada quantidade foi multiplicada, indicando um aumento proporcional dessa mesma quantidade. Podem assumir a função de um substantivo ou de um adjetivo. São invariáveis quando atuam como substantivos, mas, quando atuam como adjetivos, são flexionados em gênero (masculino e feminino) e número (plural e singular).

Numerais fracionários  referem-se ao fracionamento de uma unidade, de um todo, indicando assim suas frações, divisões e partes. São flexionados em gênero e número conforme o numeral cardinal que os antecedem. Vejamos alguns exemplos: um quarto, três quartos, uma quarta parte, três quartas partes...

Embora sejam majoritariamente utilizados na matemática, também se verifica sua utilização na área administrativa e financeira, bem como em linguagem corrente. Exemplo: Já percorremos um terço do caminho.

Numerais coletivos  referem-se aos numerais que, no singular, se referem ao conjunto de algo, indicando o número exato de seres que compõem esse conjunto. Não são flexionados em gênero, mas são flexionados em número. Exemplos: uma dúzia, quatro dúzias, uma novena, nove novenas...

Uma boa curiosidade é que o "zero" e "ambos" são considerados numerais. Outra é a diferença entre um artigo e um numeral: um artigo indica indefinição do substantivo e um numeral indica quantidade do substantivo.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (X)


Pronome é a classe de palavra que acompanha ou representa o substantivo, serve para apontar uma das três pessoas do discurso ou situá-lo no espaço e no tempo. Varia em gênero, número e pessoa. E pode funcionar como pronome adjetivo, quando modifica um substantivo ou como pronome substantivo quando desempenha função de substantivo.

No português, há seis espécies de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, indefinidos e interrogativos.

Os pronomes pessoais podem ser retos, oblíquos e de tratamento. Os pronomes pessoais retos são: eu; tu; ele; nós; vós; eles. Os pronomes pessoais oblíquos são: me; mim; comigo; o; a; se; conosco; vos. E os pronomes pessoais de tratamento são: você; senhor; Vossa Excelência; Vossa Eminência.

Os pronomes pessoais são termos que substituem ou acompanham o substantivo. Servem para representar os nomes dos seres e determinar as pessoas do discurso.

Os pronomes possessivos indicam posse e estabelece relação da pessoa do discurso com algo que lhe pertence. São meu; tua; seus; nossas; vosso; sua.

Os pronomes demonstrativos indicam a posição de um ser ou objeto em relação às pessoas do discurso. São este; esta; esse; essa; isto; aquilo; aquele; aquela; o; a; tal.  

Os pronomes interrogativos são empregados para formular perguntas diretas ou indiretas. Podem ser variáveis ou invariáveis. Os pronomes variáveis são: qual, quais, quanto, quantos, quanta e quantas e os pronomes invariáveis são: que, onde, quem...

Os pronomes relativos são os que relacionam uma oração a um substantivo que representa e eles também se classificam em variáveis e invariáveis. Os pronomes variáveis são: o, a, qual, os, as, quais, quanto, quantos, quanta, quantas, cujo, cujos, cuja, cujas e os invariáveis são: que, quem, onde.

Os pronomes indefinidos são imprecisos, vagos. Se referem à 3ª pessoa do discurso. Podem ser variáveis (se flexionando em gênero e número) ou invariáveis (se não flexionado). São formas variáveis: algum, alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, muito, muitos, muita, muitas, pouco, poucos, pouca, poucas, tanto, tantos, tanta, tantas, certo, certos, certa, certas, vário, vários, vária, varias, outro, outros, outra, outras, certo, certos, certa, certas, quanto, quantos, quanta, quantas, tal, tais, qual, quais, qualquer, quaisquer... São formas invariáveis: quem, alguém, ninguém, outrem, cada, algo, tudo, nada.

Quanto à acentuação, classificam-se em oblíquos átonos (acompanham formas verbais) e oblíquos tônicos (acompanhados de preposição):

Pronomes oblíquos átonos: me, te, o, a, lhe, se, nos, vos, os, as, lhes.

Interessante saber que em verbos terminados em -r, -s ou -z, elimina-se a terminação e os pronomes o, os, a, as se tornam lo, los, la, las.

Em verbos terminados em -am, -em, -ão e -õe os pronomes se tornam no, nos, na, nas.
Pronomes oblíquos tônicos: mim, ti, ele, ela, si, nós, vós, eles, elas.

Os pronomes de tratamento tem a função de pronome pessoal e serve para designar as pessoas do discurso.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (IX)


Na parte anterior da nossa série sobre o estudo da Gramática da Língua Portuguesa estudamos os verbos e vimos que eles são palavras que indicam ações, estados ou fenômenos, situando-os no tempo. Porém, antes de adentrarmos em outra classe morfológica, achamos por bem, darmos mais uma pincelada nos verbos, dado a sua complexidade e amplitude de conteúdos.

Pois bem, para melhor compreensão das funções dos verbos dentro da língua é bom que saibamos que eles podem indicar, entre outros processos ação, estado, fenômeno, ocorrência, desejo, etc. assim: quem corre, pratica a ação de correr; quem fica, permanece no estado de ficar; se chove, ocorre um fenômeno natural de chover; quem nasce, sofre a ocorrência do nascer e quem quer, exerce o desejo de querer algo.

Com o que foi descrito acima, podemos perceber, então, que o que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus possíveis significados.

Vimos também em artigo anterior sobre a estrutura das formas verbais e percebemos que essas formas podem apresentar elementos como radical, que é a parte invariável, que expressa o significado essencial do verbo; tema, que é o radical seguido da vogal temática que indica a conjugação a que pertence o verbo; a desinência modo-temporal que é o elemento que designa o tempo e o modo do verbo; e ainda a desinência número-pessoal que é o elemento que designa a pessoa do discurso. (1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular ou plural).

Uma observação interessante a fazer é que o verbo pôr, assim como seus derivados compor, repor, depor, etc., pertencem à 2ª conjugação, uma vez que a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal "e", apesar de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc.

Lembrando ainda que os verbos possuem também características de tonicidades. Desse modo, classificamos os verbos como rizotônicos e arrizotônicos, ou seja, consideram-se formas rizotônicas aquelas em que o acento recai no radical; e arrizotônicas as formas em que o acento recai nas terminações. Repetindo: nas formas rizotônicas o acento recai sempre no radical e nas chamadas formas arrizotônicas o acento tônico recai nas terminações, e não no radical.

De forma a compreendermos melhor, encerraremos, pois, este conteúdo verbal, exemplificando através da conjugação do verbo cantar no presente do indicativo e no presente do subjuntivo.

Presente do indicativo: eu canto, tu cantas, ele canta, eles cantam; presente do subjuntivo: que eu cante, que tu cantes, que ele cante, que eles cantem.

Nota que para cada verbo existem apenas oito formas rizotônicas (eu, tu, ele e eles do presente do indicativo e eu, tu, ele e eles do presente do subjuntivo).


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (VIII)


Verbos são palavras que indicam ações, estados ou fenômenos, situando-os no tempo. São classes de palavras que se flexionam em pessoa, número, tempo, modo e voz.

Quanto à estrutura, os verbos são compostos pelo radical, terminação e vogal temática. Sendo o radical a parte invariável e que normalmente se repete, a terminação a parte que é flexionada e a vogal temática que caracteriza a conjugação.

Especificamente em Língua Portuguesa os verbos possuem três conjugações: ar, er, e ir. Isso é o que também chamamos de primeira, segunda e terceira conjugações. Dessa forma, para melhor compreensão podemos esquematizar assim:

1ª Conjugação: verbos terminados em ar.

2ª Conjugação: verbos terminados em er.

3ª Conjugação: verbos terminados em ir.

Exemplos: estud-ar, escrev-er, part-ir.

Morfologicamente, os verbos classificam-se em regulares, irregulares, anômalos, defectivos e abundantes.

São regulares quando flexionam-se de acordo com o paradigma da conjugação.

Exemplos: estudar: eu estudo, tu estudas, ele estuda, nós estudamos...

Irregulares quando não seguem o paradigma da conjugação.

Exemplos: caber: eu caibo... , medir: eu meço...

Anômalos quando sofrem modificação também no radical.

Exemplos: ir: eu vou..., ser: eu sou...

Defectivos quando não são conjugados em todas as formas.

Exemplos: falir: não possui 1ª, 2ª e 3ª pessoa do presente do indicativo e presente do subjuntivo.

Abundantes quando possuem mais de uma forma de conjugação.

Exemplos: acendido: aceso, incluído: incluso.

Entre outras flexões os verbos flexionam-se em número para concordar com o sujeito e substantivo que acompanham; em pessoa; em tempo; em modo e em voz. Daí, dizer que os verbos se inserem na classe de palavras variáveis. Assim:

Quanto ao número podem ser singular e plural.

Quanto à pessoa podem ser: 1ª pessoa: a que fala, 2ª pessoa: com quem se fala e 3ª pessoa: de quem se fala.

Flexionam-se em tempo para indicar o momento em que ocorrem os fatos: O presente é usado para fatos que ocorrem no momento em que se fala, para fatos que ocorrem no dia-a-dia, para fatos que costumam ocorrer com certa frequência.

Exemplos: Ela trabalha nessa empresa. Ela costura todos os dias.

Usa-se o pretérito perfeito para indicar fatos passados, observados depois de concluídos.

Exemplos: Ela trabalhou nessa empresa veementemente. Ela costurou setenta peças num só dia.

Usa-se o pretérito imperfeito para indicar fatos não concluídos no momento em que se fala como também para falar de fatos que ocorriam com frequência no passado.

Exemplo: Ela costurava todos os dias e ainda cuidava de cinco filhos pequenos.

Usa-se o pretérito mais-que-perfeito para indicar fatos passados ocorridos anteriormente a outros fatos passados.

Exemplo: Já costurava muito, quando ingressou nessa empresa.

Usa-se o futuro do presente para falar de fatos ainda não ocorridos, mas que ocorrerão depois que se fala.

Exemplos: Ela costurará muito e será bem sucedida na profissão.

Usa-se o futuro do pretérito para indicar fatos futuros que dependem de outros fatos.
Exemplo: Ela trabalharia mais, se tivesse menos filhos.

O modo verbal indica de que forma o fato pode se realizar: se indicativo, se subjuntivo ou se imperativo.

Explicando melhor:

Modo Indicativo para fato certo:

Exemplos: Eu estudo, Nós escreveremos.

Modo Subjuntivo para fato hipotético, desejo, dúvida:

Exemplos: Se eles trabalhassem...

Modo Imperativo para ordem, pedido:

Exemplos: Trabalhem com afinco...Sejam estudiosos...

Há ainda três formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio.

As vozes verbais indicam se o sujeito pratica ou recebe a ação.

Exemplos:

A voz ativa acontece quando o sujeito pratica a ação.

Exemplos: O professor elogiou o aluno.

Na voz passiva é o sujeito quem recebe a ação:

Exemplo: O aluno foi elogiado pelo professor...

Já na voz reflexiva o sujeito é quem pratica e sofre a ação:

Exemplo: Dedicou-se aos estudos.


Gilson Vasco

Língua Portuguesa - Um estudo sobre a Gramática (VII)


Adjetivo é toda palavra que se refere a um substantivo indicando-lhe um atributo. Flexionam-se em gênero, número e grau. Sua função gramatical pode ser comparada com a do advérbio em relação aos verbos, aos adjetivos e a outros advérbios.

Dito de outro modo, adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou característica do ser e se "encaixa" diretamente ao lado de um substantivo. Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, percebemos que além de expressar uma qualidade, ela pode ser "encaixada diretamente" ao lado de um substantivo: homem bondoso, moça bondosa, pessoa bondosa. Já com a palavra bondade, embora expresse uma qualidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, portanto, não é adjetivo, mas substantivo.

Pois bem, assim como outras classes gramaticais os adjetivos também respeita uma classificação. Dessa forma, os adjetivos podem ser classificados em: simples, compostos, primitivos, derivados e pátrios. Podem ser observados conforme seu gênero, número e grau. Quanto ao gênero eles podem ser uniformes e biformes, quanto ao número poder ser singular e plural e quanto ao grau podem ser comparativos ou superlativos.

Vejamos isso com melhores detalhes:

Adjetivos Simples: acontecem quando formados por apenas um radical.exemplos: claro, escuro...

Adjetivos Compostos: ocorrem quando formados por dois ou mais radicais. Exemplos: amarelo-claro, azul-escuro...

Adjetivos Primitivos: observados quando não derivados de outra palavra em língua portuguesa. Exemplos: bom, feliz...

Adjetivos Derivados: Acontecem quando derivados de outros substantivos ou verbos. Exemplos: bondoso, amado...

Adjetivos Pátrios: ocorrem quando se referem à origem ou nacionalidade. Exemplos: brasileiro, paulistano, santista...

Vimos também que, quanto à flexão os adjetivos flexionam-se em gênero, número e grau.

 Vejamos isso:

Quanto ao gênero, se subdividem em duas categorias, a saber: a dos uniformes e a dos biformes.

Os adjetivos uniformes acontecem quando uma única forma é usada tanto para concordar com substantivos masculinos quanto com femininos. Exemplos: menino feliz, menina feliz...

Os adjetivos biformes ocorrem quando se flexionam para concordar com o substantivo que qualificam. Exemplos: menino bonito, menina bonita...

Em relação a sua numeralidade gramatical acontecem quando eles podem ser singular ou plural para acompanhar o substantivo que qualificam. Exemplos: menina bonita – meninas bonitas, homem feliz – homens felizes.

Flexionam-se em grau para expressar a intensidade das qualidades do substantivo ao qual se referem.

Já quanto ao grau, os adjetivos podem ser comparativos ou superlativos. Sendo que, o grau comparativo pode designar:

Igualdade: Exemplo: Estela é tão bonita quanto Gabriela.

Superioridade: Exemplo: Estela é mais bonita que Gabriela.

Inferioridade: Exemplo: Estela é menos bonita que Gabriela.

Enquanto o grau comparativo pode designar igualdade, superioridade e inferioridade, o grau superlativo pode ser absoluto ou relativo. Ficando, pois, assim:

 Quando absoluto pode ser analítico e sintético.

Exemplos:

Absoluto analítico: Renata é muito bonita.

Absoluto sintético: Renata é belíssima.

Quando relativo pode ser relativo de superioridade e relativo de inferioridade.

Exemplos:

Relativo de superioridade:

Analítico: Esta vila é a mais bonita de todas.

Sintético: Esta vila é a maior de todas.

Relativo de inferioridade:

Esta vila é a menos bonita de todas.




Gilson Vasco